Em livro autobiográfico, Gisele Machado revela os bastidores de cinco anos de tratamento e transforma a própria história em um projeto de acolhimento psicológico para mulheres com câncer de mama

Em 2019, Gisele Cândido Machado recebeu o diagnóstico de câncer de mama triplo-negativo. Jornalista, empresária e acostumada a uma rotina de trabalho intensa, ela precisou interromper a vida que conhecia para enfrentar quimioterapia, cirurgia, radioterapia e uma série de mudanças que não terminariam com o fim do tratamento.

A experiência deu origem ao livro Tudo Fez Sentido: Do diagnóstico ao amor-próprio, que foi lançado no dia 11 de outubro, em Florianópolis, durante o Outubro Rosa. O evento foi realizado das 15h às 19h, na Casa do Jornalista, localizada na Rua Rui Barbosa, 621. A entrada é gratuita, mas é necessário fazer inscrição prévia para participar. A publicação conta, sem esconder as dificuldades, o que aconteceu antes, durante e depois da doença. E marca também o início de um projeto criado pela autora para oferecer acolhimento psicológico gratuito a mulheres que enfrentam o câncer de mama.

A ideia de escrever surgiu ainda durante as quimioterapias. Em uma das noites mais difíceis daquele período, Gisele conta que conversava com Deus quando teve a inspiração para transformar o que estava vivendo em uma história que pudesse ajudar outras mulheres. A promessa, entretanto, demorou alguns anos para ser cumprida. Gisele queria atravessar todas as etapas antes de escrever. O tratamento terminou oficialmente em dezembro de 2024 e, em 2026, depois de lidar também com os efeitos da menopausa precoce, ela entendeu que tinha chegado o momento de contar a história.

Aos 44 anos, Gisele é jornalista e pós-graduada em Marketing Digital. Começou a empreender aos 21 anos e construiu uma carreira de mais de duas décadas em Comunicação e Marketing. É especialista em notoriedade, atua como consultora, palestrante e colunista e possui mais de 18 anos de participação no associativismo. Atualmente, é conselheira da diretoria da Associação Catarinense de Imprensa. No livro, porém, ela aparece em uma perspectiva diferente da profissional que o mercado conhece. Gisele revisita a mulher que vivia no piloto automático, trabalhando até 15 horas por dia, dormindo pouco e tentando resolver tudo sozinha. Fala sobre a infância, as relações pessoais, a dificuldade de estabelecer limites e o processo terapêutico que começou antes mesmo da descoberta do câncer.

A autora relata os ciclos de quimioterapia branca e vermelha, a cirurgia conservadora, a radioterapia, a perda dos cabelos e uma internação provocada por pneumonia. Também aborda os conflitos enfrentados para conseguir medicamentos e procedimentos e o impacto que todo esse processo teve sobre sua autoestima.

A terceira parte da obra trata de um período que muitas vezes recebe menos atenção: a vida depois do tratamento. A remissão não apagou o medo. Cada novo exame continuou carregando a possibilidade de uma recidiva. Ao mesmo tempo, Gisele começou a rever hábitos, prioridades e limites. Retomou a corrida de rua, manteve a terapia e passou a enxergar o autocuidado de outra maneira.

Desde o início, Gisele havia decidido que os direitos autorais da obra seriam destinados a uma iniciativa voltada à saúde mental de mulheres em tratamento contra o câncer de mama. A partir dessa decisão, começou a estruturar uma instituição que pretende oferecer atendimento psicológico e terapêutico gratuito. A proposta inclui atendimento individual, rodas de conversa, rede de apoio entre pacientes, acolhimento para familiares e cuidadores e ações relacionadas à autoestima e às terapias integrativas. A instituição ainda está em fase de estruturação e deve iniciar as atividades entre novembro e dezembro. Não haverá uma sede física. O funcionamento será virtual, conectando pacientes e profissionais de diferentes regiões.

A primeira tiragem de Tudo Fez Sentido: Do diagnóstico ao amor-próprio terá mil exemplares, nas versões impressa e digital. A comercialização será feita inicialmente pelo site da obra e por plataformas que estão sendo estruturadas. O lançamento, marcado para 11 de outubro, das 15h às 19h, na Casa do Jornalista, em Florianópolis, será aberto ao público, com entrada gratuita mediante inscrição prévia.

A obra teve coordenação editorial de Daniela Risson, edição e revisão da Zepelim Conteúdos Estratégicos, projeto gráfico e diagramação da Patropi Comunica, fotografias de Dani Coelho e impressão da Gráfica Coan.

Para Gisele, o Outubro Rosa é uma oportunidade de falar sobre prevenção, mas também sobre aquilo que vem depois do diagnóstico. “Gostaria de lembrar a cada mulher que o tratamento é apenas uma fase, ele passa. Para as que estão enfrentando o câncer agora, meu conselho é: cuidem-se com o máximo de amor e carinho possível. E a todas as mulheres, deixo o convite: aprendam a se escolher diária e conscientemente, sem culpa.”

O livro chega às mãos dos leitores, portanto, com uma proposta que vai além da história de quem passou pelo câncer. A intenção da autora é fazer com que cada exemplar vendido ajude a financiar o cuidado de outra mulher que ainda está no meio dessa caminhada

.