
Ficção histórica de Rodinério da Rosa e Moacir Martins tem financiamento do Fumproarte e lançamento previsto para agosto
“Charrua” é uma história em quadrinhos inédita de ficção histórica, inspirada nas origens, na cultura e no trágico destino do povo indígena Charrua, ancestral dos territórios que hoje compreendem o sul do Brasil, do Uruguai e parte da Argentina. A iniciativa terá roteiro de Rodinério da Rosa e ilustração de Moacir Martins e consultoria do historiador indígena Kaingang Danilo Braga. Selecionada no edital Fumproarte de Produção Artística de 2025, da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa de Porto Alegre, tem lançamento previsto para agosto de 2026.
A HQ terá como eixo central a trajetória de Cayuare, um guerreiro fictício representativo da etnia charrua, que conduz o leitor por um panorama imersivo da vida e da resistência deste povo, até os primeiros confrontos com os colonizadores europeus e o processo de extermínio que se seguiu. A proposta é realizar uma obra de alto valor artístico e cultural, com base em pesquisa histórica e antropológica, a ser desenvolvida pelos autores com ampla experiência no campo das artes gráficas e da narrativa visual.
Após o lançamento, 200 exemplares serão distribuídos gratuitamente para escolas públicas, bibliotecas comunitárias, centros culturais e espaços de preservação da memória indígena, majoritariamente na região metropolitana de Porto Alegre, mas também para o Rio Grande do Sul e gibitecas do país. A obra também será disponibilizada em formato de audiolivro descritivo, para deficientes visuais, que poderão acessá-las nas redes sociais ou baixá-las através de link. Informações do andamento do projeto podem ser acessadas no Facebook @ CharruaHQ e Instagram @charruahq.
AUTORES:
Moacir Martins – Publicou sua primeira HQ na revista “Histórias Sobrenaturais”, nos anos 1990, onde adaptou para quadrinhos as cartas de ouvintes do programa de rádio homônimo. Nessa mesma década foi selecionado quatro vezes para o Salão Internacional de Desenho para Imprensa de Porto Alegre, com as HQs “Pé de Unha”, “Luz e Sombra” e ilustrações, tendo colaborado com a HQ “Natureza Humana”, para a revista Porto e Virgula. Durante vários anos colabora como ilustrador e quadrinista da revista “Bodisatva” do Centro de Estudos Budistas de Porto Alegre. Publicou nos jornais locais “Já Porto Alegre” e “Oi Menino Deus”, além dos veículos sindicais “Versão dos Jornalistas”, do Sindicato dos jornalistas do RS; Sinergisul, dos eletricitários e nos anos 2000, por um longo período, na revista Vox Médica do sindicato médico SIMERS. Em 2002 atuou como ilustrador da série “O continente de São Pedro” da RBS TV e das revistas “Super Interessante – Aventura na História”. Em 2006 atuou como desenhista na execução de um painel para o Museu Sobre a História Geológica do Rio Grande do Sul da Unisinos (São Leopoldo/RS). Editou e publicou HQs na revista Picabu n° 4, pela editora Bestiário e foi co-criador e editor, no Projeto Esqueleto de Revistas em quadrinhos, em 2015. Atualmente produz com o reoteirista Rodinério da Rosa as ilutrações para a revista em quadrinhos “Brett”, publicada originalmente no RS e em seguida na revista italiana Skorpio. Em conjunto, trabalha como colorista para editora italiana em uma edição especial comemorativa dos 50 anos do personagem Ken Parker de Giancarlo Berardi e Ivo Milazzo.
Rodinério da Rosa – Videomaker, editor, desenhista e roteirista de 64 anos, começou como diagramador em jornais aos 16. Em 1984, na cidade de Rio Grande produziu o fanzine Mutação. No ano seguinte mudou para Porto Alegre, onde tornou-se um dos membros fundadores da GRAFAR, associação que reúne cartunistas, desenhistas de HQ e artistas gráficos do Rio Grande do Sul. Editou quatro números da revista independente “Made in Brasil Quadrinhos”, entre fim dos anos 80 até começo dos anos 90, na qual além de editar, escrevia e desenhava. Convidado pela Editora Escala de São Paulo, em 2001 editou a revistinha de humor “Talebang”, com tiragem nacional, paródia da guerra do Afeganistão iniciada pelos EUA em resposta aos atentados de 11 de setembro.
Em 2004, participou da exposição de cartuns do 3º Fórum Social Mundial (Porto Alegre), e seu cartum sobre a exploração da água por grandes corporações foi selecionado pela Human Rights da Suiça, para compor a cartilha impressa da entidade. Participou de diversas exposições de cartuns junto à Grafar.
É autor de diversos projetos gráficos de HQ, entre eles “Zaratustra” e “Dioniso”, “Almanaque do Terror” e “Mundo Gibis”. Desde 2021 edita de forma independente, autores nacionais e internacionais, com o selo Da Rosa Estúdio. Dentre estas edições estão “Brett”, “Exomens”, “Lampião”, “Boa Tirada”,”Artbook Julio Shimamoto” e “Freeman”, série sobre a escravidão nos EUA produzida por artistas italianos. “Brett”, seu principal personagem, também é publicado na Itália desde 2023, fazendo de Rodinério da Rosa o primeiro autor brasileiro a ter personagem próprio publicado como série na lendária Skoprio italiana.