{"id":45666,"date":"2026-06-22T01:30:13","date_gmt":"2026-06-22T04:30:13","guid":{"rendered":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/?p=45666"},"modified":"2026-06-18T19:30:05","modified_gmt":"2026-06-18T22:30:05","slug":"quando-comeca-a-chover-o-coracao-bate-mais-forte-livro-de-mirian-fichtner-tera-lancamento-dia-25-de-junho-as-19h-na-cinemateca-paulo-amorim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/quando-comeca-a-chover-o-coracao-bate-mais-forte-livro-de-mirian-fichtner-tera-lancamento-dia-25-de-junho-as-19h-na-cinemateca-paulo-amorim\/","title":{"rendered":"QUANDO COME\u00c7A A CHOVER O CORA\u00c7\u00c3O BATE MAIS FORTE, LIVRO DE MIRIAN FICHTNER, TER\u00c1 LAN\u00c7AMENTO DIA 25 DE JUNHO, \u00c0S 19H, NA CINEMATECA PAULO AMORIM"},"content":{"rendered":"<p>Na ocasi\u00e3o ser\u00e1 exibido document\u00e1rio de curta-metragem hom\u00f4nimo, dirigido por Mirian e premiado em festivais. Ambos os projetos abordam com sensibilidade a enchente de 2024 em Porto Alegre<\/p>\n<p>H\u00e1 momentos em que a fotografia deixa de ser apenas testemunho para se tornar consci\u00eancia. O trabalho de Mirian Fichtner sobre as enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul pertence a essa linhagem rara de imagens que n\u00e3o apenas registram, mas instauram um campo \u00e9tico incontorn\u00e1vel diante do qual n\u00e3o h\u00e1 neutralidade poss\u00edvel. Assim, com o olhar e a sensibilidade de quem conhece a arte, Eder Chiodetto abre seu texto curatorial sobre o livro Quando come\u00e7a a chover o cora\u00e7\u00e3o bate mais forte, de Mirian Fichtner, que, para nossa sorte, ter\u00e1 lan\u00e7amento em Porto Alegre dia 25 de junho, \u00e0s 19h, na Cinemateca Paulo Amorim. Na ocasi\u00e3o ser\u00e1 exibido o document\u00e1rio curta-metragem de mesmo nome, dirigido por Mirian, sobre as enchentes de maio de 2024 no RS. O filme, assim como o livro, vai al\u00e9m de um registro hist\u00f3rico, mergulha no olhar dos atingidos, tecendo um invent\u00e1rio dos medos, traumas na vida dos que perderam tudo, especialmente as popula\u00e7\u00f5es perif\u00e9ricas negras, mulheres, idosas e crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Mirian estava em Porto Alegre em maio de 2024. Ga\u00facha radicada no Rio de Janeiro, havia viajado ao sul para visitar a fam\u00edlia quando foi surpreendida pela enchente. \u201cChovia ininterruptamente h\u00e1 mais de uma semana. Nas periferias e na regi\u00e3o metropolitana, os p\u00e1ssaros pararam de cantar. Os c\u00e3es n\u00e3o latiam. Nada mais parecia ter vida nestes lugares, a n\u00e3o ser a \u00e1gua. O sil\u00eancio sinistro e perturbador s\u00f3 era rompido pelo som da urg\u00eancia dos helic\u00f3pteros e das ambul\u00e2ncias. Profiss\u00e3o rep\u00f3rter: me senti convocada. \u00c0 revelia do luto pela morte recente de minha m\u00e3e, fotografar tornou-se imperativo\u201d, refletiu a jornalista e fot\u00f3grafa experiente, com uma carreira dedicada ao jornalismo e \u00e0 arte. \u201cO Rio Grande do Sul estava submergindo e os ga\u00fachos contabilizavam o incalcul\u00e1vel de suas perdas. Sem \u00e1gua e luz por dez dias, eu presenciava o inimagin\u00e1vel: o maior desastre por inunda\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria do estado, e tamb\u00e9m um dos maiores ocorridos no Brasil\u201d, prossegue.<\/p>\n<p>E assim, dedicou-se a registar aquele momento t\u00e3o \u00fanico quanto assustador, uma trag\u00e9dia clim\u00e1tica anunciada, negligenciada pelo poder p\u00fablico e de propor\u00e7\u00f5es que o Brasil ainda n\u00e3o havia visto. O resultado est\u00e1 no livro de Mirian, um relato po\u00e9tico, triste, belo e verdadeiro da enchente de 2024. \u201cTentei traduzir com imagens o que os n\u00fameros das estat\u00edsticas n\u00e3o mostram. A emo\u00e7\u00e3o superava as palavras e as imagens falavam por si. A minha sensa\u00e7\u00e3o era a de estar num filme de terror, documentando o fim do mundo. Evitei fotografar as pessoas e mostrar seus rostos dilacerados pela dor. Entendi, olhando em seus olhos, que uma fotografia dessas iria simbolicamente prend\u00ea-los eternamente \u00e0quele momento. N\u00e3o os fotografar naquela situa\u00e7\u00e3o era o \u00fanico manifesto de esperan\u00e7a que eu poderia oferecer. Sim, h\u00e1 imagens que n\u00e3o devem ser feitas. Foi algo que aprendi naqueles dias, diante da dor dos outros\u201d, relembra a autora.<\/p>\n<p>Eder Chiodetto, em seu texto, diz que \u201cao percorrer estas p\u00e1ginas, somos atravessados por uma visualidade de alta densidade formal. A composi\u00e7\u00e3o rigorosa, a leitura aguda da luz e o uso expressivo da cor, que tensionam at\u00e9 o limite entre o belo e o insuport\u00e1vel, inscrevem o ensaio de Fichtner em uma tradi\u00e7\u00e3o que dialoga com a pintura, sem jamais abdicar da urg\u00eancia do real. H\u00e1, em suas imagens, um dom\u00ednio est\u00e9tico que n\u00e3o suaviza a trag\u00e9dia, mas a torna ainda mais incisiva. \u00c9 precisamente essa fric\u00e7\u00e3o entre forma elevada e conte\u00fado brutal que faz com que cada fotografia se fixe na mem\u00f3ria como um vest\u00edgio imposs\u00edvel de apagar.<\/p>\n<p>Na obra de 212 p\u00e1ginas, em papel Mat\u00e9rica Kraft 250g e couch\u00e9 fosco 150g, est\u00e3o 107 fotografias, intercaladas com os textos de Mirian, de Eder Chiodetto e tamb\u00e9m de Carlos Nobre e Jos\u00e9 A. Marengo, que trazem o contexto desta trag\u00e9dia, com dados estat\u00edsticos, estudos e pesquisas. Eles afirmam que o livro e o filme Quando come\u00e7a a chover o cora\u00e7\u00e3o bate mais forte s\u00e3o importantes ferramentas, atrav\u00e9s das fotografias e do audiovisual, para a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e a urg\u00eancia de sensibilizar e preparar as popula\u00e7\u00f5es para os eventos extremos. \u201cAs novas gera\u00e7\u00f5es devem assumir a lideran\u00e7a na busca de trajet\u00f3rias de sustentabilidade para o planeta com \u00eanfase em justi\u00e7a social e clim\u00e1tica. Se n\u00e3o mudarmos o rumo do aquecimento global e das pr\u00e1ticas devastadoras do meio ambiente, muitas regi\u00f5es como o Estado do Rio Grande do Sul se tornar\u00e3o inabit\u00e1veis\u201d.<\/p>\n<p>Sobre a autora<\/p>\n<p>Mirian Fichtner \u00e9 jornalista, fot\u00f3grafa e documentarista, radicada no Rio de Janeiro. Atuou nos principais jornais e revistas do Brasil. Possui v\u00e1rios livros publicados e exposi\u00e7\u00f5es realizadas no Brasil e exterior. Recebeu mais de 18 pr\u00eamios nacionais e internacionais por seu trabalho fotogr\u00e1fico. Em 2006, criou a Pluf Fotografias e Audiovisual para atender o mercado editorial, corporativo e audiovisual. Em 2021, estreou na produ\u00e7\u00e3o, dire\u00e7\u00e3o e fotografia de longas-metragens com o document\u00e1rio Cavalo de Santo, premiado em mais de 15 festivais no Brasil e exterior, entre os quais recebeu quatro Kikitos no 49\u00ba Festival Internacional de Gramado. O document\u00e1rio est\u00e1 em cartaz na plataforma GloboPlay. No ano de 2026, o Cavalo de Santo serviu de refer\u00eancia para o enredo da G.R.E.S. Portela. Em 2025, produziu, dirigiu e fotografou o document\u00e1rio Quando come\u00e7a a chover o cora\u00e7\u00e3o bate mais forte, sobre as enchentes de maio de 2024, no Rio Grande do Sul, que deu origem ao livro hom\u00f4nimo.<\/p>\n<p>Ficha t\u00e9cnica:<\/p>\n<p>Fotografias &#8211; Mirian Fichtner<\/p>\n<p>Concep\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o &#8211; Mirian Fichtner e Carlos Caramez (Pluf Fotografias e Audiovisual)<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o &#8211; Eder Chiodetto<\/p>\n<p>Co-edi\u00e7\u00e3o &#8211; Fabiana Bruno<\/p>\n<p>Coordena\u00e7\u00e3o editorial \u2013 Fot\u00f4 Editorial I Elaine Pessoa<\/p>\n<p>Textos &#8211; Mirian Fichtner, Carlos A. Nobre e Jos\u00e9 A. Marengo, Eder Chiodetto e Rodrigo Assump\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Design gr\u00e1fico &#8211; F\u00e1bio Messias (Zootz Comunica\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o e revis\u00e3o &#8211; Silmara de Oliveira<\/p>\n<p>Produ\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica &#8211; L\u00edlia G\u00f3es<\/p>\n<p>Tratamento de imagens &#8211; Jos\u00e9 Fujocka<\/p>\n<p>Fotografias de arquivos (enchente de 1941) &#8211; Museu Joaquim Felizardo e Museu da Comunica\u00e7\u00e3o Hip\u00f3lito Jos\u00e9 da Costa<\/p>\n<p>Drone &#8211; Carlos Macedo<\/p>\n<p>Publisher &#8211; Eder Chiodetto<\/p>\n<p>Impress\u00e3o &#8211; Margraf<\/p>\n<p>Parcerias &#8211; Pluf Fotografias e Audiovisual, Caminho do Mar Solu\u00e7\u00f5es Culturais e Cubo Filmes<\/p>\n<p>Patroc\u00ednio \u2013 Dataprev<\/p>\n<p>QUANDO COME\u00c7A A CHOVER O CORA\u00c7\u00c3O BATE MAIS FORTE<\/p>\n<p>Lan\u00e7amento do livro de Mirian Fichtner<\/p>\n<p>25 de junho, \u00e0s 19h<\/p>\n<p>Cinemateca Paulo Amorim \/ CCMQ \u2013 Rua dos Andradas, 736. Centro Hist\u00f3rico<\/p>\n<p>Entrada franca<\/p>\n<p>*Na ocasi\u00e3o ser\u00e1 exibido o document\u00e1rio hom\u00f4nimo<\/p>\n<p>QR Code para o curta metragem, de Mirian Fichtner<\/p>\n<p>Redes da artista\/livro\/filme:<\/p>\n<p>https:\/\/www.instagram.com\/mirianfichtner\/<\/p>\n<p>https:\/\/www.instagram.com\/quando_comeca_a_chover_\/<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na ocasi\u00e3o ser\u00e1 exibido document\u00e1rio de curta-metragem hom\u00f4nimo, dirigido por Mirian e premiado em festivais. 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