
Ponto mais alto do Brasil exige preparo e atenção, desde o planejamento até a execução da aventura
O ponto mais alto do Brasil revela incríveis paisagens, mas apenas para quem enfrenta o desafio de chegar ao cume. Com 2.995,30 metros de altitude, o Yaripo, conhecido como Pico da Neblina, fica localizado dentro da Terra Indígena Yanomami, no Amazonas, e é uma verdadeira imersão cultural e espiritual na floresta. Cercado de lendas e histórias, chegar até a área exige deslocamentos terrestres e fluviais, além de vários dias de trekking em uma região montanhosa, com mudanças abruptas de temperatura e diferentes relevos e vegetação.
A experiência também está longe de ser uma trilha convencional de montanhismo. Ao longo do caminho, o viajante encontra calor, umidade, lama, travessias de rios e, conforme se aproxima das áreas mais altas, as temperaturas diminuem. A combinação entre terreno, clima, distância e duração torna necessário chegar preparado não apenas fisicamente, mas também mentalmente e com os equipamentos e profissionais adequados.
Para quem pretende encarar a expedição pela primeira vez, uma das principais etapas é entender que não existe uma preparação capaz de antecipar completamente o que será encontrado. Mas condicionamento físico, experiência prévia em ambiente montanhoso ou remoto e disposição para se adaptar ao ritmo e as condições do percurso são necessários, além de estar acompanhado por uma equipe profissional e que conte com a presença do povo yanomami, habitante originário e profundo conhecedor do território.
Preparação física e mental
A preparação física é uma das etapas que antecedem a expedição, especialmente diante dos mais de 70 km de caminhada em um terreno acidentado. Para quem já tem experiência com montanhismo, o treinamento pode ser direcionado para demandas específicas, como grampos e cordas. Travessias anteriores também ajudam a entender como o corpo reage a longos períodos de esforço e ao peso carregado durante a caminhada.
Para Carol Brinholi, estrategista de publicidade, que realizou a expedição Yaripo – Pico da Neblina com a Vivalá, atividades de força e horas de escada a auxiliaram na subida, mas ao chegar no cume, descobriu que a descida também exigia planejamento. “Eu treinei muita subida, e me preparei muito mentalmente. Mas na hora de descer eu vi que esqueci de me preparar para a descida. Ela foi mais surpreendente, pois também é um super esforço físico. Então foi curioso que eu esqueci de pensar na volta. Até tinha umas preocupações bestas, como conforto, mas também me surpreendeu muito positivamente e, de alguma forma, me senti em casa”, conta.
Já Augusto Ishikawa, praticava atividades de montanha antes da viagem, mas também considera o preparo importante durante a expedição, principalmente levando em consideração o ambiente remoto. O viajante conta que sua preparação envolveu pensar previamente sobre as condições que poderia encontrar durante os dias na floresta.
“O preparo físico sem sombra de dúvidas será um excelente aliado no meio da floresta úmida e quente da Amazônia, porém o fator que considero mais importante é ter a disposição e mente aberta para explorar um ambiente desconhecido, se permitir conectar com a população local e o ambiente como um todo. O que posso dizer é que a expedição não foi pensada para quem tem pressa, mas sim para quem tem boa energia e pensamento positivo”, afirma Augusto.
A experiência prévia em atividades de montanha é um dos pontos considerados para quem pretende realizar a expedição. Segundo Taynara Campelo, da equipe de Operações da Vivalá, o percurso exige preparo físico e disposição para lidar com condições diferentes das encontradas em trilhas convencionais, incluindo os desafios da caminhada, da hospedagem e da alimentação. “Quem está começando agora não é um perfil que pode fazer essa expedição. Precisa ter no mínimo feito uma subida mais remota”, aconselha. A Vivalá inclusive sugere as experiências gradativas para se preparar para o Pico da Neblina, iniciando com uma trilha de 10 km na terra indígena Tenondé Porã, no extremo sul de São Paulo; e passando pelos trekkings dos Lençóis Maranhenses e do Vale do Pati, até encarar a subida até o ponto mais alto do Brasil.
A preparação também envolve entender que não existe um longo período de adaptação antes do início da trilha. Dentro do roteiro da Vivalá, os dias livres previstos em São Gabriel da Cachoeira acontecem antes do deslocamento até a comunidade onde começa a caminhada. A partir da saída da cidade, a expedição já entra efetivamente na etapa de deslocamento até a região da trilha.
Expedição exige equipamentos
Mais do que escolher quais roupas e itens pessoais levar, é importante pensar nos equipamentos e testá-los antes da viagem. Mochila, calçados, meias, roupas e itens para dormir serão utilizados durante vários dias e precisam estar adaptados ao viajante e serem confortáveis. “A minha principal preocupação foi ter todos os equipamentos. Apesar da Vivalá ter fornecido um guia super completo, sempre fica aquela dúvida: será que estou esquecendo algo importante? Posso afirmar que, seguindo o guia passo a passo do que levar, a viagem será super tranquila”, destaca Augusto, que conheceu o Pico da Neblina em 2024.
A Vivalá – Turismo Sustentável no Brasil é uma das três empresas credenciadas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para realizar expedições no Pico da Neblina, que retornou com a visitação em 2024, após mais de 20 anos fechado. Antes da expedição, o negócio social envia orientações aos viajantes, mas também realiza uma reunião de alinhamento, visando auxiliar em dúvidas sobre equipamentos e preparação física. Durante o encontro, é possível tirar dúvidas e entender um pouco mais sobre a experiência que os esperam.
Entre os itens indicados para se levar na bagagem, estão saco de dormir que aguente temperatura de 0 graus, bastão de trilha, duas mochilas, sendo uma cargueira e uma de ataque (para a parte mais difícil e inclinada da trilha) e um calçado confortável e resistente. Casacos e roupas quentes, meias, roupa para dormir, gorros, luvas, cachecol, capa de chuva e roupas impermeáveis também são indicadas.
O viajante Augusto relata que um dos pontos que acredita ter subestimado, foi o frio nas áreas mais altas e aconselha um item. “Algo que eu deveria ter prestado mais atenção é na temperatura durante a noite na parte alta da expedição. Apesar de ter levado todos os equipamentos, eu menosprezei o frio que fazia na parte inferior da rede de dormir. Uma sugestão é pensar num isolante térmico fácil e leve para essa parte da viagem”.
Mudanças rápidas de condições
A alteração do clima é um dos relatos mais comuns de quem subiu o Pico da Neblina. Segundo Taynara, o percurso tende a começar com clima quente e úmido, mas avança para temperaturas próximas a zero e com áreas de lama na canela. “A mudança do tempo influencia bastante, mas outro fator é o psicológico. Nosso time de campo é preparado para entender e observar o viajante durante todo o trajeto para que caso precise, intervenha e auxilie na chegada até o cume”.
Entre os itens que estão na lista, há protetor solar, óculos de sol e repelente, pensados justamente para a mudança que acontece durante o percurso. “O que eu acho que é muito louco é que vai mudando o clima, o terreno e o microclima. Então, no primeiro dia, a floresta tropical, faz muito calor e tem bastante pernilongo, mas depois vai mudando e chega a ficar frio no dia da ascensão ao pico. Então acho que isso é muito legal”, afirma Carol.
Além das temperaturas, o terreno também passa por transformações ao longo dos dias. Segundo Augusto, alguns dos trechos mais altos exigem atenção redobrada, principalmente porque o viajante já acumula quilômetros de caminhada, cansaço e noites em redes. “O tempo de deslocamento e a velocidade de cada trecho são bem planejados por toda a equipe de guias, então, com paciência e atitude positiva, a gente chega lá. Eu acredito que o terreno na parte mais alta da expedição pode ser desafiador em alguns momentos, pois determinados trechos exigem mais do que esforço físico, eles exigem atenção por onde se anda e pisa, como no campo alagado das bromélias”.
Os 15 dias de roteiro
A chegada ao Pico da Neblina começa muito antes dos primeiros quilômetros de caminhada. O roteiro disponível pela Vivalá de 15 dias combina deslocamentos terrestres, fluviais e a permanência em diferentes estruturas de hospedagem até chegar à região do Yaripo. A viagem parte de São Gabriel da Cachoeira (AM), onde os viajantes passam a primeira noite, e segue por cerca de 80 quilômetros em veículos 4×4 até o Porto Frente Sul (AM).
De lá, o deslocamento continua pelos rios, em um percurso de aproximadamente 150 quilômetros em barcos voadeiras, até a comunidade Yanomami de Maracutá (AM) para pernoitar antes de seguir novamente pelo rio, por cerca de duas horas, até o primeiro acampamento. A partir desse ponto, começa a etapa do trekking, com oito noites de acampamento durante o percurso. A estrutura acompanha as características do território e vai se tornando mais simples conforme o grupo avança. Os locais de pernoite contam com proteção feita com lonas e folhas, enquanto os banhos são realizados em cursos de água.
Após a conquista do pico mais alto do Brasil, os viajantes desfrutam de momentos de despedida com os Yanomami, compras de artesanato local e celebrações em São Gabriel da Cachoeira. As saídas em 2027 estão programadas para janeiro, abril, julho e novembro, mas também é possível organizar saídas privativas em outras datas.
“Desde o início, tudo foi feito com muito cuidado e respeito tanto à floresta quanto ao povo yanomami, para o qual o Yaripo é território sagrado. Participamos de um edital feito pelo ICMBio, Funai e ISA e fomos escolhidos tanto por esses órgãos quanto pelos próprios yanomami para desenvolver esse projeto em conjunto. A Expedição Pico da Neblina vai muito além de um roteiro turístico; diz respeito à preservação da Amazônia e enaltecimento da cultura e dos saberes ancestrais de um dos nossos povos ancestrais”, declara Daniel Cabrera, cofundador e diretor executivo da Vivalá.
O investimento é a partir de R$ 24.150,00 que pode ser pago à vista por boleto ou PIX, ou parcelado em até 12x com juros no cartão de crédito. A expedição inclui também treinamentos antes da viagem, hospedagem em pousada em São Gabriel da Cachoeira por quatro noites, duas noites na sede do projeto Yaripo em Maturacá e oito noites em acampamentos na floresta, transporte terrestre e aquático, equipamentos coletivos de acampamento, alimentação, taxa de entrada nas comunidades e uma equipe capacitada para guiar a expedição com grande atenção a segurança.
Para mais detalhes sobre o roteiro e reservas para 2026 e 2027, acesse https://www.vivala.com.br/expedicoes/yaripo-pico-da-neblina.
Sobre a Vivalá
A Vivalá é referência em turismo sustentável e programas de impacto socioambiental positivo, atendendo pessoas físicas e algumas das maiores organizações do país, com agendas de inovação, bioeconomia, tecnologia, cultura tradicional e responsabilidade social, promovendo experiências que buscam ressignificar a relação que as pessoas têm com o Brasil. Atualmente, a Vivalá atua em 30 operações nos biomas da Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal, em conjunto com mais de 1.600 famílias envolvidas na operação.
Com 17 prêmios e reconhecimentos nacionais e internacionais da Organização Mundial do Turismo, ONU Meio Ambiente, Braztoa, Embratur, Abeta, Fundação do Grupo Boticário, Yunus & Youth, entre tantos outros. A Vivalá tem uma operação 100% carbono neutro e é uma empresa B certificada, tendo a maior nota do setor no Brasil e a 7ª maior no mundo. Até junho de 2026, a Vivalá já contava com mais de 6 mil clientes, além de ter injetado mais de R$ 9 milhões em economias locais por meio da compra de serviços de base comunitária. Para mais informações, acesse: https://www.vivala.com.br/