
Inspiradas nos containers, estruturas mais leves facilitam transporte e instalação em encostas de montanhas
Tomar vinho imerso na água quente de uma banheira, com vista para montanhas e araucárias, é uma das experiências buscadas por turistas que querem se desconectar da rotina das cidades.
Nas plataformas de aluguel por temporada, não faltam opções de hospedagem diferenciadas. Entre elas estão as cabanas construídas a partir de módulos de aço.
Com revestimentos e tratamento termoacústico, as estruturas podem oferecer conforto semelhante ao de uma construção convencional, mas com maior agilidade de montagem e instalação.
Inspirados nesse conceito, o engenheiro civil Murillo Braghin e seu sócio, o arquiteto Matheus Delalibera, desenvolveram cabanas para regiões montanhosas utilizando módulos de aço e vidro. As unidades são produzidas em fábrica própria e chegam ao local prontas para instalação, com mobiliário, equipamentos e acabamentos definidos para o uso como hospedagem.
“Não usamos container, pois é uma peça muito pesada, feita para transportar cargas. Além disso, não tem as dimensões ideais para uma habitação confortável: o pé-direito é baixo e a largura é mais estreita. Por isso, temos uma fábrica onde construímos a estrutura do zero e instalamos os itens”, explica Murillo.
Segundo o engenheiro, cada cabana pesa cerca de cinco toneladas e é transportada por um caminhão de aproximadamente cinco toneladas. A estrutura mais leve facilita a instalação em terrenos de difícil acesso, incluindo encostas íngremes de montanhas e vales do Paraná.
Os locais escolhidos para as instalações ficam entre montanhas e cachoeiras e são viabilizados por meio de contratos de arrendamento com produtores rurais. A parceria cria uma nova fonte de renda para proprietários, que antes utilizavam as áreas principalmente para a produção de alimentos.
A combinação entre engenharia civil e turismo deu origem à startup Mumajo, especializada em cabanas. O modelo reúne cotistas para viabilizar as hospedagens, com previsão de retorno do investimento em três anos, segundo a empresa.
O conceito se aproxima do chamado glamping, termo que combina glamour e camping para definir uma modalidade de hospedagem que associa contato com a natureza a estruturas e serviços de maior conforto.
“A nossa taxa de ocupação é alta tanto nos finais de semana quanto durante a semana. O turismo de isolamento na natureza está crescendo muito. As pessoas precisam de um tempo off, pois esse contato é essencial para nos desligar de tanta informação. O sentimento de estar em isolamento é transformador e vejo que muita gente quer isso”, afirma Murillo.
Revestimentos e tratamento térmico garantem conforto e durabilidade
De estilo contemporâneo, a cabana tem 36 m², incluindo o deck, e funciona como um loft, com quarto, cozinha planejada e sala integrados, além de banheiro separado. A estrutura é instalada afastada do solo, apoiada sobre estacas e uma fundação de concreto.
As paredes e a cobertura recebem telha metálica branca com isolamento térmico interno, conhecida como “telha sanduíche”. Segundo Murillo, o revestimento reflete cerca de 90% da radiação solar, ajudando a reduzir a transferência de calor para o interior da unidade. Cortinas, aquecedor e ar-condicionado complementam as soluções para controle da temperatura.
A estrutura também reúne itens comuns a uma hospedagem convencional, como televisão, internet de alta velocidade, roupas de cama e banho, utensílios de cozinha, ar-condicionado e banheira.
A escolha dos acabamentos levou em consideração, principalmente, a resistência e a durabilidade dos materiais, já que as cabanas são submetidas ao uso frequente de hóspedes.
“Para preservar os móveis e os acabamentos das paredes quando o chão é lavado, padronizamos que eles fiquem elevados em relação ao piso. Por isso, usamos rodapés de alumínio e cantoneiras de 10 centímetros em todo o perímetro da cabana, evitando o contato da umidade com os revestimentos”, explica Murillo.
O especialista em marketing e posicionamento de marcas da Homeney Acabamentos, Rodrigo Gante, explica que o rodapé de alumínio utilizado nas cabanas foi desenvolvido com foco em resistência e recebeu pintura eletrostática, acabamento que, segundo ele, apresenta maior durabilidade do que pinturas convencionais.
“Nós criamos produtos a partir de demandas reais trazidas por engenheiros e arquitetos que os utilizam. Por isso, somos referência em rodapé invertido. A proposta do rodapé acompanha a durabilidade da cabana e temos flexibilidade para criar produtos novos e personalizados conforme a necessidade de cada cliente”, ressalta.
A possibilidade de adaptação também levou ao desenvolvimento de soluções específicas para projetos arquitetônicos. Entre elas está um modelo de rodapé com aba curvada, criado para reduzir o reflexo da iluminação sobre o piso e preservar a estética do ambiente.