Com 90% da equipe formada por moradores de Salinópolis, empresa qualifica profissionais para atender uma operação de turismo, hotelaria e entretenimento.

A expansão do turismo em cidades fora dos grandes centros pode produzir efeitos que vão além do aumento no número de visitantes. Em Salinópolis, no litoral do Pará, o crescimento do Aqualand Park & Resort vem sendo acompanhado pela criação de empregos, formação de profissionais, fortalecimento de fornecedores e abertura de oportunidades para trabalhadores que, em muitos casos, estavam ingressando no mercado.

Atualmente, aproximadamente 90% da equipe é formada por moradores de Salinópolis, enquanto os demais profissionais estão concentrados principalmente em Belém.

Ao priorizar a contratação regional, o Aqualand busca formar suas equipes no próprio município e contribuir para que a renda gerada pelos empreendimentos permaneça na economia local.

Desde o início da implantação do empreendimento, o grupo calcula ter contribuído para a geração de mais de 2 mil empregos diretos e indiretos, considerando as fases de construção, expansão e operação dos empreendimentos. O volume investido em obras na região é estimado em cerca de R$ 230 milhões.

Formação de mão de obra fora dos grandes centros

Um dos desafios encontrados durante a expansão foi formar profissionais para atender a uma operação que reúne hotelaria, entretenimento, lazer, alimentação, manutenção, compras, finanças e atendimento ao público.

Para ampliar o acesso às vagas, o grupo mantém treinamentos internos, contrata aprendizes e abre oportunidades para profissionais em busca do primeiro emprego. A proposta é desenvolver competências técnicas e comportamentais dentro da própria operação, reduzindo a dependência da contratação de mão de obra de outras cidades.

Os colaboradores também têm acesso a benefícios como vale-alimentação, vale-transporte, plano de saúde e consultas clínicas e psicológicas on-line.

A estratégia de desenvolvimento de pessoas é complementada por parcerias com instituições como Senai e Sesc. Entre as ações já realizadas está uma iniciativa de hotel-escola em Salinópolis, voltada à capacitação de profissionais para as demandas da hotelaria e do turismo.

O grupo ainda integra entidades relacionadas ao setor de parques, turismo e construção, entre elas Adibra, Sindepat, IAAPA e Sinduscon.

Primeiro emprego e crescimento interno

As trajetórias de profissionais que iniciaram em posições de entrada e passaram a ocupar funções de liderança são utilizadas pelo Aqualand como indicadores de desenvolvimento interno.

Taiane Martins, por exemplo, começou a trabalhar no grupo em janeiro de 2023. À época, cursava Técnico em Enfermagem, não tinha experiência profissional e ingressou na equipe de recreação em seu primeiro emprego. Durante sua formação, aprendeu a conduzir atividades com crianças e adultos, realizar apresentações, atuar em espetáculos e coordenar a programação de lazer oferecida às famílias.

Em julho de 2025, foi promovida a supervisora. Quatro meses depois, assumiu a coordenação de Lazer. “A menina que entrou sem experiência no seu primeiro emprego agora lidera uma equipe de 7 pessoas. Hoje tenho orgulho em ver minha equipe evoluindo todos os dias. Eles dançam, atuam, falam no microfone sem medo e encantam crianças e adultos da mesma forma que um dia eu aprendi a encantar.”, afirma Taiane, também conhecida como Tia Morango.

Os casos mostram como a expansão empresarial pode ser combinada com mobilidade interna, preparação de novas lideranças e retenção de profissionais em cidades distantes dos principais polos econômicos do país.

Crescimento da empresa movimenta outros negócios

O impacto do Aqualand não se limita aos postos de trabalho criados dentro dos empreendimentos. A operação mantém relações com atacadistas, distribuidores e empresas prestadoras de serviços, gerando demanda para diferentes segmentos da cadeia de fornecedores.

O empreendimento, reunindo parque e resort, recebe, em média, 300 mil visitantes por ano. Esse público também movimenta restaurantes, farmácias, transportes, barracas de praia, comércio e outros meios de hospedagem de Salinópolis.

Além disso, parte dos visitantes utiliza apenas o parque e se hospeda em hotéis e pousadas independentes, contribuindo para que os recursos trazidos pelo turismo sejam distribuídos entre diferentes empresas do município.

Esse fluxo ajuda a reduzir a concentração econômica nos períodos tradicionais de férias e feriados. Salinópolis, que há cerca de duas décadas possuía uma estrutura urbana e turística mais limitada, passou a receber movimento em diferentes épocas do ano.

“Nosso crescimento depende da capacidade de desenvolver pessoas e fornecedores junto com a empresa. Não seria sustentável criar uma operação desse porte sem gerar oportunidades para quem vive na região. Por isso, a formação profissional, o primeiro emprego e o crescimento interno fazem parte da estratégia do grupo”, afirma Ulli Braga, CEO do Aqualand Park & Resort.