Enquanto o Chile investe em escala e sofisticação nos vales, a Argentina aposta em vinhos premium de altitude

Em tempos de frio e boa gastronomia, Chile e Argentina despontam como os dois países produtores mais procurados e consolidados na mente do consumidor brasileiro apaixonado por vinho. Longe de travarem uma competição de qualidade, já que ambos os países produzem vinhos excelentes, eles se diferenciam por suas denominações de origem e posicionamentos estratégicos distintos no mercado de importação.

“Na última década, esses países produtores têm investido muito em vinhos de qualidade, o que tem sido percebido pelo consumidor e pelo mercado.”, diz Diego Peres Ávila, da Bodegas Grupo Wine, importadora reconhecida pelo pioneirismo na distribuição digital para o mercado B2B. “Não dá para dizer qual dos dois produz os melhores vinhos, mas dá para buscar saber qual perfil de vinho agrada mais cada paladar.”

Aumento de qualidade ao longo dos anos

Dados da Ideal.BI mostram que o Chile segue como o líder absoluto em volume no Brasil. Na última década, os chilenos acumularam um crescimento expressivo de 113% em volume e 95% em faturamento. Porém, mais do que volume, o país vive uma importante transição de imagem: a antiga associação exclusiva a vinhos de entrada deu lugar a um movimento de valorização de seus terroirs. Prova disso é que a fatia de rótulos chilenos Super Premium dobrou no período, saltando de 5% para 10% de participação nas importações para o Brasil.

A Argentina, por sua vez, trilha um caminho focado na consolidação de valor e no prestígio de suas regiões. Embora com volume bruto menor que o vizinho, sua performance na última década é notável, com alta acumulada de 115% em volume e 102% em valor, um ritmo de expansão percentual mais acelerado a longo prazo. No mercado brasileiro, o mix de vinhos argentinos Premium e Super Premium já responde por 29% de sua pauta de importação (alinhado à média geral de mercado, que é de 30%), impulsionado por um salto de 23% no preço médio por caixa desde 2020.

Valorização da denominação de origem

“Um bom caminho para conhecer melhor os perfis de vinhos latino-americanos é buscar entender quais são os seus terroirs. Pois clima, altitude, tipo de solo, amplitude térmica e a influência do relevo são os fatores que explicam por que determinados vinhos entregam mais concentração, frescor, potência ou elegância”, diz o especialista.

As indicações geográficas e denominações de origem identificam a procedência das uvas e ajudam o consumidor a compreender o contexto em que o vinho foi produzido. Dependendo da legislação de cada país e da categoria utilizada, elas podem estabelecer percentuais mínimos de uvas provenientes da região até regras mais específicas de produção. Mais do que garantir um estilo único, a origem oferece pistas sobre clima, altitude, relevo e consequentemente, do que o vinho entrega.

Sob este ponto de vista, e atributos de cada país, o Chile se destaca pela diversidade de seus vales, pela forte influência andina e marítima e pela elegância de castas como Cabernet Sauvignon e Carménère, a Argentina brilha com a força de seus vinhedos de altitude e a expressão consagrada da Malbec. Mas há muitos outros detalhes e informações relevantes para auxiliar o consumidor na hora de fazer a sua escolha.

Argentina

Ao falar de vinhos argentinos de inverno, é impossível não começar por Mendoza, a principal região produtora do país e uma das mais reconhecidas da América do Sul. Localizada aos pés da Cordilheira dos Andes, Mendoza reúne condições muito favoráveis para a produção de tintos estruturados: altitude, clima seco, grande insolação e forte amplitude térmica entre o dia e a noite.

A altitude é um dos fatores mais importantes para entender o estilo mendocino. Durante o dia, a intensa exposição solar favorece a maturação das uvas, contribuindo para vinhos com mais cor, fruta madura e concentração. À noite, a queda da temperatura ajuda a preservar a acidez natural, mantendo equilíbrio e frescor mesmo em rótulos mais potentes.

É neste terroir que a Malbec encontrou uma de suas expressões mais conhecidas. Embora seja uma uva de origem francesa, ela se adaptou de forma notável, dando origem a vinhos de taninos macios, fruta intensa, boa estrutura e grande afinidade com pratos de inverno, como carnes e legumes grelhados, massas com molhos encorpados, risotos e queijos curados.

Um exemplo que respeita este perfil é o Humberto Barberis Gran Reserva Malbec, um vinho que representa bem a força de Mendoza em tintos de maior estrutura. Um exemplar varietal com 14 meses em barris de carvalho francês, mais 3 anos em garrafa sob temperatura controlada em cavas a 10 metros de profundidade. Além de não ser filtrado, seu estilo combina fruta madura, corpo e taninos marcantes que o tornam uma boa escolha para dias frios e harmonizações intensas. Com garrafas numeradas, esse é uma ótima opção para aqueles que gostam de vinhos com presença.

Humberto Barberis Gran Reserva Malbec Gfs 750ml

Ainda sobre Mendoza, o Valle de Uco merece destaque especial. A região se consolidou como uma das mais prestigiadas da Argentina para vinhos de altitude, combinando concentração, frescor e precisão. Seus vinhedos, localizados em diferentes altitudes, são beneficiados pela combinação entre forte radiação solar, temperaturas médias mais baixas e amplitude térmica. Esses fatores favorecem o amadurecimento fenólico, e, ao mesmo tempo, contribuem para a preservação da acidez. O resultado varia conforme a altitude, orientação do vinhedo, o solo, a disponibilidade de água e o manejo.

O Clos de los Siete, elaborado no Valle de Uco, é um bom exemplo de vinho argentino que alia potência e elegância. Assinado pelo renomado Michel Rolland, esse corte tinto apresenta perfil estruturado, com fruta madura, complexidade e perfil gastronômico. Um rótulo que amadurece durante 11 meses, sendo 70% em carvalho francês e 30% em tanques de inox, e que costuma receber boas avaliações de críticos internacionais, como James Suckling e Tim Atkin.

https://www.samsclub.com.br/produto/vinho-argentino-clos-de-los-siete-750ml-130969

Outra região essencial para entender os tintos argentinos é Luján de Cuyo, considerada uma das áreas históricas de Mendoza e berço da primeira Denominação de Origem Controlada da Argentina. Mesmo quando um rótulo não traz necessariamente a certificação D.O.C., a menção a Luján de Cuyo já comunica origem de grande tradição para vinhos de qualidade.

O Tinamú, da Viña Las Perdices, é um vinho que trabalha essa forte identidade territorial. Com predominância de Malbec em seu corte, apresenta estrutura, intensidade e complexidade, características que conversam diretamente com o perfil de consumo do inverno. Seu amadurecimento ocorre por 24 meses em barricas, sendo 70% em carvalho francês e 30% americano, seguido de mais 12 meses em garrafa antes de ser comercializado, trazendo em taça um final longo e persistente.

https://www.altruistavinhos.com.br/produto/las-perdices-tinamu-lujan-de-cuyo-17?srsltid=AfmBOooj6wnua2Wx-obK5ZEonh9IbkQmLWoGBgc8eNFMCm_GPFI8TaYw

Chile

Se a Argentina costuma ser lembrada pela altitude de Mendoza e pela força da Malbec, o Chile se destaca pela diversidade de seus vales e pela forma como a Cordilheira dos Andes e o Oceano Pacífico influenciam seus vinhos. Essa geografia estreita e alongada permite ao país produzir estilos muito variados, desde brancos frescos de regiões costeiras até tintos profundos, estruturados e elegantes em áreas de maior maturação.

Para os vinhos de inverno, algumas regiões chilenas ganham destaque por entregarem tintos com corpo, taninos presentes, fruta madura, frescor e complexidade. É o caso do Valle del Maipo, especialmente em zonas como Pirque e Puente Alto, além do Valle de Cachapoal, como áreas reconhecidas como Peumo e vinhedos específicos localizados em Alto Totihue. Essas origens ajudam a entender por que o Chile se consolidou como um dos grandes nomes da América do Sul para Cabernet Sauvignon, Carménère, Syrah e blends tintos.

O Valle del Maipo é uma das regiões mais emblemáticas do Chile para tintos de alta gama, especialmente Cabernet Sauvignon e blends inspirados no estilo bordalês. Em áreas próximas à Cordilheira dos Andes, como Puente Alto e outros setores do Alto Maipo, a amplitude térmica favorece a maturação das uvas durante o dia e a preservação da acidez à noite.

Dentro desse contexto, zonas como Alto Maipo e Puente Alto se destacam pela produção de vinhos estruturados, profundos e ao mesmo tempo marcados pelo frescor. São tintos que costumam apresentar fruta escura, taninos firmes, notas especiadas, boa persistência e perfil mais gastronômico, características que combinam com a intensidade do inverno.

O T.H. [Terroir Hunter] Cabernet Sauvignon D.O. Valle del Maipo pode representar essa leitura mais precisa do terroir chileno. A própria proposta da linha já faz parte da busca por vinhedos específicos, capazes de expressar a origem com clareza. Com 12 meses em barris de carvalho francês, sendo 25% em barricas de primeiro uso e mais um ano em garrafa antes de ser comercializado. No inverno, é um vinho que conversa bem com carnes vermelhas, cordeiro, massas com molhos intensos e preparações de maior estrutura.

https://www.wine.com.br/vinhos/t-h-terroir-hunter-d-o-valle-del-maipo-cabernet-sauvignon-2021/prod29503.html

Na mesma região, o Altazor D.O. Valle del Maipo, ícone da vinícola Undurraga, aprofunda essa leitura premium do Maipo a partir de Pirque, zona próxima à Cordilheira dos Andes reconhecida por tintos de grande estrutura e frescor. Com Cabernet Sauvignon como base, passa 16 meses em barricas e 24 meses em garrafa antes da comercialização. Apresenta boa intensidade, corpo e equilíbrio, com taninos maduros e bem integrados.

https://www.vinhobr.com.br/Undurraga-Altazor-95pts-750ml~4365~160~33~–Uvas~Cortes?srsltid=AfmBOooLXzoNTXdltoLXCJp4dODlWAC0d-JaDTuFXOya1dz5LFk3_dZz

Outro nome importante para esse eixo é o EPU Almaviva, elaborado em Puente Alto. É um exemplar que entra como referência de prestígio para mostrar como essa zona do Maipo se tornou reconhecida por grandes tintos chilenos, especialmente blends com Cabernet Sauvignon como base. Um vinho que amadurece por 12 meses em barricas de carvalho francês e apresenta boa intensidade, corpo e equilíbrio com taninos presentes, maduros e bem integrados em taça.

https://www.wine.com.br/vinhos/almaviva-epu-2022/prod31765.html

Saindo do Maipo, o Valle de Cachapoal apresenta outra leitura importante dos tintos chilenos. Localizado na zona central do Chile, o vale combina boa insolação e influência da Cordilheira dos Andes, condições que favorecem a maturação completa das uvas tintas. Esse cenário contribui para vinhos de fruta madura, corpo, concentração e taninos presentes, sem perder equilíbrio graças à variação de temperatura entre o dia e a noite.

O rótulo Casas del Toqui Gran Toqui D.O. Cachapoal Valley Syrah pode ser apresentado como uma porta de entrada para essa origem. Seu perfil estruturado, intenso e gastronômico traduz bem o estilo de vinho que o consumidor costuma buscar no inverno: tintos com mais presença em boca, boa persistência e capacidade de acompanhar pratos mais robustos, com 80% do vinho amadurecido em barricas de carvalho francês por 12 meses.

https://www.atlasvinhos.com.br/casas-del-toqui-gran-toqui-syrah/

Da mesma vinícola, o Leyenda del Toqui D.O. Cachapoal Valley aprofunda essa leitura sendo elaborado nos vinhedos de Alto Totihue, dentro de Cachapoal, um tinto de maior complexidade e prestígio. Seu amadurecimento de 24 meses em barricas de carvalho francês e mais 12 meses em garrafa contribui para um perfil de maior profundidade, estrutura e complexidade aromática.

https://www.altruistavinhos.com.br/produto/leyenda-del-toqui-395?srsltid=AfmBOoopUws7Fcu-6i9KUpm6WCdhQR2i0urOT9PMFqxYYTqbl2u1g1nK

Aprofundar-se no conhecimento das indicações geográficas e terroirs não é fundamental para apreciar vinhos na taça, mas pode auxiliar o consumidor a ir além da uva e escolher o vinho pelas características frequentemente associadas a cada região. Para os dias mais frios, isso significa encontrar rótulos com presença, profundidade e vocação gastronômica, capazes de acompanhar desde carnes assadas e pratos de longa cocção até massas, cogumelos e queijos curados.

Sobre a Bodegas Grupo Wine

A Bodegas Grupo Wine é uma importadora e distribuidora de vinhos que combina tradição e inovação para oferecer rótulos exclusivos ao mercado brasileiro. Uma empresa do Grupo Wine, destaca-se pelo pioneirismo na distribuição digital para o mercado B2B e pelo rigor na seleção de vinhos. Com um modelo de autosserviço online, a Bodegas Grupo Wine otimiza a experiência de compra para bares, adegas, restaurantes e varejistas. Seu portfólio prioriza vinícolas da América do Sul, com destaque para a Argentina e Chile, mas também inclui rótulos da Itália, Portugal, França, Espanha, Uruguai e EUA. Mais informações em www.bodegasgrupowine.com.br.