A Gelateria São Paulo, com duas unidades em Ubatuba — nos bairros Itaguá e Praia Grande — vem implementando, há doze anos, adaptações voltadas ao atendimento de pessoas neurodivergentes, com foco no Transtorno do Espectro Autista (TEA). A iniciativa surgiu a partir de uma vivência pessoal da fundadora Marjory: sua filha, Nina, recebeu diagnóstico precoce de TEA com um ano de idade e, posteriormente, a própria Marjory recebeu diagnóstico tardio, após o nascimento da filha.

A gelateria criou o sabor Abril Azul, que passa a integrar o cardápio de forma permanente como ação de conscientização sobre o autismo. A receita leva baunilha bourbon, creme de leite fresco, leite e spirulina azul, — uma microalga —, ingrediente natural responsável pela coloração associada à campanha.

As adaptações nas unidades consideram coisas que podem impactar aspectos sensoriais. Entre as medidas adotadas estão ajustes na iluminação, atenção aos níveis sonoros e identificação clara dos sabores, com o objetivo de facilitar a escolha e reduzir estímulos. As unidades também contam com equipe orientada para o atendimento ao público neurodivergente, com uma comunicação direta para maior previsibilidade da experiência.

“Receber o diagnóstico não foi e não é fácil, não existe romantização nesse processo. Foi difícil, trouxe muitas dúvidas e medos, mas também representou, de certa forma, um alívio por entender o que sempre vivi. A partir daí, meu foco passou a ser o de tornar a vida de pessoas com TEA mais leve, com mais acolhimento e empatia”, afirma Marjory.

O tema tem ganhado relevância no Brasil diante do aumento dos diagnósticos e da ampliação do debate sobre inclusão. O Ministério da Saúde também destaca a importância da identificação precoce e de ambientes com menor sobrecarga sensorial para favorecer a participação social.

Nesse contexto, iniciativas voltadas à adaptação de ambientes de convivência e consumo têm sido adotadas por diferentes setores, com foco na redução de estímulos e na melhoria da experiência de pessoas no espectro autista e suas famílias.

“Acredito que quanto mais informações sobre o assunto, mais fácil se torna a convivência entre pessoas com e sem o diagnóstico do espectro autista. Minhas ações tem sido nesse sentido”, finaliza Marjory.