
Selecionado pelo Edital de Ocupação para Espetáculos de Artes Cênicas CHC 2026, este instigante espetáculo, nasce do mergulho na vida e na obra de Jurema Finamour, poeta, escritora, tradutora e jornalista silenciada pelo regime militar, cuja trajetória intelectual e política antecede e tensiona a história do feminismo no Brasil. A montagem parte da pergunta sobre seu apagamento histórico para construir uma investigação cênica que articula memória, crítica social e poesia.
O que levaria uma mulher a se transformar em bode? Essa questão revela o cancelamento histórico da escritora e repórter Jurema Finamour, uma mulher notável, influente no jornalismo brasileiro e entre a elite intelectual das décadas de 1940 a 1960. O espetáculo explora sua história real, trazendo a público uma trajetória que merece ser redescoberta. Com performance musical, movimento vibrante e palavra incisiva, o grupo Rakurs convida você a testemunhar a voz silenciada de uma grande mulher. Motivado pelo livro Jurema Finamour, a jornalista silenciada, de Christa Berger, e com direção de Marcelo Bulgarelli, a montagem constrói uma narrativa não linear, onde teatro, dança, música e recursos audiovisuais se entrelaçam para revelar as muitas faces de Jurema.
A dramaturgia adota uma estrutura fragmentada, em que diferentes tempos se entrelaçam, criando múltiplas camadas de leitura. Por meio de uma abordagem polifônica, que articula teatro documental, dança, música interpretada ao vivo pelas atrizes, canções e composições originais de Antônio Villeroy, com arranjos vocais de Simone Rasslan, a montagem traz recursos audiovisuais e expande os limites do documentário cênico. O trabalho corporal, desenvolvido a partir da Biomecânica de Meyerhold, sustenta uma linguagem precisa e expressiva, integrando gesto, voz, movimento e canto. Espaço, luz, cor e figurino atuam como elementos dramaturgicamente ativos. O cenário, marcado pelo azul Portinari, cria um ambiente imersivo que dialoga com o modernismo brasileiro e com a memória afetiva de Jurema. A iluminação constrói atmosferas oníricas e distanciamentos críticos, enquanto os figurinos operam como convenções visuais que distinguem planos narrativos. Assim, teatro, música, dança e audiovisual se integram para revelar Jurema não como figura do passado, mas como presença ativa, cuja voz ressoa criticamente no presente.
Ficha técnica:
Direção e concepção: Marcelo Bulgarelli
Elenco: Deliane Souza, Eulália Figueiredo, Iandra Cattani, Luiza Waichel e Sofhia Lovison
Canções e Trilha sonora Original: Antônio Villeroy
Dramaturgia: Luiza Waichel
Dramaturgistas: Luiza Waichel e Marcelo Bulgarelli
Textos: Christa Berger, Luiza Waichel e Jurema Finamour
Assistente de direção: Cláudia Sachs
Preparação musical e música “Trem Instrumental”: Simone Rasslan
Arranjos vocais: Simone Rasslan e elenco
Assistência coreográfica: Carlota Albuquerque
Cenografia: Maíra Coelho
Assistente de Cenografia: Denise Ayres
Criação e produção de objetos: Denise Ayres e Maíra Coelho
Figurinos: Maíra Coelho e Rafael Silva
Máscaras: Fábio Cuelli
Formação de Máscaras: Cláudia Sachs e Fábio Cuelli
Iluminação: Nara Lúcia Maia
Operação de som e vídeo: Justine Maia e Cássio Azeredo
Audiovisual: eFrame
Assessoria biográfica de Jurema Finamour: Christa Berger
Depoimentos: Christa Berger e Maria Helena Correa Pires
Arte gráfica: Agência Gaboo
Fotos: Gilberto Perin
Assistente de produção: Justine Maia
Direção de Produção: Marcelo Bulgarelli
A Mulher Que Virou Bode: a história perdida de Jurema Finamour
20 e 21 de junho, às 20h e 18h respectivamente
Teatro do CHC Santa Casa – Av. Independência, 75
Espetáculo com acessibilidade: em LIBRAS no dia 20
Ingressos: Sympla CHC
Valores: R$ 50 inteira / R$ 25 meia-entrada
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Lei Rouanet / Ministério da Cultura
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