
Condição crônica e multifatorial afeta principalmente mulheres e pode impactar o bem-estar emocional; dermatologista destaca avanços nos cuidados e opções terapêuticas
A chegada do inverno inaugura o período ideal para a realização de diversos procedimentos dermatológicos, impulsionados pelo clima mais ameno e pela menor exposição solar. Um dos principais destaques desta estação é o tratamento do melasma, condição caracterizada pelo surgimento de manchas escuras na pele.
“O melasma é uma doença crônica da pigmentação da pele, caracterizada pelo aparecimento de manchas acastanhadas, principalmente no rosto. Hoje sabemos que ele vai muito além de um simples excesso de melanina. Trata-se de uma condição complexa, que envolve hiperatividade dos melanócitos, aumento da produção e do depósito de melanina, além de alterações vasculares, com maior formação de pequenos vasos sanguíneos na pele, e um processo inflamatório persistente, que contribui para a manutenção das manchas”, explica a dermatologista Gabrielle Adames.
Embora não seja um quadro prejudicial à saúde física nem contagioso, sua visibilidade costuma provocar um impacto significativo na autoestima dos pacientes, afetando majoritariamente o público feminino. As marcas da condição se manifestam com maior frequência na região facial, concentrando-se em áreas de grande destaque, como as bochechas, a testa e a ponte do nariz, o que torna o distúrbio um dos maiores desafios da dermatologia estética.
“O inverno é o período ideal para intensificar o tratamento do melasma, já que a menor incidência de radiação solar proporciona mais segurança e favorece melhores resultados. Na clínica, desenvolvemos protocolos personalizados que combinam peelings químicos e lasers de alta tecnologia, selecionados de acordo com o tipo de pele, a profundidade das manchas e as características de cada paciente. Essas tecnologias atuam tanto na redução da pigmentação quanto no componente vascular do melasma, promovendo uma pele mais uniforme e luminosa, com resultados naturais e duradouros”, completa a Dra. Gabrielle Adames.
A medicina atual desmistifica a antiga crença de que o quadro seria decorrente apenas da exposição solar. Hoje, sabe-se que o melasma é uma condição crônica, complexa e multifatorial. Na prática, a hiperpigmentação ocorre devido à hiperatividade dos melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina, que passam a fabricar pigmento em excesso, depositando-o nos queratinócitos, na camada mais superficial da pele. Essa superprodução é desencadeada por uma combinação de fatores genéticos, radiação ultravioleta (UV) e, de forma bastante expressiva, pelas oscilações hormonais.
“O melasma acomete principalmente mulheres, especialmente entre os 20 e os 50 anos, período de maior influência hormonal. A predisposição genética, a gravidez, o uso de anticoncepcionais e as terapias hormonais estão entre os principais fatores envolvidos. Entretanto, a condição também pode ocorrer em homens, que representam cerca de 10% dos casos. Além da radiação solar, sabemos hoje que a luz visível, o calor, a poluição e até processos inflamatórios podem estimular a produção excessiva de melanina, tornando o controle da doença mais desafiador”, ressalta a médica Gabrielle Adames.
Para além das alterações estéticas visíveis na pele, o impacto do melasma na saúde emocional é profundo. Por afetar áreas centrais da região facial e apresentar um caráter crônico de difícil controle, a condição frequentemente compromete a confiança, gerando inseguranças nas interações sociais. Diante disso, a busca por tratamentos no inverno ultrapassa a simples uniformização do tom do rosto: trata-se de um processo de resgate da autoconfiança, do bem-estar e da qualidade de vida do paciente.
“O objetivo é devolver qualidade de vida ao paciente. Quando conseguimos controlar o melasma, vemos uma melhora significativa na autoestima, na confiança e na forma como a pessoa se relaciona consigo mesma. O mais importante é entender que não existe uma solução única ou milagrosa. O sucesso do tratamento depende da combinação entre acompanhamento dermatológico, tecnologias adequadas, rotina de cuidados em casa e proteção solar rigorosa todos os dias do ano. Com um plano individualizado e constância, é possível alcançar resultados muito satisfatórios e manter a pele saudável, bonita e equilibrada”, destaca a dermatologista Gabrielle Adames.