Com aviões lotados, quase 700 mil pessoas embarcaram ou desembarcaram na Terra das Cataratas por via aérea entre janeiro e março de 2026, índice histórico

Desde outubro de 2025, passageiros contam com a possibilidade de voar diariamente direto de Foz do Iguaçu para a capital federal, Brasília, em uma rota operada pela Latam. Também é possível se conectar diretamente com a capital do Ceará, Fortaleza, semanalmente, em um dos voos diretos mais longos do país, operado pela Gol. Com as duas novas rotas — somadas ao incremento na oferta de voos diretos para Congonhas, pela Azul — Foz do Iguaçu dá um salto de conectividade que já reflete no número de passageiros.

No primeiro trimestre de 2026, o Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu registrou recorde de movimentação para o período, com 695 mil passageiros embarcando ou desembarcando no terminal. O número representa 20% a mais que os 577 mil movimentados em 2025 e está 5% acima do recorde anterior, registrado em 2019, no pré-pandemia, quando 661 mil passageiros passaram pelo aeroporto entre janeiro e março.

Ocupação nas alturas

No dia do lançamento, em 28 de outubro do ano passado, o voo Foz-Brasília decolou com 100% de ocupação. Ter voos lotados, chegando ou saindo, é uma recorrente no Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu, que ocupa as primeiras posições no quesito ocupação, conforme ranking da Agência Nacional de Aviação (Anac).

Para o gerente do Aeroporto Internacional de Foz, Vinícius Bueno, a engrenagem tem funcionado bem. A infraestrutura atual, melhorada com as obras de mais de R$ 340 milhões entregues pela Motiva em 2025, permite receber os passageiros com mais conforto, ao mesmo tempo em que atrai novas rotas, diminuindo distâncias com voos diretos.

“O aeroporto ter capacidade para atender a essa demanda aumenta o interesse das companhias aéreas e garante, para os passageiros, o melhor aproveitamento dos períodos de folga. Se o viajante tem um feriado curto, por exemplo, e um aeroporto que não supre sua necessidade, a viagem não acontece. O aumento da frequência de operações traz um impulso direto para o turismo”, explica.

Bueno destaca ainda que a homologação da extensão da pista, entregue em outubro do ano passado, tem permitido que as companhias aéreas operem com maior capacidade técnica. O Aeroporto de Foz conta hoje com a segunda maior pista do Sul do Brasil, de 2.705 metros de comprimento.

A primeira impressão do destino

Além dos números, a percepção de qualidade do aeroporto é determinante para a captação de eventos e negócios, avalia Elaine Tenerello, diretora executiva do Visit Iguassu. “Para um destino reconhecido mundialmente e que possui um pool de empresas qualificadas para receber eventos, a estrutura do aeroporto é fundamental, pois é a primeira impressão do viajante”, afirma.

Elaine ressalta que diferenciais como salas VIP, gastronomia de qualidade e a oferta de produtos regionais são pontos cruciais em negociações para atrair eventos para Foz do Iguaçu. “Quando o aeroporto entende a parceria e provê serviços diferenciados para grupos, com espaços dedicados e logística para veículos de turismo e aplicativos, ele qualifica a experiência e nos ajuda na conversão de vendas de eventos e lazer”, pontua.

O fim do embarque na pista

A modernização recente do aeroporto, que incluiu a instalação de pontes de embarque (fingers), também impacta diretamente na qualidade percebida pelos passageiros. A turismóloga Lara Luciana Leal Seixas, coordenadora do curso de Turismo da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), lembra que essa era uma demanda antiga da comunidade.

“Os fingers facilitam o embarque e desembarque, oferecendo conforto e proteção contra o clima, além de evitar que os passageiros caminhem pela pista. É o acolhimento que um destino desse porte exige”, comenta.

Para Lara, o crescimento do modal aéreo reflete tanto uma facilitação do acesso quanto uma busca dos passageiros por mais segurança. “Apesar da melhora nas rodovias, o aumento do fluxo de caminhões e o índice de acidentes causam receio nas viagens terrestres. Foz se tornou um destino acessível por via aérea, e a facilidade de alugar um carro ou usar aplicativos na chegada motiva o visitante a trocar a estrada pelo avião”, analisa.

Sustentabilidade e oportunidades

A turismóloga acredita que os números recordes decorrem ainda de uma demanda reprimida pós-pandemia. Para ela, o trabalho do trade turístico de Foz para atrair visitantes tem sido louvável e o momento é de otimismo, mas o planejamento deve ser contínuo para se tornar sustentável, evitando o chamado “overturismo” — quando o excesso de visitantes prejudica a qualidade de vida dos moradores, como visto em destinos mundiais como Veneza e Barcelona.

Elaine Tenerello, do Visit Iguassu, destaca que a alta ocupação dos voos já ofertados reflete a necessidade de abertura de novas rotas e que o trabalho de captação é constante. “A oferta instalada no destino Foz e a infraestrutura disponível, tanto nas vias públicas, aeroporto, hotelaria, gastronomia, atratividade e transporte receptivo está preparada para receber ainda mais visitantes, para que o movimento seja constante e contínuo, garantindo empregos e oportunizando geração de renda para a região”, finaliza.

Para o gerente do aeroporto, Vinícius Bueno, o ano de 2026 é promissor, considerando o aumento já previsto na oferta de assentos pelas companhias aéreas para os próximos meses. “Acredito na superação dos números de 2025, quando encostamos nos 2,3 milhões de passageiros. Será um ano histórico para o Aeroporto de Foz”, avalia.