{"id":41127,"date":"2026-03-27T04:30:45","date_gmt":"2026-03-27T07:30:45","guid":{"rendered":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/?p=41127"},"modified":"2026-03-27T00:52:04","modified_gmt":"2026-03-27T03:52:04","slug":"o-chocolate-agora-e-sabor-chocolate","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/o-chocolate-agora-e-sabor-chocolate\/","title":{"rendered":"O CHOCOLATE AGORA \u00c9 SABOR CHOCOLATE"},"content":{"rendered":"<p>O chocolate, um s\u00edmbolo afetivo para milh\u00f5es de brasileiros, tornou\u2011se v\u00edtima de uma crise global que escancara a fragilidade da cadeia do cacau. Em apenas dois anos, a tonelada da am\u00eandoa saltou 190%, chegando ao recorde de US$ 11.040 em dezembro de 2024, com picos de at\u00e9 282% no ano, consequ\u00eancia direta do colapso nas lavouras da \u00c1frica Ocidental, respons\u00e1vel por 70% da produ\u00e7\u00e3o mundial. Em Gana, por exemplo, 81% das planta\u00e7\u00f5es foram tomadas por uma virose, reduzindo drasticamente a oferta e pressionando pre\u00e7os.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No Brasil, o cen\u00e1rio tamb\u00e9m \u00e9 preocupante: a produ\u00e7\u00e3o caiu 18,5% em 2024, somando 179 mil toneladas, embora o consumo interno demandasse 229 mil toneladas. Com essa equa\u00e7\u00e3o imposs\u00edvel, a ind\u00fastria recorreu a medidas silenciosas e pol\u00eamicas. As barras diminu\u00edram, o teor de cacau caiu, e gorduras vegetais passaram a ocupar o espa\u00e7o da manteiga de cacau. Multiplicaram\u2011se produtos \u201csabor chocolate\u201d, autorizados quando o teor fica abaixo dos 25% m\u00ednimos exigidos. O resultado est\u00e1 no paladar, voc\u00ea j\u00e1 notou, menos cacau, mais gordura e a\u00e7\u00facar?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>At\u00e9 tradi\u00e7\u00f5es foram afetadas. A produ\u00e7\u00e3o de ovos de P\u00e1scoa despencou 22,4%, a diminui\u00e7\u00e3o foi de 58 milh\u00f5es para 45 milh\u00f5es de unidades, enquanto consumidores migraram para chocolates premium e bombons, que j\u00e1 representam 67,3% das compras, em busca de qualidade que n\u00e3o encontram mais nas vers\u00f5es populares.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, o Projeto de Lei 1.769\/2019 surge como divisor de \u00e1guas ao propor elevar para 27% o teor m\u00ednimo de cacau nos chocolates comuns e para 35% nos amargos. A medida pode for\u00e7ar o mercado a abandonar formula\u00e7\u00f5es excessivamente baratas e pobres, que dominaram a \u00faltima d\u00e9cada. Contudo, tamb\u00e9m deve encarecer o produto, acirrando o dilema entre pre\u00e7o e qualidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que o chocolate brasileiro est\u00e1 passando por uma transforma\u00e7\u00e3o inevit\u00e1vel. E essa mudan\u00e7a nos obriga a olhar para al\u00e9m da embalagem, ou seja, questionar a origem, entender a composi\u00e7\u00e3o e reconhecer que qualidade tem custo, mas tamb\u00e9m tem valor. Em meio \u00e0 crise, cresce o espa\u00e7o de chocolates artesanais e bean\u2011to\u2011bar, que resgatam o sabor original e a transpar\u00eancia da cadeia produtiva.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se o chocolate est\u00e1 mais caro e diferente, talvez seja porque finalmente estamos sendo convidados a perceber o que sempre existiu por tr\u00e1s de cada barra, uma cadeia vulner\u00e1vel, um mercado vol\u00e1til e escolhas que, queiramos ou n\u00e3o, dizem muito sobre n\u00f3s como consumidores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(*) Alexandre Francisco de Andrade \u00e9 Mestre em Engenharia de Produ\u00e7\u00e3o e Coordenador nas \u00e1reas de Finan\u00e7as e Agroneg\u00f3cio na UNINTER.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O chocolate, um s\u00edmbolo afetivo para milh\u00f5es de brasileiros, tornou\u2011se v\u00edtima de uma crise global que escancara a fragilidade da cadeia do cacau. 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