
Ideal é higienizar as peças de forma profissional cerca de 15 dias antes do início efetivo do inverno, permitindo tempo suficiente para uma limpeza profunda
Com a chegada das temperaturas mais baixas, cresce a procura pela higienização de casacos, edredons, cobertores e peças mais pesadas do guarda-roupa. Além do conforto térmico, os cuidados com armazenamento e lavagem dessas peças são fundamentais para evitar mofo, proliferação de fungos, ácaros e até crises alérgicas, especialmente em crianças, idosos e pessoas com rinite.
Segundo Nerivãnia Alves, treinadora de OMO Lavanderia, o movimento nas lavanderias aumenta entre 20% e 30% durante o período mais frio do ano, impulsionado principalmente pela lavagem de roupas de inverno e itens de cama. “Nessa época recebemos muitos casacos pesados, blusas de lã, tricô, crochê, pulôveres, além de edredons, mantas e cobertores. O inverno aumenta bastante o fluxo porque são peças maiores, mais delicadas e que exigem cuidados específicos”, afirma.
De acordo com a especialista, o ideal é que a higienização das peças seja realizada cerca de 15 dias antes do início efetivo do inverno, permitindo tempo suficiente para uma limpeza profunda e adequada. “Muitas pessoas guardam essas peças durante meses e acabam esquecendo que, mesmo aparentemente limpas, elas acumulam poeira, fungos e bactérias. Quando ficam muito tempo armazenadas, podem criar bolor e manchas difíceis de remover”, explica Neri.
Um dos principais erros, segundo ela, está justamente na forma de armazenamento. Embora muita gente utilize sacos plásticos acreditando proteger as roupas, o hábito pode favorecer o surgimento de mofo. “O plástico não é o ideal porque a peça precisa respirar. Quando ela fica fechada, ocorre transpiração e umidade ali dentro. Isso pode causar aquelas manchas amareladas e até bolinhas de mofo na roupa”, alerta.
Para evitar esse problema, a recomendação é optar por sacos de TNT, que permitem ventilação e ajudam na conservação das fibras. “O TNT é respirável e protege melhor as peças. Além disso, ajuda a evitar atrito com outras roupas, reduzindo a formação de bolinhas e desgaste dos tecidos”, orienta.
Outro ponto destacado pela especialista é a diferença entre a lavagem doméstica e a higienização profissional. Segundo ela, cada peça exige um tipo específico de produto, temperatura e processo de lavagem. Em casa, normalmente usa-se o mesmo sabão para tudo, mas isso pode comprometer a durabilidade da roupa. Na lavanderia, tecido, fibra, cor, tipo de lavagem e até o nível de atrito que a peça pode receber são avaliados. O cuidado começa antes mesmo da lavagem.
Peças de lã, cashmere e tricô, por exemplo, estão entre as mais sensíveis e podem sofrer danos até mesmo no uso diário. “O atrito da bolsa, do cinto de segurança ou de outras peças já cria bolinhas naturalmente. Por isso, essas roupas exigem um cuidado muito maior, tanto no uso quanto na higienização”, afirma.
Além da conservação, Neri destaca que a limpeza profissional contribui diretamente para a saúde e o bem-estar, principalmente durante o inverno. Os ácaros e a poeira ficam escondidos nas fibras. Muitas vezes, a pessoa pega uma coberta guardada e começa a espirrar imediatamente. Isso acontece porque a peça ficou acumulando poeira e fungos por muito tempo.
A especialista também compartilha uma dica simples para reduzir a umidade e evitar o mofo dentro dos armários: manter portas e closets abertos sempre que possível. “Mesmo que o quarto seja mais fechado, deixar o guarda-roupa aberto ajuda na ventilação e evita a proliferação de fungos. Isso faz muita diferença na conservação das roupas”, recomenda.
Outro item que merece atenção especial no inverno são as toalhas de banho. Segundo Neri, o clima frio e úmido dificulta a secagem completa do tecido, favorecendo o acúmulo de microrganismos. “No inverno, o ideal é trocar a toalha a cada três banhos. Mesmo colocando para secar ou perto do aquecedor, ela não seca completamente como no verão”, alerta.
Para a especialista, o principal ponto é compreender que a lavagem profissional vai muito além da limpeza estética. “A gente não cuida apenas da lavagem. Cuidamos da durabilidade, da estrutura, da cor e da qualidade daquela peça que muitas vezes acompanha a pessoa por anos. O objetivo é preservar a roupa para que ela volte ao cliente da melhor forma possível”, finaliza.