Projeto lançará 3 mil exemplares gratuitos de “Antigualhas”, de Antônio Álvares Pereira Coruja, primeiro cronista da cidade e primeiro cliente da CAIXA. O projeto é patrocinado pela CAIXA.

Considerado o primeiro livro de crônicas da Capital gaúcha, “Antigualhas: reminiscências de Porto Alegre”, de Antônio Álvares Pereira Coruja, ganhará uma nova edição durante a 72ª Feira do Livro. Serão publicados 3 mil exemplares, com distribuição gratuita ao público da Feira e por meio do Sistema Estadual de bibliotecas do Estado.
O lançamento acontecerá dia 31 de outubro, às 18h30min, na Galeria Xico Stockinger, na Casa de Cultura Mario Quintana, e integra a programação do CAIXA de Escritores, projeto com patrocínio da CAIXA, criado e concebido pela Buenas Ideias e produzido pela Voz Cultural. A nova edição terá apresentação de Eduardo Bueno, introdução do escritor e professor Luís Augusto Fischer e prefácio e notas do historiador Sérgio da Costa Franco.
Escritas no final do século XIX, as crônicas de Antigualhas recuperam a infância e a juventude do escritor Coruja, tido como o cronista mais antigo da cidade, em uma Porto Alegre que já havia desaparecido quando ele decidiu registrar suas lembranças. As páginas entrecruzam o cotidiano da então capital da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul com recordações da escola, do ensino, das ruas, dos costumes e das figuras da cidade naquela primeira metade dos anos 1800.
Coruja se revela um observador afetuoso, mas também crítico, da vida porto-alegrense. Mais do que reunir textos de lembranças pessoais, sua obra preserva cenas, expressões e modos de viver que ajudam a compreender a formação social e cultural da cidade. Além disso, o cronista voltou o seu olhar para os escravizados, os indígenas e as mulheres – algo raro em quem escreveu em uma sociedade ainda escravista e excludente.
Um encontro entre os 220 anos de Coruja e os 165 anos da CAIXA
A reedição marca duas datas que se encontram em 2026: os 220 anos do nascimento de Coruja, em 31 de agosto de 1806, e os 165 anos da CAIXA.
Criada por decreto em 12 de janeiro de 1861, a instituição abriu efetivamente suas portas ao público em 4 de novembro daquele ano, no Rio de Janeiro. O primeiro cliente atendido foi justamente Antônio Álvares Pereira Coruja. Professor, historiador e escritor brasileiro, ele inaugurou uma relação entre a CAIXA e a literatura brasileira que seria retomada por diferentes autores ao longo das décadas.
Segundo a pesquisa do projeto, seu primeiro depósito foi de dez mil-réis, quantia comparada atualmente ao valor de um par de sapatos. O episódio transformou o cronista de Porto Alegre no primeiro personagem de uma trajetória que, no projeto CAIXA de Escritores, chega a nomes como Machado de Assis, Lima Barreto, Carlos Drummond de Andrade, Nelson Rodrigues e Luis Fernando Verissimo.
Coruja morreu em 4 de agosto de 1889, poucos dias antes de completar 83 anos. Para os padrões do século XIX, teve uma vida longa, marcada por iniciativas pioneiras, mudanças de cidade, períodos de prosperidade e dificuldades financeiras.
Professor, cronista e pesquisador da linguagem gaúcha
Aos 30 anos, Coruja transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde atuou como professor e abriu uma escola. Foi um dos educadores associados à aplicação do método Lancaster, sistema de ensino no qual alunos de diferentes idades e níveis podiam aprender simultaneamente, com o auxílio dos estudantes mais adiantados.
Também se dedicou ao estudo da linguagem e publicou um dos primeiros vocabulários de regionalismos do Rio Grande do Sul, reunindo palavras e expressões próprias do falar local. Sua contribuição atravessa, assim, diferentes campos: educação, imprensa, história, memória e língua.
Depois de viver momentos de prosperidade e sucessivos reveses financeiros, Coruja voltou-se às lembranças de sua cidade natal. Por volta de 1880, já com mais de 70 anos, começou a escrever os textos que formariam Antigualhas. As crônicas circularam inicialmente em jornais da época e foram reunidas em livro em 1883.
A obra registrava a Porto Alegre da infância de Coruja: uma cidade do início do século XIX que, naquele momento, já sobrevivia principalmente na memória. Por essa característica, o livro se tornaria uma referência para pesquisadores, historiadores e leitores interessados na formação da capital gaúcha.
Uma obra recuperada por diferentes gerações
Cem anos depois da edição original, em 1983, Antigualhas voltou a circular por iniciativa de Sérgio da Costa Franco, um dos principais historiadores de Porto Alegre. Além de contribuir para a recuperação da obra, Franco preparou notas destinadas a explicar personagens, lugares, expressões e acontecimentos mencionados por Coruja.
Uma segunda reedição foi realizada na década de 1990, a partir de uma articulação de Sérgio da Costa Franco e Luís Augusto Fischer com a Prefeitura de Porto Alegre.
Agora, em 2026, a terceira reedição recupera novamente o texto para uma nova geração de leitores. A publicação mantém o trabalho de contextualização de Sérgio da Costa Franco, recebe introdução de Luís Augusto Fischer e ganha uma apresentação de Eduardo Bueno, conhecido como Peninha.
“É um livro sobre a memória de Porto Alegre, mas também sobre a maneira como uma cidade continua existindo na lembrança de quem a viveu. Coruja escreveu sobre uma Porto Alegre que já não encontrava diante dos olhos. É justamente isso que torna Antigualhas tão valioso ainda hoje”, destaca Bueno.
Três mil livros distribuídos gratuitamente
Dos 3 mil exemplares produzidos, 300 serão encaminhados a bibliotecas públicas do Rio Grande do Sul, por meio do Sistema Estadual de Bibliotecas. Os demais serão distribuídos gratuitamente durante a Feira do Livro e nas atividades do CAIXA de Escritores.
O público também poderá receber o livro ao participar do Circuito Caixa de Escritores, que terá 64 sessões de visitas mediadas pelo entorno da Praça da Alfândega. As inscrições serão abertas previamente e, ao final do percurso, cada participante ganhará um exemplar da nova edição.
O circuito terá como ponto de partida a galeria CAIXA na Praça, no Edifício Querência (acesso pela Av. Sete de Setembro, 1001)  e passará por diferentes núcleos do projeto: os painéis instalados no tapume  da obra da CAIXA Cultural, no Cine Imperial, a galeria montada no acesso do Edifício Querência da CAIXA, pela Av. Sete de Setembro, e a exposição principal na Galeria Xico Stockinger, da Casa de Cultura Mario Quintana.
A distribuição gratuita amplia o acesso a uma obra fundamental para a memória de Porto Alegre e concretiza um dos propósitos do projeto: fazer com que a história de Coruja volte às mãos dos leitores da cidade que ele ajudou a narrar.
Serviço | Lançamento de “Antigualhas: reminiscências de Porto Alegre”
Quando: 31 de outubro
Onde: Galeria Xico Stockinger, na Casa de Cultura Mario Quintana
Participação: Eduardo Bueno e Luis Augusto Fischer
Distribuição: gratuita
Tiragem: 3 mil exemplares
Destinação: público da Feira do Livro, participantes do Circuito Caixa de Escritores e bibliotecas públicas do Rio Grande do Sul
Inscrições para as visitas guiadas: link na bio das redes sociais do projeto @caixadeescritores
Sobre o projeto CAIXA de Escritores
Com patrocínio da CAIXA, o projeto CAIXA de Escritores reúne 16 autores que ou foram clientes da instituição, escreveram sobre ela ou mantiveram outros vínculos com sua história ao longo de 16 décadas. Realizado durante a 72ª Feira do Livro de Porto Alegre, o projeto terá exposições, intervenções urbanas, mostra de cinema e 64 sessões de visitas mediadas no entorno da Praça da Alfândega.
Ficha técnica | Caixa de Escritores
Patrocínio: CAIXA e Governo do Brasil
Criação e concepção: Eduardo Bueno – Buenas Ideias
Coordenação geral: Fernando Bueno
Produção e gestão cultural: Vitor Ortiz – Voz Cultural
Curadoria: André Severo e Andrea Pires
Textos: Eduardo Bueno e Lúcia Brito
Projeto expositivo: Edu Saorim
Design gráfico: Sandro Fetter
Fotografia: Fernando Bueno e Luiz Paulo de Araújo
Circuito de visitação: M.A. Eventos
Comunicação: Kreativ