{"id":52957,"date":"2026-09-30T02:00:40","date_gmt":"2026-09-30T05:00:40","guid":{"rendered":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/?p=52957"},"modified":"2026-09-29T18:02:15","modified_gmt":"2026-09-29T21:02:15","slug":"dia-de-yerra-um-certo-edipo-solo-teatral-idealizado-por-joao-monteiro-estreia-no-teatro-oficina-olga-reverbel-dias-3-e-4-de-outubro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/dia-de-yerra-um-certo-edipo-solo-teatral-idealizado-por-joao-monteiro-estreia-no-teatro-oficina-olga-reverbel-dias-3-e-4-de-outubro\/","title":{"rendered":"D\u00cdA DE YERRA &#8211; UM CERTO \u00c9DIPO, SOLO TEATRAL IDEALIZADO POR J\u00d6\u00c3O MONTEIRO, ESTREIA NO TEATRO OFICINA OLGA REVERBEL DIAS 3 E 4 DE OUTUBRO"},"content":{"rendered":"<p>O espet\u00e1culo nasce do encontro entre uma investiga\u00e7\u00e3o pessoal, uma pesquisa psicanal\u00edtica e a rela\u00e7\u00e3o do artista com sua pr\u00f3pria identidade ga\u00facha<\/p>\n<p>Depois de anos vivendo fora do Rio Grande do Sul, especialmente entre Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo, J\u00f6\u00e3o Monteiro retorna ao estado e estabelece resid\u00eancia em Porto Alegre. \u00c9 nesse retorno que uma pergunta come\u00e7a a ganhar for\u00e7a: o que significa voltar para uma terra que, de alguma maneira, j\u00e1 havia decidido quem voc\u00ea deveria ser antes mesmo de voc\u00ea saber quem era?<\/p>\n<p>Ga\u00facho, criado em uma regi\u00e3o atravessada pela cultura de fronteira e pelas tradi\u00e7\u00f5es do Pampa, na cidade de Jaguar\u00e3o, teve na inf\u00e2ncia e na juventude contato di\u00e1rio com a cultura binacional. Com o ga\u00facho que surge dessa margem, J\u00f6\u00e3o come\u00e7a a aproximar sua experi\u00eancia como homem gay daquilo que vinha estudando na psican\u00e1lise. Dessas pesquisas e estudos, surge a necessidade de revisitar o complexo de \u00c9dipo n\u00e3o apenas como estrutura psicanal\u00edtica, mas como uma tecnologia cultural de produ\u00e7\u00e3o de fam\u00edlia, g\u00eanero, desejo, masculinidade e pertencimento frente ao tradicionalismo. Esse \u00e9 o ponto de partida para a constru\u00e7\u00e3o de D\u00eda de Yerra \u2013 Um Certo \u00c9dipo, que estreia 3 e 4 de outubro no Teatro Oficina Olga Reverbel, seguindo depois para pequena temporada no Teatro Carlos Carvalho, dias 8 e 9.<\/p>\n<p>Pensado, escrito, protagonizado e dirigido por esse inquieto artista, a montagem parte de tr\u00eas refer\u00eancias centrais: \u201c\u00c9dipo Rei\u201d, de S\u00f3focles; \u201cO Anti-\u00c9dipo\u201d, de Gilles Deleuze e F\u00e9lix Guattari; e \u201c\u00c9dipo Gay\u201d, do psicanalista argentino Jorge Reitter. A dramaturgia coloca essas refer\u00eancias em atrito com o imagin\u00e1rio do ga\u00facho, da tradi\u00e7\u00e3o e da masculinidade constru\u00edda no Pampa. \u00c9 desse encontro que surge a yerra, nome dado \u00e0 pr\u00e1tica tradicional de reunir o gado para sua marca\u00e7\u00e3o e outros procedimentos ligados \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o e ao manejo dos animais na regi\u00e3o do Prata, especialmente no Uruguai e Argentina.<\/p>\n<p>No espet\u00e1culo, essa imagem deixa de pertencer somente ao gado e passa para o corpo humano. Antes mesmo de nascer &#8211; e certamente antes de compreender seu pr\u00f3prio desejo, um homem j\u00e1 encontra uma s\u00e9rie de expectativas \u00e0 sua espera. H\u00e1 uma fam\u00edlia imaginada, uma masculinidade prevista, comportamentos, afetos e desejos permitidos. H\u00e1 uma tradi\u00e7\u00e3o dizendo o que um homem deve ser. Assim como o animal recebe uma marca que determina pertencimento e propriedade, o corpo tamb\u00e9m \u00e9 marcado. \u00c9 nesse ponto que D\u00eda de Yerra estabelece seu paralelo entre a marca\u00e7\u00e3o do gado e a forma\u00e7\u00e3o do sujeito dissidente.<\/p>\n<p>O que acontece quando o desejo de um homem n\u00e3o cabe na heran\u00e7a que lhe foi destinada? \u201cA investiga\u00e7\u00e3o passa tamb\u00e9m por uma cr\u00edtica \u00e0 maneira como determinadas leituras psicanal\u00edticas historicamente organizaram o desejo a partir de uma estrutura heteronormativa. O espet\u00e1culo n\u00e3o pretende negar Freud ou simplesmente responder \u00e0 psican\u00e1lise, mas entrar em confronto com ela: olhar para o \u00c9dipo a partir do corpo que ficou do lado de fora da fam\u00edlia que o pr\u00f3prio \u00c9dipo ajudou a imaginar\u201d reflete J\u00f6\u00e3o Monteiro.<\/p>\n<p>Se algumas formula\u00e7\u00f5es cl\u00e1ssicas tentaram explicar por que um homem homossexual n\u00e3o deseja uma mulher, D\u00eda de Yerra desloca a pergunta: que estruturas sociais, familiares e culturais trabalham permanentemente para devolver esse homem ao arm\u00e1rio, \u00e0 norma e ao destino que haviam preparado para ele? No centro do espet\u00e1culo est\u00e1 um homem ga\u00facho. Ele carrega consigo uma heran\u00e7a que n\u00e3o escolheu, mas da qual tampouco consegue simplesmente se desfazer. O cavalo, o gado, a terra, a fam\u00edlia, o pai, a m\u00e3e, a masculinidade, o trabalho, a tradi\u00e7\u00e3o, a viol\u00eancia e o pertencimento fazem parte de sua forma\u00e7\u00e3o. O espet\u00e1culo n\u00e3o parte de uma nega\u00e7\u00e3o do gauchismo, pelo contr\u00e1rio, parte do reconhecimento de que essa tradi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m constitui o artista. E tamb\u00e9m busca trazer luz para a exist\u00eancia desses corpos dentro da tradi\u00e7\u00e3o, pois h\u00e1 um apagamento hist\u00f3rico acontecendo.<\/p>\n<p>Embora atravesse quest\u00f5es que pertencem \u00e0 trajet\u00f3ria de J\u00f6\u00e3o Monteiro, este n\u00e3o \u00e9 espet\u00e1culo autobiogr\u00e1fico. Aqui, a tradi\u00e7\u00e3o n\u00e3o aparece como inimiga, ela \u00e9 mem\u00f3ria, afeto, linguagem e pertencimento, mas tamb\u00e9m pode ser cerca. A cria\u00e7\u00e3o conta com orienta\u00e7\u00e3o c\u00eanica de Renato Del Camp\u00e3o e dramaturgismo de Anna Chepp. Val\u00e9ria Barcellos participa do processo como parceira nas investiga\u00e7\u00f5es relacionadas a g\u00eanero, dissid\u00eancia, corpo e representa\u00e7\u00e3o, contribuindo para o aprofundamento dessas quest\u00f5es dentro da constru\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Rafael Er\u00ea Guarani integra o projeto como produtor associado e parceiro do processo criativo, participando tamb\u00e9m da constru\u00e7\u00e3o musical\/trilha do espet\u00e1culo.<\/p>\n<p>J\u00f6\u00e3o Monteiro \u00e9 ator, diretor, dramaturgo, roteirista, jornalista e produtor cultural. Formado pelo Teatro Escola de Pelotas, integrou o Grupo N\u00f3s do Morro, no Rio de Janeiro, e a \u00faltima turma de forma\u00e7\u00e3o de Antunes Filho no Centro de Pesquisa Teatral, em S\u00e3o Paulo, participando do derradeiro processo de Pr\u00eat-\u00e0-Porter desenvolvido sob acompanhamento do diretor. Trabalhou com artistas e grupos como Bia Lessa e Grupo Galp\u00e3o e integrou Cartas ao Mundo, no Sesc Avenida Paulista, al\u00e9m de duas montagens da \u00f3pera O Amor das Tr\u00eas Laranjas, sob dire\u00e7\u00e3o de Ulisses Carlos Vasconcelos. No Rio Grande do Sul, desenvolve projetos em teatro, m\u00fasica e audiovisual atravessados por quest\u00f5es de identidade, territ\u00f3rio e dissid\u00eancia. \u00c9 roteirista e diretor do curta-metragem M\u00e3e, protagonizado por Val\u00e9ria Barcellos, e idealizador e diretor art\u00edstico de projetos musicais que tensionam e ampliam as representa\u00e7\u00f5es do imagin\u00e1rio ga\u00facho. Em D\u00eda de Yerra \u2013 Um Certo \u00c9dipo, transforma essa trajet\u00f3ria de investiga\u00e7\u00e3o em mat\u00e9ria autobiogr\u00e1fica e c\u00eanica, colocando seu pr\u00f3prio corpo e sua rela\u00e7\u00e3o com a masculinidade, o desejo e a tradi\u00e7\u00e3o no centro do trabalho.<\/p>\n<p>Ficha t\u00e9cnica<\/p>\n<p>Atua\u00e7\u00e3o e dire\u00e7\u00e3o: J\u00f6\u00e3o Monteiro<\/p>\n<p>Texto e dramaturgia: J\u00f6\u00e3o Monteiro<\/p>\n<p>Dramaturgismo: Anna Laura Chepp<\/p>\n<p>Orienta\u00e7\u00e3o c\u00eanica: Renato del Camp\u00e3o<\/p>\n<p>Dire\u00e7\u00e3o de movimentos: Emily Borghetti<\/p>\n<p>M\u00fasica tema: Clarissa Ferreira<\/p>\n<p>Figurino, cenografia e adere\u00e7os: Lorena Fonseca<\/p>\n<p>Desenho de luz: Eduardo Kraemer<\/p>\n<p>Desenho de som e paisagem sonora: Ricardo Diesel<\/p>\n<p>T\u00e9cnico de i\u00e7amento: Gabriel Campos<\/p>\n<p>Cenot\u00e9cnico: Paulo Ricardo Pereira<\/p>\n<p>Consultoria de g\u00eanero e dissid\u00eancias: Val\u00e9ria Barcellos<\/p>\n<p>Identidade visual: Andy Matte<\/p>\n<p>Fotos: Edson Filho<\/p>\n<p>Assessoria de imprensa: Beb\u00ea Baumgarten<\/p>\n<p>Produtor associado: Rafael Er\u00ea Guarani<\/p>\n<p>Assistente de Produ\u00e7\u00e3o: Cacau Marzulo<\/p>\n<p>Produ\u00e7\u00e3o executiva: JM Produ\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>D\u00cdA DE YERRA \u2013 Um Certo \u00c9dipo<\/p>\n<p>Solo de J\u00f6\u00e3o Monteiro<\/p>\n<p>Dias 3 e 4 de outubro, \u00e0s 19h<\/p>\n<p>Teatro Oficina Olga Reverbel \u2013 Multipalco Eva Sopher &#8211; Rua Riachuelo 1089<\/p>\n<p>Entrada franca<\/p>\n<p>Dias 8 e 9 de outubro, \u00e0s 20h<\/p>\n<p>Teatro Carlos Carvalho \u2013 CCMQ \u2013 Rua dos Andradas, 736<\/p>\n<p>Entrada franca<\/p>\n<p>Redes:<\/p>\n<p>https:\/\/www.joaomonteiroproducoes.com.br\/<\/p>\n<p>https:\/\/www.instagram.com\/joaofmonteirooficial\/<\/p>\n<p>https:\/\/www.instagram.com\/diadeyerra\/<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O espet\u00e1culo nasce do encontro entre uma investiga\u00e7\u00e3o pessoal, uma pesquisa psicanal\u00edtica e a rela\u00e7\u00e3o do artista com sua pr\u00f3pria identidade ga\u00facha Depois de anos &hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":52958,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-52957","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","latest_post"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52957","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=52957"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52957\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":52959,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52957\/revisions\/52959"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/52958"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=52957"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=52957"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=52957"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}