{"id":43381,"date":"2026-05-11T07:50:47","date_gmt":"2026-05-11T10:50:47","guid":{"rendered":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/?p=43381"},"modified":"2026-05-11T19:12:48","modified_gmt":"2026-05-11T22:12:48","slug":"jericoacoara-alem-do-turismo-por-que-tanta-gente-conhece-a-vila-e-decide-ficar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/jericoacoara-alem-do-turismo-por-que-tanta-gente-conhece-a-vila-e-decide-ficar\/","title":{"rendered":"JERICOACOARA AL\u00c9M DO TURISMO: POR QUE TANTA GENTE CONHECE A VILA E DECIDE FICAR"},"content":{"rendered":"<p>De destino tur\u00edstico a ponto de virada pessoal, a cidade cearense atrai visitantes que transformam estadias em moradia e ajudam a traduzir um modo de vida guiado por liberdade, criatividade e conex\u00e3o com o territ\u00f3rio<\/p>\n<p>Entre dunas em movimento, ventos constantes e uma rotina que desafia padr\u00f5es urbanos, Jericoacoara se consolida n\u00e3o apenas como destino tur\u00edstico, mas como ponto de virada na vida de quem passa por l\u00e1 e escolhe ficar. Mais do que visitantes, a vila re\u00fane hist\u00f3rias de expatriados que constroem uma rela\u00e7\u00e3o profunda com o territ\u00f3rio, ajudando a traduzir, na pr\u00e1tica, o estilo de vida local. \u00c9 o caso do fot\u00f3grafo Regivaldo Freitas, que conheceu Jeri pela primeira vez em 1999, durante o R\u00e9veillon, ainda como turista. Encantado pela paisagem e pela atmosfera do lugar, voltou outras vezes at\u00e9 que, em 2006, decidiu se mudar definitivamente, motivado por um convite profissional para criar uma revista local.<\/p>\n<p>\u201cQuando cheguei para morar, a vila se revelou pra mim. Passei meses fotografando tudo e todos\u201d, conta. J\u00e1 fot\u00f3grafo premiado \u00e0 \u00e9poca, autor do livro Entorno, Regivaldo encontrou em Jericoacoara n\u00e3o apenas um cen\u00e1rio, mas uma nova camada de significado para o seu trabalho. \u201cA energia de Jeri \u00e9 indescrit\u00edvel. \u00c9 algo que voc\u00ea s\u00f3 entende estando l\u00e1\u201d, comenta.<\/p>\n<p>Essa rela\u00e7\u00e3o entre territ\u00f3rio e transforma\u00e7\u00e3o pessoal aparece como um dos tra\u00e7os mais marcantes entre quem escolhe viver na vila. Segundo ele, existe uma sensa\u00e7\u00e3o de liberdade e igualdade que impacta diretamente o modo de vida. \u201cAqui, tanto turistas quanto moradores compartilham essa percep\u00e7\u00e3o de igualdade. E a energia do lugar impulsiona as pessoas a descobrirem talentos que nem imaginavam ter\u201d, ressalta o fot\u00f3grafo.<\/p>\n<p>Ao longo de quase duas d\u00e9cadas, Regivaldo acompanhou de perto as mudan\u00e7as de Jericoacoara. Se por um lado o destino se estruturou, com a chegada de novas tecnologias, plataformas de hospedagem e maior fluxo tur\u00edstico, por outro ainda preserva elementos centrais da sua identidade. \u201cA cultura da pesca continua viva, o p\u00f4r do sol na praia segue sendo um ritual e lugares como o Serrote permanecem essenciais para entender Jeri\u201d, afirma. Para ele, \u00e1reas como o Serrote &#8211; que conecta a Praia da Malhada \u00e0 Pedra Furada &#8211; representam n\u00e3o apenas a paisagem, mas a pr\u00f3pria ess\u00eancia do destino. \u201c\u00c9 um lugar com fauna e flora riqu\u00edssimas, uma vista de 360 graus do mar. Eu considero intoc\u00e1vel\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>Essa conviv\u00eancia entre perman\u00eancia e transforma\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se reflete no olhar art\u00edstico. Regivaldo registra, ao longo dos anos, contrastes visuais que ajudam a contar a evolu\u00e7\u00e3o da vila, como constru\u00e7\u00f5es tradicionais que hoje coexistem com empreendimentos de alto padr\u00e3o. Um desses registros, feito pr\u00f3ximo ao Serrote, mostra uma pequena casa de palha cercada, atualmente, por edifica\u00e7\u00f5es maiores, imagem que sintetiza o avan\u00e7o urbano sobre a paisagem original.<\/p>\n<p>Foi dessa viv\u00eancia cont\u00ednua que nasceu o livro Morador, um ensaio fotogr\u00e1fico constru\u00eddo ao longo de 15 anos. Mais do que uma narrativa pessoal, a obra prop\u00f5e uma viagem no tempo a partir de imagens que capturam diferentes fases de Jericoacoara, com recorte at\u00e9 2015, per\u00edodo que o fot\u00f3grafo define como \u201ca \u00e9poca da magia\u201d. \u201cO livro fala um pouco da minha hist\u00f3ria, mas principalmente desse lugar em transforma\u00e7\u00e3o. \u00c9 sobre como o meio molda a gente\u201d, explica. A expectativa, segundo ele, \u00e9 que as imagens funcionem tanto como reconhecimento para quem j\u00e1 conhece a vila quanto como convite para quem ainda n\u00e3o viveu a experi\u00eancia.<\/p>\n<p>Hoje, Jericoacoara representa ra\u00edzes profundas em sua trajet\u00f3ria. \u201c\u00c9 como um lugar onde o vento te sacode, mas depois fortalece. As dunas mudam, os caminhos mudam, as pessoas v\u00e3o e v\u00eam e isso mant\u00e9m tudo vivo\u201d, resume.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, essa din\u00e2mica ajuda a explicar por que tantos visitantes acabam ficando. Seja por um projeto de vida, por rela\u00e7\u00f5es constru\u00eddas no caminho ou simplesmente pelo impacto do lugar, Jericoacoara segue atraindo pessoas que encontram ali uma nova forma de viver. \u201cSer morador aqui \u00e9, antes de tudo, fazer parte de uma comunidade que resiste com arte, m\u00fasica, respeito e presen\u00e7a ao longo de todo o ano\u201d, finaliza Regivaldo.<\/p>\n<p>Em um momento em que o turismo global aponta para experi\u00eancias mais aut\u00eanticas e menos massificadas, hist\u00f3rias como a dele ajudam a refor\u00e7ar o posicionamento de Jericoacoara de ser mais do que um destino, mas um lugar onde o estilo de vida \u00e9 parte central da experi\u00eancia e, para muitos, o principal motivo para ficar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De destino tur\u00edstico a ponto de virada pessoal, a cidade cearense atrai visitantes que transformam estadias em moradia e ajudam a traduzir um modo de &hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":43382,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-43381","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","latest_post"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43381","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43381"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43381\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":43383,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43381\/revisions\/43383"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/43382"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43381"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43381"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43381"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}