No Outubro Urbano, mês promovido pelo ONU-Habitat para discutir os desafios e as oportunidades relacionados à urbanização, iniciativa brasileira mostra como o acesso gratuito à água pode ser incorporado ao planejamento dos espaços públicos

À medida que as cidades ampliam os espaços destinados à convivência, necessidades básicas da população também passam a integrar o debate sobre infraestrutura urbana. Entre elas está o acesso à água potável. O tema ganha relevância no Dia Mundial das Cidades, celebrado em 31 de outubro, data que encerra o Outubro Urbano, iniciativa do ONU-Habitat dedicada ao debate internacional sobre urbanização sustentável e qualidade de vida nas cidades. Em 2026, a programação global da data terá como tema “Regenerando a Cidade: Moradia Adequada para Todos”, com foco na regeneração urbana, em bairros inclusivos e resilientes e no acesso a serviços essenciais.

A experiência da Icehot, empresa brasileira que desenvolve estações de hidratação para espaços públicos, abre uma discussão sobre um item que nem sempre aparece no planejamento de praças, parques, pistas de caminhada e orlas, que é um ponto permanente de acesso gratuito à água. Presente atualmente em cerca de 660 cidades de 22 estados brasileiros, a empresa conta com aproximadamente 600 estações em operação, que registram mais de 1,86 milhão de utilizações por mês e cerca de 14,7 milhões por ano.

Para a Icehot, a chamada “hidratação urbana” parte de uma mudança de perspectiva pois a água deixa de ser vista como um recurso associado a estabelecimentos comerciais ou residências e passa a ser considerada também um serviço que pode integrar a estrutura dos espaços públicos. “Quando uma pessoa sai para caminhar, praticar esporte, passear ou simplesmente utilizar uma praça, ter acesso gratuito à água de qualidade deveria ser algo natural”, afirma Alex Sander da Rosa, sócio-fundador da Icehot.

A discussão também se relaciona aos desafios de adaptação das cidades a temperaturas mais elevadas e aos efeitos das mudanças climáticas. Segundo a empresa, a ampliação das estações depende principalmente de articulações entre prefeituras, companhias de saneamento, cooperativas e empresas privadas.

“A pauta coloca em evidência uma questão de planejamento. O que uma cidade precisa oferecer para que seus espaços públicos sejam funcionais para as pessoas? Incorporar pontos de hidratação a esses ambientes significa reconhecer a água como parte da infraestrutura urbana e considerar as necessidades cotidianas da população desde a concepção dos espaços. As parcerias são fundamentais para ampliarmos esse acesso”, pontua Alex Sander.

As estações incorporam recursos tecnológicos para acompanhar a operação dos equipamentos. Os sistemas permitem acompanhar indicadores como volume de água disponibilizado, número de utilizações e estimativa de garrafas plásticas poupadas. Temporizadores também auxiliam no controle da liberação da água e na redução do desperdício, enquanto a manutenção preventiva e a substituição periódica dos elementos filtrantes fazem parte da operação.