{"id":6607,"date":"2024-03-29T21:03:20","date_gmt":"2024-03-30T00:03:20","guid":{"rendered":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/?p=6607"},"modified":"2024-03-29T21:03:20","modified_gmt":"2024-03-30T00:03:20","slug":"curitiba-de-331-anos-e-os-alemaes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/curitiba-de-331-anos-e-os-alemaes\/","title":{"rendered":"CURITIBA DE 331 ANOS E OS ALEM\u00c3ES\u00a0"},"content":{"rendered":"<p>*Por Wilson Jos\u00e9 Andersen Ball\u00e3o<\/p>\n<p>No long\u00ednquo ano de 1833, chegaram a Curitiba Michael M\u00fcller e sua esposa Ana Krantz. Vindos da Alemanha, tinham se estabelecido inicialmente na cidade de Rio Negro.<\/p>\n<p>Michael M\u00fcller ou Miguel Alem\u00e3o, como passou a ser chamado ao imigrar para o Brasil, se declarou lavrador. Na verdade, era art\u00edfice, apesar de entender muito do cultivo da terra. Logo ap\u00f3s a sua chegada, abriu uma ferraria. Esta prosperou e propiciou a ele a compra de alguns im\u00f3veis ao redor da \u00e1rea onde hoje se localiza a Pra\u00e7a 19 de Dezembro. No bairro do Ah\u00fa, comprou terras para uma ch\u00e1cara. L\u00e1, plantou pela primeira vez em solo curitibano: batata-inglesa, \u00e1rvores frut\u00edferas, hortali\u00e7as e um parreiral. Tudo importado da Europa. Segundo consta, produzia vinho de boa qualidade. Cavou o primeiro po\u00e7o artesiano de Curitiba.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria de sucesso de Miguel Alem\u00e3o logo se propagou e chegou aos ouvidos dos imigrantes estabelecidos em Rio Negro e na Col\u00f4nia Dona Francisca (hoje cidade de Joinville &#8211; SC), instigando in\u00fameras fam\u00edlias a se transferirem para Curitiba.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Somente em 1856 vieram os primeiros emigrantes alem\u00e3es com destino previamente escolhido: Curitiba, agora a Capital da Prov\u00edncia do Paran\u00e1. Essas imigra\u00e7\u00f5es ocorreram regular e sucessivamente at\u00e9 o final do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>Na Curitiba de 1872 viviam 9.500 habitantes, dos quais 1500 eram imigrantes, na sua maioria alem\u00e3es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A integra\u00e7\u00e3o do elemento germ\u00e2nico \u00e0 cidade se deu rapidamente. Com a sua expressiva capacidade criadora de bens e servi\u00e7os, geradora de riquezas, os alem\u00e3es estavam presentes em quase todas as atividades do com\u00e9rcio, dos transportes, da ind\u00fastria e, inclusive, do ensino. Para podermos ter uma ideia do reconhecimento do progresso e desenvolvimento alcan\u00e7ado pelos alem\u00e3es \u00e0quela \u00e9poca, no ano de 1880, por ocasi\u00e3o de sua visita a Curitiba, Dom Pedro II fez quest\u00e3o de conhecer pessoalmente Miguel Alem\u00e3o e suas empresas, tendo ficado, segundo consta, bastante impressionado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>J\u00e1 no s\u00e9culo XX, por volta de 1975, tivemos a vinda de duas grandes empresas alem\u00e3s, a Bosch e a Siemens, que se instalaram na rec\u00e9m-criada Cidade Industrial de Curitiba. Com elas vieram tamb\u00e9m uma s\u00e9rie de fornecedores, trazendo in\u00fameros trabalhadores alem\u00e3es, que se juntaram aos habitantes da capital.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 1998, com a vinda da Audi e da Volkswagen, que se instalaram no munic\u00edpio vizinho de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Pinhais, o fen\u00f4meno se repetiu, agora em maior escala, em raz\u00e3o da cadeia de fornecedores, dessas montadoras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Curitiba se modificou por completo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando me recordo da Curitiba dos anos 50, 60, 70, 80 e 90, me lembro como ela era pacata e provinciana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tive a felicidade de brincar nas cal\u00e7adas da ent\u00e3o Fundi\u00e7\u00e3o M\u00fcller, onde hoje est\u00e1 localizado o shopping com o mesmo nome. Me recordo de comprar cereais &#8211; trigo, milho, arroz &#8211; a granel no Armaz\u00e9m Weigert, carne no A\u00e7ougue Garmatter (Julio Garmatter, emigrante alem\u00e3o, que se tornou o rei da carne em Curitiba).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Acompanhando o meu pai, muitas vezes, compramos \u00e1lcool em vidros de 100ml, na Farm\u00e1cia Stellfeld, na Pra\u00e7a Tiradentes (Augusto Stellfeld, emigrante alem\u00e3o que abriu a primeira farm\u00e1cia de Curitiba). No Alto da Gl\u00f3ria presenciei muitos pianos sendo embarcados, para serem tocados pelo mundo afora (Florian Essenfelder, emigrante alem\u00e3o, fundou a f\u00e1brica dos famosos pianos Essenfelder). Me recordo de ter comprado muita \u201cDelikatessen\u201d na famosa Casa da Manteiga, da Frau Hilda, e de ter comido muita coalhada na Confeitaria Schaffer na Rua XV.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Hoje s\u00f3 restou a broa de centeio da Padaria Am\u00e9rica (fundada em 1913 por Eduardo Engelhardt, filho do emigrante alem\u00e3o Friedrich Philipp Ludwig Eduard Engelhardt).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em compensa\u00e7\u00e3o, me orgulho muito em dirigir o meu Volkswagen produzido na \u201cGrande Curitiba\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Desde a chegada de Miguel Alem\u00e3o, muita coisa aconteceu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como vimos, a influ\u00eancia dos alem\u00e3es foi marcante em todas as \u00e1reas e segmentos. Inclusive na maneira de falar. Algumas palavras s\u00e3o pr\u00f3prias da capital dos curitibanos, pois somente aqui s\u00e3o faladas e compreendidas. Vale mencionar: vina (salsicha do sandu\u00edche de cachorro-quente, palavra oriunda do idioma alem\u00e3o \u2013 Wiener) e cuque (bolo coberto de farofa, palavra vinda do idioma alem\u00e3o &#8211; Kuchen).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essas \u201cocorr\u00eancias lingu\u00edsticas\u201d s\u00e3o previs\u00edveis quando culturas diferentes se entrela\u00e7am, da forma que se deu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Muito mais importantes que as palavras vina e cuque, foram aquelas faladas, ensinadas e praticadas por Miguel Alem\u00e3o e seus conterr\u00e2neos, quais sejam: seriedade, dedica\u00e7\u00e3o, determina\u00e7\u00e3o e, principalmente, trabalho s\u00e9rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essas palavras, tomadas ao p\u00e9 da letra, fizeram da nossa querida Curitiba uma cidade que, apesar dos seus 3 milh\u00f5es de habitantes, se considerarmos a grande Curitiba, \u00e9 um bom lugar de se viver.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nos anos 60, Curitiba era conhecida como \u201cCidade Sorriso\u201d. Confesso que jamais entendi tal ironia, uma vez que os curitibanos eram conhecidos, em todo o pa\u00eds, por ser um povo fechado, t\u00edmido e at\u00e9 mesmo antip\u00e1tico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Somente agora entendo. Est\u00e1vamos guardando o sorriso em nossas faces, e agora ele explodiu, n\u00e3o s\u00f3 no rosto, mas principalmente em nossos cora\u00e7\u00f5es, dado o orgulho e felicidade de vivermos aqui, na cidade de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais. Os alem\u00e3es continuam &#8220;imigrando&#8221;, por meio de empresas que aqui se estabelecem. Recentemente escutei, pessoalmente, de um grande empres\u00e1rio da Baviera, cuja companhia se instalou na Cidade Industrial de Curitiba: &#8220;a escolha de Curitiba como sede da empresa, foi a mais acertada. Conseguimos os melhores trabalhadores do Brasil, todos queriam morar aqui&#8221;. Isto gra\u00e7as ao nosso her\u00f3i, Miguel Alem\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como um curitibano feliz, invoco os dizeres de nosso Burgomestre (B\u00fcrgermeister)&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Es lebe Curitiba! Quero dizer: Viva Curitiba!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>* Wilson Jos\u00e9 Andersen Ball\u00e3o \u00e9 advogado e s\u00f3cio fundador do escrit\u00f3rio Andersen Ball\u00e3o Advocacia e vice-diretor da C\u00e2mara de Com\u00e9rcio e Ind\u00fastria Brasil Alemanha \u2013 filial Paran\u00e1 (AHK Paran\u00e1). Em 2015 foi condecorado com a Cruz do M\u00e9rito da Rep\u00fablica Federal da Alemanha concedido pelo Presidente alem\u00e3o Joachim Gauck e, em 2023, foi homenageado pela Comenda Municipal da Ordem da Luz dos Pinhais de Curitiba entregue pelo prefeito Rafael Greca.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Por Wilson Jos\u00e9 Andersen Ball\u00e3o No long\u00ednquo ano de 1833, chegaram a Curitiba Michael M\u00fcller e sua esposa Ana Krantz. Vindos da Alemanha, tinham se &hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":6608,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-6607","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","latest_post"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6607","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6607"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6607\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6609,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6607\/revisions\/6609"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6608"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6607"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6607"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6607"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}