Mostra reúne 100 anos da história da arte brasileira em um encontro inédito de acervos

 

A exposição “Nossos Brasis: entre o sonho e a realidade”, em cartaz na CAIXA Cultural Brasília, teve seu período de visitação prorrogado até 1º de fevereiro. Inicialmente prevista para encerrar em 18 de janeiro, a mostra segue aberta ao público com a proposta de apresentar um amplo panorama da arte brasileira ao longo de 100 anos (1920–2020), reunindo 79 obras de 50 artistas em um encontro raro de acervos do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília.

 

Pela primeira vez, obras de diferentes instituições e coleções particulares são colocadas lado a lado para construir uma narrativa visual inédita sobre o país. Pinturas, esculturas, tapeçarias, fotografias, instalações e objetos conduzem o visitante por um século de criação artística, revelando um Brasil múltiplo, contraditório e inventivo, entre o sonho e a realidade.

 

Diálogos entre tempos, linguagens e territórios

 

O ineditismo da exposição está tanto na reunião dos acervos, quanto nas conexões propostas entre períodos e estilos. O percurso estabelece diálogos diretos entre o impulso modernista dos anos 1920 e a potência expressiva da arte urbana contemporânea, cruzando o clássico e o popular, o ateliê e a rua. Obras de nomes consagrados da história da arte brasileira convivem com produções contemporâneas, criando novas leituras sobre a identidade visual do país.

 

Três núcleos que se interconectam

 

A curadoria de Denise Mattar, organizada a partir da concepção artística de Rafael Dragaud, traz três núcleos temáticos: Vozes dos Trópicos, Vozes da Rua e Vozes do Silêncio, que não se limitam a uma leitura cronológica, mas se entrelaçam em um mosaico dinâmico:

 

Vozes dos Trópicos: o núcleo se debruça sobre o imaginário que moldou a ideia de Brasil como paraíso exótico e exuberante, mas atravessado por tensões entre natureza e colonização, beleza e violência, mito e crítica. Obras de Tarsila do Amaral, Burle Marx, Beatriz Milhazes, Lygia Pape, Hélio Oiticica, Glauco Rodrigues, Denilson Baniwa, Ernesto Neto, Adriana Varejão, Rosana Paulino e outros conduzem o visitante a paisagens fabulosas e símbolos ancestrais, compondo um Brasil vibrante, colorido e solar.

Vozes da Rua: apresenta o Brasil popular em sua força criativa, onde a arte se inspira no compasso da rua, das festas e dos gestos cotidianos. Obras de Di Cavalcanti, Heitor dos Prazeres, Djanira, Volpi, Portinari, Beatriz Milhazes, Eduardo Kobra e outros retratam celebrações e rituais, revelando uma estética nascida da coletividade e da cultura que molda nossa identidade visual.

Vozes do Silêncio: aborda a outra face do Brasil, das questões psicológicas e íntimas, onde memória, espiritualidade e dor se transformam em criatividade. Maria Auxiliadora, Arthur Bispo do Rosário, Ismael Nery, Maria Lídia Magliani, Farnese de Andrade, Flávio Cerqueira, Vik Muniz e Nelson Leirner, entre outros, exploram corpo, fé, luto e exclusão como territórios poéticos, revelando dimensões invisíveis da experiência brasileira.

 

Experiência ampliada e acessível

 

Além do impacto de público, a exposição se destaca pelo caráter educativo e inclusivo, com recursos de acessibilidade como audiodescrição, tradução em Libras, materiais táteis e visitas mediadas, além de oficinas profissionalizantes em comunidades.

 

Em seus últimos dias, “Nossos Brasis: entre o sonho e a realidade” reafirma seu alcance ao convidar o público a revisitar, ou descobrir, um século de arte brasileira sob novas perspectivas, em uma experiência plural que faz o Brasil pulsar em cores, gestos e histórias.

 

“Nossos Brasis: entre o sonho e a realidade” é uma realização da CAIXA Cultural Brasília em parceria com a Agência Pira, com patrocínio da CAIXA e do Governo do Brasil.

 

Serviço:

Exposição: Nossos Brasis: entre o sonho e a realidade

 

Local: CAIXA Cultural Brasília – SBS Q. 4 Lotes 3/4 – Asa Sul, Brasília – DF, 70092-900

 

Galerias: Galeria Principal, Galeria Piccola I e Galeria Piccola II

 

Período: 21 de outubro de 2025 a 01 de fevereiro de 2026

 

Horários: terça a domingo, das 9h às 21h (segunda-feira fechado)

 

Entrada: gratuita | Classificação indicativa: livre

 

Acessibilidade: audiodescrição, Libras, materiais táteis e visitas mediadas

 

Patrocínio: CAIXA e Governo do Brasil