{"id":44495,"date":"2026-05-27T00:40:32","date_gmt":"2026-05-27T03:40:32","guid":{"rendered":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/?p=44495"},"modified":"2026-05-27T21:14:59","modified_gmt":"2026-05-28T00:14:59","slug":"mulheres-sao-protagonistas-em-apenas-10-dos-shows-de-festivais-de-musica-instrumental-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/mulheres-sao-protagonistas-em-apenas-10-dos-shows-de-festivais-de-musica-instrumental-no-brasil\/","title":{"rendered":"MULHERES S\u00c3O PROTAGONISTAS EM APENAS 10% DOS SHOWS DE FESTIVAIS DE M\u00daSICA INSTRUMENTAL NO BRASIL"},"content":{"rendered":"<p>N\u00famero cai para 1% quando o recorte \u00e9 de mulheres negras e integra pesquisa in\u00e9dita O Palco Que nos Deve, que mapeou a presen\u00e7a feminina na m\u00fasica instrumental em festivais de todo o pa\u00eds<\/p>\n<p>O projeto \u201cO Palco que Nos Deve: Mulheres e a conquista do espa\u00e7o na M\u00fasica Instrumental\u201d mapeou festivais em todo o pa\u00eds para quantificar e analisar a participa\u00e7\u00e3o feminina em espa\u00e7os historicamente ocupados majoritariamente por homens. Foto: L\u00eddia Brancher<\/p>\n<p>Embora a m\u00fasica instrumental brasileira seja reconhecida internacionalmente pela diversidade, inova\u00e7\u00e3o e excel\u00eancia t\u00e9cnica, os palcos dos festivais do g\u00eanero seguem majoritariamente ocupados por homens. \u00c9 o que revela a pesquisa in\u00e9dita \u201cO Palco que Nos Deve: Mulheres e a conquista do espa\u00e7o na M\u00fasica Instrumental\u201d, desenvolvida pelas pesquisadoras catarinenses Valentina Bravo e Caroline Cantelli. O levantamento aponta que mulheres protagonizam apenas 10% dos shows apresentados em festivais de m\u00fasica instrumental no Brasil. Quando o recorte considera mulheres negras, o \u00edndice despenca para apenas 1%.<\/p>\n<p>Realizada entre junho de 2025 e maio de 2026, a pesquisa analisou a programa\u00e7\u00e3o de festivais de m\u00fasica instrumental de diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds, cruzando dados quantitativos com entrevistas em profundidade realizadas com 12 instrumentistas, compositoras e arranjadoras brasileiras de diferentes gera\u00e7\u00f5es e territ\u00f3rios. O estudo investigou quem ocupa os palcos, quais instrumentos essas mulheres tocam, quais espa\u00e7os lhes s\u00e3o destinados nas programa\u00e7\u00f5es, como quest\u00f5es de g\u00eanero e ra\u00e7a atravessam suas trajet\u00f3rias profissionais e as barreiras estruturais e viol\u00eancias que sofrem durante a sua trajet\u00f3ria<\/p>\n<p>A metodologia envolveu o mapeamento de line-ups de 28 festivais nacionais dedicados \u00e0 m\u00fasica instrumental, totalizando 522 shows analisados e 2.369 artistas identificados. A pesquisa buscou reconhecer quem ocupava posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a nos projetos musicais apresentados. Foram considerados shows protagonizados por mulheres aqueles assinados por instrumentistas, compositoras ou arranjadoras \u00e0 frente de trabalhos autorais ou feats &#8211; quando s\u00e3o convidadas especiais de outros shows. O levantamento tamb\u00e9m categorizou ra\u00e7a, regi\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o dos projetos, com o objetivo de compreender as desigualdades estruturais presentes no circuito instrumental brasileiro.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos \u00edndices gerais de desigualdade, a pesquisa identificou mudan\u00e7as recentes na presen\u00e7a feminina nos festivais analisados. Em 2024, metade dos eventos mapeados contou com ao menos uma mulher protagonista em sua programa\u00e7\u00e3o. J\u00e1 em 2025, esse percentual subiu para 75% dos festivais, apesar de muitos deles s\u00f3 contarem com a participa\u00e7\u00e3o de uma mulher ou um grupo feminino. Embora os n\u00fameros ainda revelem um cen\u00e1rio de forte desequil\u00edbrio, as pesquisadoras apontam que o avan\u00e7o demonstra o impacto da mobiliza\u00e7\u00e3o de artistas, coletivos e produtoras culturais que v\u00eam reivindicando maior espa\u00e7o na m\u00fasica instrumental brasileira. O crescimento tamb\u00e9m dialoga com discuss\u00f5es mais amplas sobre g\u00eanero que atravessam diferentes setores da sociedade e t\u00eam pressionado institui\u00e7\u00f5es culturais, curadorias e festivais a rever pr\u00e1ticas historicamente excludentes.<\/p>\n<p>Para Valentina Bravo, idealizadora e pesquisadora do projeto, os n\u00fameros evidenciam um apagamento hist\u00f3rico que ultrapassa a quest\u00e3o da representatividade. \u201cQuando come\u00e7amos a cruzar os dados, ficou evidente que n\u00e3o estamos falando apenas de aus\u00eancia, mas de uma estrutura que historicamente restringe o acesso das mulheres aos espa\u00e7os de cria\u00e7\u00e3o, lideran\u00e7a e reconhecimento na m\u00fasica instrumental. Existe uma naturaliza\u00e7\u00e3o dessa desigualdade, como se determinados instrumentos, linguagens e posi\u00e7\u00f5es ainda pertencessem aos homens\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Caroline Cantelli, pesquisadora e coordenadora de comunica\u00e7\u00e3o do projeto, destaca que a pesquisa tamb\u00e9m revelou o impacto subjetivo desse cen\u00e1rio nas trajet\u00f3rias das artistas entrevistadas. \u201cMuitas mulheres relataram experi\u00eancias de isolamento, questionamento t\u00e9cnico constante e dificuldade de perman\u00eancia no mercado. Ao mesmo tempo, encontramos trajet\u00f3rias extremamente potentes, constru\u00eddas com excel\u00eancia art\u00edstica, coletividade e resist\u00eancia. S\u00e3o mulheres que seguem criando, mesmo diante de estruturas que frequentemente tentam invisibiliz\u00e1-las\u201d, diz.<\/p>\n<p>As entrevistas qualitativas realizadas pelo projeto reuniram nomes como L\u00e9a Freire, Camila Alves, Larissa Umayt\u00e1, Suzete Santos, Nat\u00e1lia Livramento, Mari Leonel e Denise de Castro. Os relatos abordam temas como forma\u00e7\u00e3o musical, mercado de trabalho, maternidade, racismo, desigualdade de oportunidades e aus\u00eancia de refer\u00eancias femininas nos palcos e na hist\u00f3ria da m\u00fasica instrumental brasileira.<\/p>\n<p>Os dados dialogam com outros levantamentos recentes sobre desigualdade de g\u00eanero na ind\u00fastria da m\u00fasica no Brasil, que apontam baixa participa\u00e7\u00e3o feminina em festivais, direitos autorais e posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a no setor.<\/p>\n<p>Mais do que produzir um diagn\u00f3stico, \u201cO Palco que Nos Deve\u201d prop\u00f5e uma reflex\u00e3o sobre quais artistas s\u00e3o legitimadas historicamente como refer\u00eancias da m\u00fasica instrumental brasileira \u2014 e quais seguem \u00e0 margem dessa narrativa. Ao reunir dados, mem\u00f3ria e escuta, o projeto aponta que ampliar a presen\u00e7a feminina nos palcos passa tamb\u00e9m por transformar curadorias, pol\u00edticas culturais, processos formativos e os pr\u00f3prios imagin\u00e1rios constru\u00eddos sobre virtuosismo, composi\u00e7\u00e3o e lideran\u00e7a musical.<\/p>\n<p>Da esquerda para a direita: Nat\u00e1lia Livramento, Ana Claudia de Oliveira Segura, Caroline Cantelli, Valentina Bravo, Angela Coltri, Mayara Ara\u00fajo e Giovanna Dutra. Foto: Lia Viegas<\/p>\n<p>Plataforma busca ampliar visibilidade de mulheres da m\u00fasica instrumental popular brasileira<\/p>\n<p>Mais do que uma pesquisa, o projeto se posiciona como uma plataforma de fomento e visibilidade para instrumentistas, compositoras e arranjadoras da m\u00fasica instrumental popular brasileira. Nos canais oficiais do projeto no YouTube e Instagram, foram publicados perfis das 12 artistas entrevistadas, al\u00e9m de trechos das conversas, reflex\u00f5es sobre mercado musical e conte\u00fados audiovisuais que ajudam a documentar e ampliar a circula\u00e7\u00e3o dessas trajet\u00f3rias.<\/p>\n<p>A iniciativa busca atuar diretamente sobre a invisibilidade identificada pela pr\u00f3pria pesquisa, criando espa\u00e7os de mem\u00f3ria, reconhecimento e acesso para artistas que historicamente ocupam menos espa\u00e7o na narrativa oficial da m\u00fasica instrumental brasileira. O material segue dispon\u00edvel gratuitamente ao p\u00fablico e re\u00fane relatos sobre cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica, forma\u00e7\u00e3o musical, desafios profissionais e perspectivas sobre o futuro da cena instrumental no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Ficha T\u00e9cnica<\/p>\n<p>Pesquisa e Produ\u00e7\u00e3o Executiva: Valentina Bravo<\/p>\n<p>Pesquisa e Coordena\u00e7\u00e3o de Comunica\u00e7\u00e3o: Caroline Cantelli<\/p>\n<p>Curadoria: Angela Coltri<\/p>\n<p>Consultoria de pesquisa: Mayara Ara\u00fajo<\/p>\n<p>Valida\u00e7\u00e3o de Resultados: Dani Ribas e Ana Cl\u00e1udia de Oliveira Segura<\/p>\n<p>Acessibilidade: Empresa Inclua<\/p>\n<p>Designer: L\u00eddia Brancher<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00famero cai para 1% quando o recorte \u00e9 de mulheres negras e integra pesquisa in\u00e9dita O Palco Que nos Deve, que mapeou a presen\u00e7a feminina &hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":44496,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-44495","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","latest_post"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44495","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44495"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44495\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":44497,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44495\/revisions\/44497"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/44496"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44495"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44495"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44495"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}