Expedição percorreu as profundezas do maior cânion do sul do Brasil,em gravações de obra documental de 13 episódios, que será lançada em 2027

Há décadas, a descida por cânions como o Fortaleza e o Itaimbezinho, ícones da região dos Aparados da Serra, não é permitida pela gestão dos Parques Nacionais dos Aparados da Serra, exceto para pesquisas ou ações de reconhecimento. Com o tempo, antigas trilhas por dentro do Fortaleza foram engolidas pela mata e deslizamentos. A natureza mutante do desfiladeiro – ao longo de eras geológicas ou de um dia para o outro, conforme a correnteza do rio – exigiram intensa preparação da equipe da Série Aparados da Serra.

No amanhecer do dia 27 de abril, sete caminhantes entraram pela garganta do Fortaleza, em Cambará do Sul (RS), para uma desafiadora travessia pelo maior cânion do sul do Brasil. A expedição foi realizada no âmbito da série documental Aparados da Serra – Cânions do Brasil (Lei Paulo Gustavo/Transe Arte e Conteúdo/Ministério da Cultura/Secretaria de Estado da Cultura-RS), com a parceria e autorização da gestão dos Parques Nacionais Aparados da Serra e Serra Geral (ICMBio – Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade).

– Por dois dias, que resumiram semanas de preparação, em jornadas de 12 horas de trilhas, avançamos desde o vértice do Fortaleza, em Cambará do Sul (RS), a 1.050 metros de altitude, até a abertura do cânion, em Jacinto Machado (SC), onde descortina-se a planície costeira de Santa Catarina – relata o diretor da série, André Costantin.

No grupo, sete caminhantes: além de Costantin, Daniel Herrera (produtor executivo e diretor de fotografia); os guias dos territórios Joarez Furlanetto (Jacinto Machado, SC), Flávio Getúlio Lima (Praia Grande, SC) e Michel Quadros Velho (Cambará do Sul, RS); e os apoios de orientação de Jean Finkler e Heitor Bianchi (Caxias do Sul, RS).

Aparados da Serra – cânions do Brasil é um projeto inédito sobre a região dos cânions da Serra Geral, realizado pela produtora gaúcha Transe. Em produção ao longo de 2025 e 2026, a série terá 13 episódios, com lançamento ao público em fins de 2027, em canais do Brasil e exterior. Um extenso território está sendo documentado, em aspectos da natureza e da etnografia, nos campos de altitude, cânions e planícies costeiras do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

– Avaliações de modelos de clima, técnicas de orientação, trekking e rapel foram conjugadas para as ações de captação de imagens por câmeras e drone, sem comprometer o ritmo da expedição. Dentro do cânion, cada um depende do outro, o tempo inteiro e a cada passo. Por isso, além de imagens, a travessia gera memórias, histórias e emoções que serão retratadas na série – comenta o diretor.

Cadeia de cânions

Na região dos Aparados da Serra, além do Fortaleza, a equipe da série vem registrando cânions e sítios como Itaimbezinho, Malacara, Josafaz, Índios Coroados, Amola Faca, Realengo e Monte Negro.

No Cânion Malacara, também no território de Cambará do Sul, a equipe acompanhou em março as incursões de um grupo de canionistas que dá apoio à pesquisa de anfíbios raros, como o Melanophryniscus cambaraensis, um sapinho de barriga vermelha que traz no nome científico a origem endêmica de Cambará do Sul: só ocorre ali, nas cachoeiras escondidas dos cânions dos Parques Nacionais dos Aparados da Serra.

Os itinerários de pesquisa e gravação devem se estender aos picos de Santa Catarina, na região de Urubici e de Bom Jardim da Serra. A linguagem da série aborda a natureza e as culturas da região, em lugares e comunidades onde a palavra ancestral “perau” ainda é usada, ao invés de cânion.

O projeto é viabilizado pelo Edital SEDAC-RS/LPG 2023- Audiovisual (recursos da Lei Complementar no 195/202), e tem autorização do ICMBio para registros e documentação em áreas dos Parques Nacionais dos Aparados da Serra; Serra Geral e São Joaquim (RS/SC).