É chegada a hora! O trabalho primoroso e dedicado que Loma Solaris está realizando ao longo de um ano com as gravações das canções que estarão no álbum Loma Solaris -Preta Gaúcha, está na reta final. Em maio o público poderá conhecer na íntegra esta obra, mais um divisor de águas na carreira dessa imensa artista gaúcha e da própria cena musical do sul do Brasil. Em parcerias com artistas fundamentais do cenário brasileiro, como Jerônimo Jardim, Thalma de Freitas, Gustavo Brodinho, Sérgio Rojas, Colmar Duarte, Carlos Catuípe, Ivo Ladislau, Mário Tressoldi, Paulinho Goulart, Neuro Junior, do mestre Oliveira Silveira, e com a sensível direção musical de Tamiris Duarte e a participação de músicos com grandes trajetórias, como Arthur de Faria, Bruno Coelho, Tuti Rodrigues, Pablo Schinke, Marquinhos Fê, as Ialodês, entre muitos outros, o álbum terá lançamento dia 8 de maio nas plataformas digitais, em um projeto financiado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc através do EDITAL de Nº 05/2024 – PNAB POA – Fomento 2024, da Secretaria de Cultura de Porto Alegre, uma realização do Ministério da Cultura, Governo Federal.

Seja nos palcos, no cinema, nos festivais, nas rodas de amigos, Loma Solaris brilha com sua voz encorpada e doce, conduzida até aqui em uma trajetória de parcerias, transcendências, conquistas. A gravação de Loma Solaris – Preta Gaúcha, o novo disco, vem ancorada nesses valores, cercada de profissionais de muita qualidade, parceiros de uma vida, personas da cultura gaúcha de todos os tempos. Pouco a pouco as músicas foram chegando e traçando sua história, até completar o mosaico que forma o álbum. “Escuto a questão da infância muito forte nos áudios e nos relatos de Loma sobre como esse álbum, além de refletir a trajetória da carreira musical, também reflete sobre a vida, a percepção da infância, das sensações, das visões”, diz Tamiris Duarte, diretora musical deste trabalho.

“Abrimos o disco com Caminhada, que é a música que a Loma considera um ponto de partida para quem busca sua identidade, sua essência, e logo depois marcamos a presença da mulher com a Gira das Ialodês, duas músicas esteticamente diferentes que nos sinalizam para a diversidade do repertório”, reflete Tamiris. E no meio delas, canções como O Trigo, de Oliveira Silveira, musicada por Vladimir Rodrigues; Valsa dos Vagalumes, de Nilton Junior da Silveira, Adriano e Cristian Sperandir; Cantigas de Mar, música de Carlos Catuípe com letra de Ivo Ladislau; e Clara Clareou, de Jerônimo Jardim; Sob as Mãos do Tempo, de Pedro Guerra Pimentel e José Hilário Retamozo; Soltas Velas, de René Duque e Loma Pereira. “No novo álbum o ouvinte é transportado para o território da infância de forma sensível e subjetiva, com as paisagens, a suavidade, com a leveza da Valsa dos Vagalumes, as questões da infância, as memórias que Loma tem sobre as carretas, a poeira, os cheiros, os sons”, afirma Tamiris, que costurou tudo com muita sensibilidade e escuta.

O disco Loma Solaris – Preta Gaúcha celebra os 50 anos de carreira de Loma e resgata a memória e a história da cultura negra na raiz do cancioneiro regional. Podemos encontrar ritmos latino-americanos, afro-gaúchos e populares tradicionais como o boi da praia – que lembra o maracatu – e o ijexá com sotaque sul-litorâneo. Assim, Loma constrói um trabalho essencialmente preto, que joga luz sobre o nosso litoral, de onde vem, e deixa registrada a relação do RS com o aspecto latino-americano da música sulista. A cantora exalta a contribuição de todos os compositores, músicos, arranjadores, criadores dos espetáculos com os quais dividiu palcos e elenca diretores musicais, diretores de arte, jornalistas culturais e técnicos como parceiros fundamentais em sua trajetória de pesquisa e trabalho. Ser contemplada pelo Edital de fomento da PNAB 2024/Município de Porto Alegre/MINC se configura como um reconhecimento pelo que Loma representa, pelo legado das artistas mulheres, em especial as mulheres negras.

Loma Solaris iniciou sua carreira na década de 70 com o Grupo Pentagrama de Jeronimo Jardim e Ivaldo Roque. No início de 1990, foi eleita por jornalistas, produtores culturais, músicos e compositores como a Melhor Cantora da Década de 80. Alicerçou sua trajetória artística nos Festivais Nativistas Gaúchos, conquistou espaço no cenário da MPB a partir da gravação de um programa Fantástico Regional. Foi indicada ao Prêmio Nacional Sharp de Música e conquistou por três vezes o Prêmio Açorianos de Música, em 1999, 2017 e 2022. Recentemente conquistou o 8º PPM – Prêmio Profissionais da Música, como cantora regional e artista de MPB da Região Sul. Do poder público e de entidades de cultura, recebeu várias premiações e menções honrosas por sua contribuição ao fazer cultural no Sul. Em sua trajetória, fez shows e/ou participou nos discos de ícones da nossa música como Bebeto Alves, Carlinhos Hartlieb, Giba Giba, Jerônimo Jardim. Neto Fagundes, Geraldo Flach, Fernando Ribeiro e Luiz Carlos Borges.

Sobre as músicas – por Loma

Clara Clareou, milonga de Jeronimo Jardim, aponta para o amanhã, para o ritual do amanhecer que vem repleto de esperança e superação. Uma canção que sublinha a importância da constante reconexão com nossa criança interior para encontrar a paz e serenar. Escolhi esta obra por admiração ao artista que Jeronimo foi, por seu legado, pela mensagem de leveza a paz que conecta sua obra ao público.

Valsa dos Vagalumes, de Nilton Junior da Silveira, Adriano e Cristian Sperandir, inspira lembranças e devaneios. A poética do campo, com suas noites escuras e vagalumes, a criança e sua simplicidade, guardada para todo o sempre na caixinha de segredos da vida.

Caminhada, de Sergio Rojas e Colmar Duarte retrata a busca interior. A poesia desta milonga é referência como ponto de partida. A caminhada é longa e leva tempo, muito tempo! Brindo a inspiração do poeta Colmar Duarte, elencada a adequação da melodia que considero uma das obras mais importante da música brasileira.

Sob as Mãos do Tempo, de Pedro Guerra Pimentel e José Hilário Retamozo, é um ritmo híbrido, uma milonga com variação 6/8, magistralmente arranjada pelo inspirado musicista Paulinho Goulart. A poesia do José Hilario Retamozo remete ao histórico início do povoamento no RS. Da alquimia étnica entre os carreteiros daqui e os de tantos outros lugares do Brasil que por aqui passaram deixando suas próprias sementes. Minha memória acende curiosidades sobre tudo o que trouxeram além de grãos, charque, tecidos, penduricalhos e até instrumentos musicais. Foi assim que recebemos a viola portuguesa, por exemplo, que animou noites sertanejas nos ranchos do sul e até hoje nos toca com sua sonoridade”.

Cantigas de Mar, música de Carlos Catuípe com letra de Ivo Ladislau, possui um ritmo híbrido do boizinho afroaçoriano com influência do maracatu, conforme a classificação dos compositores, e do arranjador Mário Tressoldi. As canções que apresento neste álbum, cada uma tem sua história. Essa retrata a vivência dos pescadores no cotidiano do lugar. Os autores, por suas pesquisas, ao lado da cantora Clea Gomes, são precursores na difusão da cultura musical do Litoral Norte do RS desde a década de 80. No início dos 90, o Ivo, conhecedor de minha pesquisa identitária, passou e me convidar a cantar suas parcerias, firmadas nos ritmos de quicumbi, maçambique e afroaçorianas, células com as quais me identifiquei de pronto, pela ressoar das batidas dos tambores em meu coração. Posteriormente a Rainha Ginga Severina me autorizou tacitamente a cantar o maçambique por onde eu fosse, me abençoando como Filha de Maria.

Soltas Velas, composição de René Duque e Loma Solaris, ganhou um arranjo em forma de ijexá sul-litorâneo, feito por Tamiris Duarte e inspirado na figura de Gilberto Oliveira, músico de Rio Grande, por sua trajetória, expressão rítmica e generosidade de passar seus conhecimentos através de gerações. René se inspirou na paisagem em que se via barcos movidos à vela, conduzidos por pescadores nativos e de outras paragens brasileiras, oferecendo um quadro de natureza viva das águas do lugar. Os botos, parceiros de lida promoviam um espetáculo natural. “Os barcos à vela eu não vi, mas em minhas caminhadas pela beira da praia me dirigia ao estuário para apreciar os botos Manchada, Bagrinho, o Coquinho e o Catatau. Esta cena me inspirou a complementar a letra desta alegre canção, também mencionando os “Pealos”, invernadas”; as “Tafonas” de Osório, e “Moendas” de Santo Antônio da Patrulha e mencionar nossa Rainha Ginga Severina, mãe de Francisca Dias.

O Trigo, ritmo afro-gaúcho, obra do mestre Oliveira Silveira, musicada por Vladimir Rodrigues, traz um tema doloroso e difícil na história recente da humanidade. Os trabalhos forçados nas plantações, que condicionaram os negros a uma expectativa de vida muito curta pelos abusos, torturas e solidão. O poema ilustra a vida simples nos quilombos no Rio Grande do Sul e no Brasil, fonte de algum alívio enquanto duraram. Natural de Rosário do Sul, o Mestre Oliveira Silveira pôde conhecer a lida dos pretos nos campos daquela região, e escreveu este poema musicado por Vladimir Rodrigues, que nos conta dos corpos escravizados nas plantações de trigo. Registro esta canção em meu álbum como forma de reflexão. Salve Oliveira Silveira, salve o 20 de novembro, Dia da Consciência Negra. Tamiris Duarte foi sensível ao expressar sua arte musical nesse lindo arranjo.

Gira das Ialodês traz os ritmos híbridos afro-brasileiros e latino-americanos na composição de Thalma de Freitas e Loma Solaris Pereira. Nesse novo álbum está presente a diáspora da mulher, progenitora matriz ao povoamento da Terra, e que em vários segmentos da história foi queimada viva, perseguida, abusada, violentada e cada vez mais afastada do sublime oficio de acompanhar o crescimento dos filhos. O resultado da violência contra a mulher avança aos dias atuais como um quadro grotesco e doloroso de se ver. A criação desta obra musical, composta especialmente para o show Ialodê – nome oriundo da cultura Yorubá que designa a liderança feminina de grande relevância social e política, responsável por representar os interesses coletivos das mulheres e zelar pela continuidade dos saberes -, nasceu com o objetivo de dignificar a presença dessa mulher musicista, atriz e pensadora cultural Thalma de Freitas no grupo das Ialodês e no Projeto MIAC, apresentado no Farol Santander em 2025. O acolhimento do público na apresentação de estreia da Gira das Ialodês, impulsionou a gravação desta relevante mensagem, especialmente com as participações das vozes matriz de Glau Barros, Nina Fola e Marieti Fialho. Estamos muito agradecidas pela orientação vocal da Dida Larruscain. O arranjo da música é de Tamiris Duarte e Neuro Júnior.

Equipe de Loma Preta Gaúcha

Direção artística – Loma Solaris

Direção musical: Tamiris Duarte

Produção discográfica: Loma Empreendimentos Culturais

Produção executiva: Consuelo Vallandro

Fotografia: Dani Barcellos

Figurino: Studio Ivânia Petry

Arte da capa: Studio Ivânia Petry

Mídias sociais: Consuelo Vallandro

Assessoria de imprensa: Bebê Baumgarten

LOMA SOLARIS – PRETA GAÚCHA – Lançamento do disco

Dia 8 de maio nas plataformas musicais

O Projeto Loma Preta Gaúcha é financiado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc através do EDITAL de Nº 05/2024 – PNAB POA- FOMENTO 2024, da Secretaria de Cultura de Porto Alegre, por meio da Linha 1. Realização do Ministério da Cultura – Governo Federal