Projeto autoral entre vinho gaúcho e café mineiro cria um território sensorial inédito que traduz tempo, memória e brasilidade

 

Tainá Zaneti, a primeira doutora gastrônoma do Brasil também enóloga, viaja o Brasil e o mundo não por acaso. Cada destino, cada encontro e cada experiência sensorial alimentam uma pesquisa permanente sobre aromas, sabores e processos de transformação. Agora, essa trajetória ganha forma em um lançamento pioneiro no país: a Vinícola Madre Terra apresenta o primeiro café do Brasil maturado em barrica de carvalho onde estagiou o seu Merlot — um projeto que reafirma que não há limites para a criatividade quando o assunto são sabores brasileiros.

 

A Vinícola Madre Terra apresenta um lançamento pioneiro no Brasil: um café especial maturado em barrica de carvalho americano onde estagiou o Merlot da vinícola. Desenvolvido em parceria com a Dude Coffee, de Caxias do Sul, o projeto une o know-how da enologia ao universo dos cafés especiais e inaugura uma nova linguagem sensorial no diálogo entre vinho e café.

 

A inspiração para o projeto remonta a 2014, durante a primeira viagem internacional da pesquisadora e diretora criativa da Madre Terra, Tainá Zaneti, à Tailândia. “Lá tive contato com cafés maturados em barricas. Cafés com tempo, profundidade e silêncio. Aquela experiência mudou para sempre a forma como eu via e sentia o café”, relembra. Anos depois, com a vinícola estruturada, a memória se transformou em pesquisa e, agora, em produto.

 

O café foi maturado por 50 dias em uma barrica de carvalho americano de primeiro uso no vinho, imediatamente após a retirada do Merlot para engarrafamento. No mesmo dia, a barrica foi levada para a torrefação parceira, onde recebeu os grãos de café arábica de origem mineira, de tosta média. O processo respeita o tempo, a integridade do grão e a barrica como um organismo vivo, carregado de memória, micro-organismos e história.

 

“O café não entra na barrica para ‘pegar gosto’ de vinho. Ele entra para conversar com o vinho. É uma troca lenta, sensorial, profunda”, explica Tainá. O resultado não é um café que lembra vinho — nem o contrário. É um território sensorial novo, com camadas que revelam frutas maduras, acidez vínica delicada, notas licorosas, madeira sutil, doçura profunda e textura macia.

 

A inovação se estende também à apresentação: os grãos são envasados na mesma garrafa utilizada para o Merlot, reforçando o conceito de encontro entre os dois mundos, transformando o café em um verdadeiro ritual engarrafado em grãos. O primeiro lote é extremamente limitado, com apenas 100 garrafas, comercializadas a R$ 179 cada. Um segundo lote já está previsto para daqui a três meses, utilizando a barrica que estagiou o Marselan da vinícola.

 

O projeto dialoga diretamente com a filosofia de trabalho de Tainá Zaneti, que valoriza ingredientes brasileiros, origem e pesquisa sensorial — princípios aplicados também no Cozinha Aymá, restaurante da vinícola dedicado à enogastronomia brasileira e intuitiva. “Assim como na cozinha, a ideia é trabalhar os cafés do Brasil, respeitando origem, identidade e potencial sensorial”, destaca.

 

Além do caráter inovador, o lançamento também acompanha, de forma autoral, a tendência global de bebidas com menor teor alcoólico e redução de consumo de álcool, propondo uma experiência complexa, profunda e ritualística por outro caminho. “Café e vinho sempre habitaram meus dias. Um desperta o corpo, o outro a alma. Ambos criam pausa e presença. Unir esses dois universos é materializar um sonho antigo e transformar pesquisa em produto”, resume Tainá.

 

Com este lançamento, a Vinícola Madre Terra reafirma seu posicionamento como espaço de experimentação consciente, onde natureza, tempo e sensorialidade se encontram para criar experiências inéditas no cenário brasileiro. O café pode ser adquirido através do instagram @vinicolamadreterra, na própria vinícola, em Flores da Cunha (RS) ou pelo Café Barrel Aged Coffee Merlot 250g – Dude Company.