Apresentação faz parte do projeto de resgate da memória da cantora gaúcha Horacina Corrêa e será realizada na sexta-feira, dia 30 de outubro, às 19h, no Teatro Oficina Olga Reverbel, com ingressos a preços populares

As cantoras Loma Solaris e Stephanie Soeiro fazem show inédito na sexta-feira, 30 de outubro, às 19h, no Teatro Oficina Olga Reverbel, apresentando um repertório marcante que resgata grandes momentos da história da música popular brasileira. O encontro faz parte do projeto Horacina Corrêa convida – Uma voz abre caminho para outras vozes, que reúne diferentes gerações de artistas negras do Rio Grande do Sul. Os ingressos custam entre R$ 20 e R$ 40 e estão à venda no site www.theatrosaopedro.rs.gov.br e na bilheteria do Multipalco Eva Sopher.

A apresentação é uma homenagem à Horacina Corrêa, pioneira da Era de Ouro do Rádio de Porto Alegre e uma das primeiras cantoras negras do Rio Grande do Sul a fazer sucesso mundial. Loma e Stephanie também vão interpretar canções de compositores que marcaram os rumos da MPB desde os anos 1920, como Noel Rosa, Braguinha e Ary Barroso, acompanhadas pelas musicistas Mel Souza ao piano e Naná Senna na percussão.

Loma Solaris recorda que há muito tempo procura encorajar meninas de todas as cores a seguirem seus sonhos com seu próprio comportamento. “Na década de 1970, como muito bem coloca a cantora Marietti Fialho, fui a primeira mulher negra a aparecer com frequência na televisão e a trançar o cabelo no Rio Grande do Sul”, exemplifica. Loma, que completou 50 anos de carreira em 2026, afirma estar muito satisfeita “de dividir a cena com uma jovem cantora tão talentosa e carismática”.

Stephanie Soeiro, que tem um trabalho musical que abrange gêneros como indie, folk, música celta e MPB, começou sua trajetória artística no projeto social Orquestra Villa-Lobos, atuando em apresentações de canto e música instrumental. Da mesma forma, Loma começou cantando ainda na infância. “O coral da escola foi o local de início da minha paixão pela música e por atuar em coletivos. Eu não ando só”, finaliza Loma.

O projeto

Idealizado pelo diretor de Cultura Afro-Brasileira, Inclusão e Territorialidades da Fundação Theatro São Pedro, Álvaro RosaCosta, a iniciativa deu destaque à trajetória pioneira da artista porto-alegrense Horacina Corrêa. O projeto, iniciado em julho, teve outras quatro edições, com Andréa Cavalheiro dividindo a cena com Dani Xavier; Mel Souza convidando Marietti Fialho; Luciara Batista recebendo Guaíra Soares; e Cristal se apresentando com Pâmela Amaro.

A iniciativa também será a atração da reabertura do Theatro São Pedro, em evento fechado para convidados na noite de 26 de novembro. Na data, será apresentado um concerto inédito, criado especialmente para a ocasião, com as cantoras Anaadi e Isa de Souza e participação especial da Orquestra Jovem Theatro São Pedro, sob regência da maestrina Keliezy Severo.

Quem foi Horacina

Horacina Corrêa ocupa um lugar importante na história da música popular brasileira e da cultura gaúcha. Nascida em Porto Alegre, em 11 de outubro de 1913, na então Colônia Africana (atual região do bairro Bom Fim), iniciou sua trajetória artística muito jovem e tornou-se uma das primeiras grandes estrelas da música popular do Rio Grande do Sul. Em um período em que os elencos artísticos eram predominantemente masculinos e brancos, destacou-se como uma das poucas artistas negras a conquistar espaço nas rádios Difusora, Gaúcha e Farroupilha.

Em 1938, protagonizou um marco histórico ao gravar, em Buenos Aires, o samba gaúcho Alto da Bronze, de Paulo Coelho e Plauto de Azambuja Soares (Foquinha), tornando-se a primeira cantora gaúcha a realizar uma gravação fonográfica nos padrões industriais da época. Ao longo das décadas de 1940 e 1950, realizou excursões pela Argentina e outros países, gravando discos no Brasil, Argentina, Itália e Suécia. Sua discografia reúne sambas, marchinhas, valsas, tangos e canções populares brasileiras, registradas por diversas gravadoras.

Enfrentou perdas, recomeços e desafios que poderiam ter encerrado qualquer carreira, mas Horacina seguiu cantando. Depois de uma gravação realizada na Escandinávia, em 1962, os registros sobre sua vida praticamente desapareceram. Seu paradeiro e a data de sua morte permanecem desconhecidos, transformando uma das artistas mais importantes de sua geração em um dos grandes mistérios da música brasileira.

Atualmente, pesquisadores como Marcello Campos e Irene Santos vêm resgatando sua memória, reafirmando seu papel fundamental na consolidação da música gaúcha e na projeção da cultura brasileira no exterior.

Serviço

Horacina Corrêa convida – Uma voz abre caminho para outras vozes

Loma Solaris convida Stephanie Soeiro

Dia 30 de outubro, sexta-feira, às 19h

Teatro Oficina Olga Reverbel, no Multipalco Eva Sopher (Rua Riachuelo, 1089 – Centro Histórico – Porto Alegre/RS)

Ingressos

R$ 20,00 (meia-entrada) e R$ 40,00 (inteira)

Pontos de venda

Online: https://www.theatrosaopedro.rs.gov.br/horacina-correa-convida-loma-solaris-convida-stephanie-soeiro

Bilheteria do Multipalco Eva Sopher: de terça a domingo, das 16h às 18h (nos dias de espetáculo, o funcionamento é estendido até às 20h)

Acessibilidade: Para pessoas neurodivergentes, a Fundação Theatro São Pedro disponibiliza kits de acolhimento sensorial, que podem ser solicitados na bilheteria do Multipalco Eva Sopher.