
Aos 51 anos, a professora Alê Primo tomou uma decisão que mudaria sua vida: deixar de esconder sua identidade e iniciar a transição de gênero. Seu livro, Eu sou ela, trata do assunto em uma narrativa íntima e bem-humorada, onde Alê revisita sua infância, juventude, relacionamentos, carreira e os conflitos que a levaram a viver, finalmente, como a mulher que é. E revela o que veio depois: o preconceito que descobriu após a transição, as amizades femininas que a transformaram, o título de Miss Universe Trans Brasil (Ladies) e a plenitude de tornar-se quem se é. Mas sua obra não é apenas uma autobiografia de transição de gênero, pois fala sobre todos nós. Entre memórias e reflexões, passeia por amizade, autoestima, coragem, envelhecimento e felicidade. Em Eu sou ela, Alê convida o leitor a olhar para as próprias certezas e para os papéis que lhe foram impostos.
Sem filtro e sem pedir desculpas, Alê Primo conta os bastidores de sua transição de gênero em plena maturidade: a infância marcada pelo segredo, os hormônios, as cirurgias, a revelação para os amigos e colegas, a experiência de ser coroada em um concurso de beleza e o preço, nada pequeno, de toda essa coragem. Este é um livro sobre identidade e sobre a coragem de virar do avesso tudo o que os outros esperam de você. Sobre o que dói perder e o que é bom demais para abrir mão: os amigos, o direito de errar, o prazer de se reconhecer no espelho, os privilégios que se foram, os preconceitos que se mostraram, o envelhecer sem se apagar.
Foi em um encontro casual com Luís Gomes, da Editora Sulina, que surgiu a proposta para escrever o livro. “Eu saía do cinema quando encontrei Luís e ele, que acompanhava elas redes minha transição de gênero, me propôs escrever sobre minha história. Maturei a ideia por alguns anos, até que surgiu o tom e o foco que eu gostaria de dar”, afirma Alê. Passaram-se mais alguns anos até que Alê finalizasse sua obra e fizesse os cortes necessários, ajustasse de acordo com a ideia original. “Dois anos e meio depois, num misto de satisfação, realização, alívio, ansiedade e nervosismo, entregue, enfim, minha obra, com a convicção de que o livro poderia ser uma contribuição não apenas para a comunidade LGBTQIAPN+, mas poderia também aumentar o esclarecimento sobre diversidade e tolerância, e sobre maturidade e amizades na vida da mulher” completa a autora.
Professora e pesquisadora na UFRGS, Alê ainda encaixa, entre uma memória e outra, ideias de pensadoras como Simone de Beauvoir e Judith Butler, mas sem nunca perder o tom de conversa entre amigas, sem academicismo nem pieguismo. Na segunda parte do livro, batizada de Transvivência, ela aprofunda essas reflexões, unindo ciência, filosofia e experiência pessoal para pensar identidade, corpo e diversidade de um jeito acessível a qualquer leitor — do dado científico à conversa de bastidor, sem nunca soar como aula.
Alê Primo é professora titular do curso de Publicidade e Propaganda e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação da UFRGS. Possui doutorado em Informática na Educação (UFRGS), mestrado em Jornalismo (Ball State University) e graduação em Publicidade e Propaganda e Jornalismo (UCPEL). Sua tese de doutorado foi premiada pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) e pela Sociedade Brasileira de Informática na Educação (SBIE). Membra fundadora da Associação Brasileira de Pesquisadores em Cibercultura. Recebeu a medalha Rio Grande do Orgulho em 2026, em reconhecimento à sua relevante trajetória em defesa da comunidade LGBTQIAPN+.
Eu sou ela: O que aprendi com minha transição de gênero aos 51 anos
Autora: Alê Primo
224 páginas
Arte da capa: like Conteúdo, sobre foto de Bruna Macedo
Editora Sulina: https://www.editorasulina.com.br
EU SOU ELA – lançamento do livro de Alê Primo
Dia 8 de novembro, às 16h
Feira do Livro de Porto Alegre – Praça de Autógrafos
Redes da autora:
@profa.ale.primo