{"id":40782,"date":"2026-03-23T01:57:37","date_gmt":"2026-03-23T04:57:37","guid":{"rendered":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/?p=40782"},"modified":"2026-03-20T18:52:30","modified_gmt":"2026-03-20T21:52:30","slug":"serra-gaucha-investe-em-clones-proprios-para-reduzir-dependencia-europeia-e-fortalecer-identidade-do-vinho-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/serra-gaucha-investe-em-clones-proprios-para-reduzir-dependencia-europeia-e-fortalecer-identidade-do-vinho-brasileiro\/","title":{"rendered":"SERRA GA\u00daCHA INVESTE EM CLONES PR\u00d3PRIOS PARA REDUZIR DEPEND\u00caNCIA EUROPEIA E FORTALECER IDENTIDADE DO VINHO BRASILEIRO"},"content":{"rendered":"<p>Embrapa Uva e Vinho, com o apoio do Consevitis-RS, busca varia\u00e7\u00f5es que apresentem estabilidade, qualidade, adaptabilidade e sanidade<\/p>\n<p>Com o objetivo de fortalecer a identidade vitivin\u00edcola da Serra Ga\u00facha e ampliar alternativas ao material introduzido de programas europeus, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa Uva e Vinho), desenvolve o Projeto Seleclone, contando com apoio do Instituto de Gest\u00e3o, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS) nos \u00faltimos dois anos. A iniciativa j\u00e1 contabiliza cerca de 135 clones de 59 variedades vin\u00edferas em estudo, sendo 14 materiais atualmente em fase final de valida\u00e7\u00e3o e dois j\u00e1 encaminhados para registro, consolidando um avan\u00e7o na constru\u00e7\u00e3o de alternativas gen\u00e9ticas adaptadas ao terroir local.<\/p>\n<p>As demandas que buscam ser atendidas pelo Programa de Sele\u00e7\u00e3o Clonal s\u00e3o a falta de recomenda\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas para a regi\u00e3o da Serra Ga\u00facha dos clones comerciais introduzidos de programas europeus, bem como a busca por alternativas de novos clones selecionados nas condi\u00e7\u00f5es locais. Dessa forma, o objetivo principal \u00e9 prospectar, avaliar e selecionar clones de variedades vin\u00edferas com caracter\u00edsticas agron\u00f4micas e atributos de interesse comercial para disponibiliza\u00e7\u00e3o ao setor vitivin\u00edcola.<\/p>\n<p>De acordo com dados de 2025 do Sistema de Informa\u00e7\u00f5es da \u00c1rea de Vinhos e Bebidas (SIVIBE) da Secretaria de Defesa Agropecu\u00e1ria (SDA-MAPA), atualmente mais de 2.000 vitivinicultores produzem uvas de cultivares Vitis vinifera no Rio Grande do Sul, as quais geralmente s\u00e3o utilizadas para processamento, tendo como destino a elabora\u00e7\u00e3o de vinhos finos. A \u00e1rea de cultivo correspondente a estes produtores ga\u00fachos \u00e9 cerca de 6.500 hectares, o que demonstra o potencial de impacto do Projeto Seleclone.<\/p>\n<p>Desde 2015, ano em que o projeto come\u00e7ou a ser desenvolvido, o valor total de recursos investidos pela Embrapa no Projeto Seleclone, at\u00e9 2025, foi de mais de R$ 928 mil reais. O Consevitis-RS contribuiu com o somat\u00f3rio de R$ 52 mil nos anos de 2024 e 2025, para compra de equipamentos, insumos agr\u00edcolas e de microvinifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para o presidente do Consevitis-RS, Luciano Rebelatto, \u00e9 fundamental que o Instituto esteja atuando nas atividades e pesquisas que s\u00e3o desenvolvidas. \u201cPela nossa representa\u00e7\u00e3o, devemos acompanhar o que acontece no setor e planejar de forma conjunta com as institui\u00e7\u00f5es e entidades o que precisamos executar. Trabalhar variedades alinhadas com o que o setor necessita \u00e9 fundamental, pois busca trazer e valorizar a identidade e a qualidade. Podermos ter nossas variedades faz com que possamos trabalhar mais forte aspectos como o terroir e t\u00e9cnicas locais, entre outros t\u00e3o importantes fatores\u201d, pontua.<\/p>\n<p>Conforme o pesquisador da Embrapa L\u00e9o Carson, o Projeto Seleclone pode trazer novas op\u00e7\u00f5es de cultivares importantes para a regi\u00e3o da Serra Ga\u00facha em alternativa a clones importados, que em muitos casos n\u00e3o foram previamente testados em solos da Serra Ga\u00facha. O programa tamb\u00e9m acompanha e avalia op\u00e7\u00f5es de varia\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas ocorridas no ambiente local (muta\u00e7\u00f5es) na maioria das vezes selecionadas pelo pr\u00f3prio produtor, que observou nestas pequenas varia\u00e7\u00f5es alguma caracter\u00edstica de interesse ou algum diferencial em rela\u00e7\u00e3o ao material original.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m disso, somado \u00e0 sele\u00e7\u00e3o clonal, \u00e9 exercida a limpeza sanit\u00e1ria dos materiais, que busca disponibilizar clones livres dos principais v\u00edrus que acometem a videira, sendo um dos focos principais do projeto. Por fim, o produtor ter\u00e1 novas alternativas de clones dispon\u00edveis no mercado, sem a necessidade de importa\u00e7\u00e3o, com informa\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas obtidas via pesquisa no nosso ambiente, em rela\u00e7\u00e3o a solo e clima, e com qualidade sanit\u00e1ria garantida pela Embrapa\u201d, ressalta Carson.<\/p>\n<p>Conhe\u00e7a o projeto Seleclone<\/p>\n<p>Com in\u00edcio em 2015, o projeto articulado com as associa\u00e7\u00f5es de produtores ligadas \u00e0s Indica\u00e7\u00f5es Geogr\u00e1ficas (IG) da Serra Ga\u00facha &#8211; Aprovale (Vale dos Vinhedos), Apromontes (Flores da Cunha e Nova P\u00e1dua), Aprobelo (Monte Belo do Sul) e Asprovinho (Pinto Bandeira). Em vista de solucionar as demandas citadas, o projeto atua a partir de duas a\u00e7\u00f5es principais: gerar recomenda\u00e7\u00f5es para clones comerciais de variedades vin\u00edferas introduzidos da Europa e selecionar novos clones de variedades vin\u00edferas para as condi\u00e7\u00f5es ambientais locais.<\/p>\n<p>O m\u00e9todo de Sele\u00e7\u00e3o Clonal consiste no progresso gen\u00e9tico dentro do pr\u00f3prio material em uso e j\u00e1 consolidado, ou seja, trata-se da prospec\u00e7\u00e3o e sele\u00e7\u00e3o de plantas portadoras de varia\u00e7\u00f5es para caracter\u00edsticas de interesse em cultivares j\u00e1 existentes. O foco, dessa forma, n\u00e3o \u00e9 obter uma nova variedade, mas, sim, obter um novo clone de uma variedade j\u00e1 comercial que possua algum diferencial ou alguma varia\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao material original.<\/p>\n<p>Essas varia\u00e7\u00f5es em grande parte est\u00e3o associadas a muta\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas que geralmente s\u00e3o encontradas com maior probabilidade em vinhedos comerciais antigos. Para al\u00e9m da sele\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, trata-se tamb\u00e9m de uma sele\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria. Dessa forma, busca-se fornecer ao setor materiais com varia\u00e7\u00f5es para caracter\u00edsticas importantes, al\u00e9m de possu\u00edrem elevada sanidade, item indispens\u00e1vel.<\/p>\n<p>Assim, o projeto busca selecionar clones que apresentem: estabilidade de produ\u00e7\u00e3o, com bom desempenho produtivo e que mantenham uma regularidade entre safras; qualidade em termos de potencial enol\u00f3gico e tipicidade; adaptabilidade, que apresentem adapta\u00e7\u00f5es \u00e0s diferentes regi\u00f5es vitivin\u00edcolas do Brasil, incluindo regi\u00f5es emergentes; e sanidade, livres dos principais v\u00edrus que acometem a videira.<\/p>\n<p>O programa possui as seguintes etapas:<\/p>\n<p>1\u00aa etapa &#8211; Prospec\u00e7\u00e3o: realiza-se a busca e coleta de potenciais novos clones em articula\u00e7\u00e3o com o setor produtivo.<\/p>\n<p>2\u00aa etapa &#8211; Avalia\u00e7\u00e3o e Sele\u00e7\u00e3o: verifica-se a estabilidade da varia\u00e7\u00e3o (muta\u00e7\u00e3o) e\/ou sanidade, o desempenho agron\u00f4mico e a qualidade enol\u00f3gica por no m\u00ednimo quatro safras.<\/p>\n<p>3\u00aa etapa &#8211; Valida\u00e7\u00e3o: a avalia\u00e7\u00e3o na \u00e1rea experimental da Embrapa \u00e9 suficiente para valida\u00e7\u00e3o. Para recomenda\u00e7\u00e3o em outras regi\u00f5es, se faz necess\u00e1ria a valida\u00e7\u00e3o do material no local a ser recomendado.<\/p>\n<p>4\u00aa etapa &#8211; Registro e Lan\u00e7amento do Clone: a partir do interesse comercial, faz-se o registro do clone, o lan\u00e7amento no mercado e a disponibiliza\u00e7\u00e3o via viveiristas licenciados.<\/p>\n<p>O ciclo de sele\u00e7\u00e3o, da prospec\u00e7\u00e3o at\u00e9 o registro e lan\u00e7amento do novo Clone BRS, pode levar de sete a 10 anos.<\/p>\n<p>Atualmente, s\u00e3o cerca de 135 clones de 59 variedades. Destes, em torno de 75 materiais est\u00e3o em avalia\u00e7\u00e3o. Entre as contempladas, est\u00e1 uma nova variedade: a Chardonnay Ros\u00e9, ou seja, um Chardonnay de baga rosada, muta\u00e7\u00e3o que ocorreu na Serra Ga\u00facha, no distrito de Tuiuty, em Bento Gon\u00e7alves.<\/p>\n<p>Hoje, 14 clones est\u00e3o em fase final de valida\u00e7\u00e3o, resultantes de Sele\u00e7\u00e3o Sanit\u00e1ria, os quais j\u00e1 haviam sido prospectados e limpos antes do in\u00edcio do projeto, em um trabalho realizado pelo pesquisador Gilmar Kuhn, hoje aposentado, e que foi mantido pelo pesquisador Thor Fajardo da \u00e1rea de virologia.<\/p>\n<p>Com lan\u00e7amento previsto para este ano, dois clones j\u00e1 foram encaminhados para registro no Registro Nacional de Cultivares (RNC), sendo um clone da cultivar Cabernet Franc e outro de Tannat, duas uvas importantes para a regi\u00e3o da Serra Ga\u00facha. A previs\u00e3o \u00e9 que, pelo menos, mais seis clones sejam lan\u00e7ados at\u00e9 2030, incluindo cultivares importantes como a Cabernet Sauvignon.<\/p>\n<p>Sobre o Consevitis-RS<\/p>\n<p>O Instituto de Gest\u00e3o, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS) atua no apoio, difus\u00e3o e financiamento de demandas relacionadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de uvas, vinhos, sucos de uva e demais produtos derivados no \u00e2mbito agr\u00edcola, produtivo, t\u00e9cnico, promocional, cultural, ambiental, jur\u00eddico e institucional. O instituto tamb\u00e9m est\u00e1 envolvido em programas de ensino, pesquisa, extens\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o, visando ao constante desenvolvimento e aprimoramento do setor vitivin\u00edcola.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Embrapa Uva e Vinho, com o apoio do Consevitis-RS, busca varia\u00e7\u00f5es que apresentem estabilidade, qualidade, adaptabilidade e sanidade Com o objetivo de fortalecer a identidade &hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":40784,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-40782","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","latest_post"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40782","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40782"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40782\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":40785,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40782\/revisions\/40785"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/40784"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40782"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40782"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40782"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}