
Valorização do real amplia poder de compra dos viajantes no Japão, Reino Unido, Europa e Estados Unidos; América do Sul perde atratividade em alguns mercados.
Os brasileiros que planejam viajar ao exterior nas férias de julho encontram um cenário mais favorável em diversos destinos internacionais. Levantamento realizado pelo Ebury Bank, instituição especializada em câmbio e pagamentos internacionais, mostra que a valorização do real frente a importantes moedas globais, combinada ao comportamento da inflação em cada país, ampliou o poder de compra dos turistas brasileiros em alguns dos destinos mais procurados do mundo.
O grande destaque é o Japão. Nos últimos 12 meses, o iene acumulou desvalorização de 18,2% frente ao real, enquanto a inflação local permaneceu em patamares baixos, de 1,4%. Na prática, isso significa que o viajante brasileiro consegue comprar hoje cerca de 20,5% mais produtos e serviços com a mesma quantidade de reais do que conseguia há um ano. O resultado coloca o país asiático na liderança entre os destinos analisados pelo estudo.
O Reino Unido aparece na segunda posição do ranking. A combinação entre a valorização do real frente à libra esterlina e uma inflação doméstica de 2,8% fez com que o poder de compra dos brasileiros aumentasse 6,8% no período. Em seguida vêm os países da Zona do Euro, onde o ganho chega a 4,8%, e os Estados Unidos, com avanço de 4,4%.
Segundo Diego Barnuevo, Analista de Mercado do Ebury Bank, o cenário atual cria oportunidades para quem deseja viajar para mercados tradicionalmente considerados mais caros. “A valorização do real frente a moedas relevantes têm contribuído para aumentar o orçamento dos viajantes brasileiros. Em alguns destinos, o efeito cambial foi suficiente para superar a inflação local, tornando gastos com hospedagem, alimentação, transporte e lazer relativamente mais acessíveis do que há um ano.”
A China também apresenta um cenário positivo para os turistas brasileiros. Beneficiada por uma inflação de apenas 1,2%, a segunda maior economia do mundo registrou ganho de 1,0% no poder de compra dos visitantes vindos do Brasil.
Por outro lado, os países da América do Sul, que nos últimos anos figuram entre os destinos mais vantajosos para os brasileiros, perderam parte dessa atratividade quando analisado o impacto combinado entre câmbio e inflação. No Chile e no Peru, embora o real tenha se fortalecido frente às moedas locais ao longo do último ano, a inflação registrada nos dois países praticamente anula esse benefício, resultando em perdas de poder de compra de 0,6% e 0,8%, respectivamente.
A Argentina segue sendo um caso particular. Apesar da forte valorização do real frente ao peso argentino, a inflação local, ainda em níveis elevados, de 33,6%, reduziu a vantagem cambial para os turistas brasileiros. Como resultado, o poder de compra ficou 1,7% menor em comparação ao mesmo período do ano passado.
“O câmbio é um fator importante no planejamento financeiro de uma viagem internacional, mas não deve ser analisado isoladamente. A inflação local influencia diretamente os preços de hotéis, restaurantes, transporte e atrações turísticas. Por isso, avaliar o ganho real de poder de compra oferece uma visão mais completa sobre quais destinos estão realmente mais acessíveis”, acrescenta Barnuevo.
Entre os países analisados, o México apresentou o desempenho menos favorável para os brasileiros. A valorização do peso mexicano frente ao real, somada à inflação local de 3,9%, provocou uma redução de 5,0% no poder de compra dos turistas.
O levantamento do Ebury Bank indica que, para as férias de julho deste ano, destinos como Japão, Reino Unido, Europa e Estados Unidos oferecem as condições mais favoráveis para os brasileiros que desejam aproveitar melhor seu orçamento de viagem. Enquanto isso, mercados que tradicionalmente atraem turistas em busca de economia, especialmente na América do Sul, já não apresentam a mesma vantagem observada em anos anteriores.