{"id":39656,"date":"2026-03-02T01:30:20","date_gmt":"2026-03-02T04:30:20","guid":{"rendered":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/?p=39656"},"modified":"2026-03-02T18:21:35","modified_gmt":"2026-03-02T21:21:35","slug":"na-funarte-ciana-brandao-estreia-sua-primeira-individual-com-a-gente-e-muita-gente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/na-funarte-ciana-brandao-estreia-sua-primeira-individual-com-a-gente-e-muita-gente\/","title":{"rendered":"NA FUNARTE, CIANA BRAND\u00c3O ESTREIA SUA PRIMEIRA INDIVIDUAL COM &#8220;A GENTE \u00c9 MUITA GENTE&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Exposi\u00e7\u00e3o parte de uma investiga\u00e7\u00e3o sobre ancestralidade ind\u00edgena e transforma viagem, mem\u00f3ria e mist\u00e9rio em experi\u00eancia expogr\u00e1fica<\/p>\n<p>De onde vem seu olho puxado?<\/p>\n<p>A pergunta atravessou a inf\u00e2ncia, a adolesc\u00eancia e a vida adulta de Ciana Brand\u00e3o. Uma curiosidade recorrente que, por muitos anos, parecia banal. At\u00e9 que deixou de ser.<\/p>\n<p>\u201cA gente \u00e9 muita gente\u201d, primeira exposi\u00e7\u00e3o individual da artista, que abre no dia 17 de mar\u00e7o na Funarte, em Belo Horizonte, nasce dessa fric\u00e7\u00e3o entre pergunta e sil\u00eancio. Entre o que se sente e o que n\u00e3o se sabe. Entre a hist\u00f3ria individual e o projeto de na\u00e7\u00e3o que a atravessa.<\/p>\n<p>Iniciada em 2021, a pesquisa parte da investiga\u00e7\u00e3o da ancestralidade materna da artista, recorrendo \u00e0 uma metodologia preenchida de Realismo Fant\u00e1stico onde espiritualidade, rituais ind\u00edgenas, tarot, b\u00fazios e toda a ordem de mist\u00e9rio se alinhou \u00e0 busca documental em cart\u00f3rios e par\u00f3quias; no cruzamento de documentos hist\u00f3ricos, certid\u00f5es de \u00f3bito, nascimento e casamento, nas fotografias guardadas que foram reveladas em conta\u00e7\u00f5es de hist\u00f3rias com parentes no lanche da tarde. Tudo isso, levou a artista a fabular o passado e reconhecer em sua hist\u00f3ria o projeto de miscigena\u00e7\u00e3o e apagamento hist\u00f3rico dos povos origin\u00e1rios na constru\u00e7\u00e3o da sociedade. Uma hist\u00f3ria que ajuda a contar a de todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>Em julho de 2025, Ciana percorreu, ao lado da filha e da tia, um trajeto que refaz 150 anos, viajando por 1.300km o sudeste do Brasil em deslocamentos familiares: por Minas Gerais em Belo Horizonte, Ouro Preto, Juiz de Fora; no Rio de Janeiro em Para\u00edba do Sul e Barra do Pira\u00ed, rumo \u00e0 S\u00e3o Paulo na regi\u00e3o de Pindamonhangaba, Santo Ant\u00f4nio do Pinhal e S\u00e3o Luiz do Paraitinga, revelando sua origem na Serra da Mantiqueira, no entre-lugar dos tr\u00eas estados. A viagem reorganizou sua compreens\u00e3o de ancestralidade. N\u00e3o apenas pela experi\u00eancia de retornar aos territ\u00f3rios de origem, mas como tempo circular: de um lado, investigava na companhia da filha de oito anos; do outro, a revela\u00e7\u00e3o de uma ancestral crian\u00e7a da mesma idade arrancada de sua fam\u00edlia, de sua l\u00edngua, de seu territ\u00f3rio e de sua cosmovis\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa investiga\u00e7\u00e3o atravessa a exposi\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o \u00e9 apresentada de maneira linear. Com curadoria de Leonardo Alves, a mostra articula pintura em vidro, instala\u00e7\u00e3o, v\u00eddeo-performance e ateli\u00ea aberto como campos de experi\u00eancia. O visitante n\u00e3o recebe um relato fechado, mas \u00e9 convocado a atravessar um ponto de vista.<\/p>\n<p>A escolha do vidro como suporte central \u00e9 recorrente na trajet\u00f3ria da artista, formada pela Escola Guignard (UEMG) e pelo CEFART, com passagem pela Universidade do Porto em Portugal e pela escola Abatti Zanetti em Murano, na It\u00e1lia. Transpar\u00eancia, suspens\u00e3o e instabilidade s\u00e3o elementos que tensionam o vis\u00edvel e o invis\u00edvel. Ao pintar com tinta gr\u00e1fica e \u00f3leo sobre vidro, Ciana cria imagens que se alteram conforme a aproxima\u00e7\u00e3o do olhar \u2014 macro e micro coexistem, como mem\u00f3ria e hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Durante o per\u00edodo expositivo, o p\u00fablico tamb\u00e9m ter\u00e1 acesso ao ateli\u00ea da artista montado dentro da Funarte, onde documentos, anota\u00e7\u00f5es e refer\u00eancias hist\u00f3ricas aparecem como pistas de uma investiga\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se encerra na obra.<\/p>\n<p>A abertura, no dia 17 de mar\u00e7o, inclui performance marcada pela presen\u00e7a da fogueira como gesto ritual. A artista convida o p\u00fablico a presenciar a reuni\u00e3o de sete gera\u00e7\u00f5es em volta do fogo pela celebra\u00e7\u00e3o de vida e morte da ancestral mais antiga localizada durante a pesquisa. A data coincide com os 90 anos de sua morte, falecida em 17 de mar\u00e7o de 1936, segundo certid\u00e3o localizada pela artista. A performance contar\u00e1 com interpreta\u00e7\u00e3o em LIBRAS.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o mobiliza uma rede de colaboradores que atravessam diferentes linguagens e tempo. Artistas como o curador Leonardo Alves, Vitor Lagoeiro; da cineasta Let\u00edcia Ferreira e o compositor Thiago Diniz que assinam o v\u00eddeo performance, bem como o arte educador Lyon Goulart e a mediadora de mist\u00e9rio Akino Takeda s\u00e3o artistas que colaboram com Ciana h\u00e1 mais de dez anos. Assim, admira\u00e7\u00e3o e afeto se conectam ao encontro de outros artistas importantes como Idylla Silmarovi e Edgar Kanayk\u00f5 al\u00e9m da colabora\u00e7\u00e3o realizada pela curadora Flaviana Lasan, o historiador Davi Aroeira e do artista Paulo Nazareth durante a pesquisa criando textos sobre a busca da artista.<\/p>\n<p>O projeto tamb\u00e9m conta com a professora dra. Giulia Giovani, da Escola de Belas Artes da UFMG, convidada para conversar sobre conserva\u00e7\u00e3o e m\u00eddias n\u00e3o convencionais na arte contempor\u00e2nea. Este \u00e9 mais um projeto de colabora\u00e7\u00e3o da artista com a produtora Bruna Toledo, pelo Grupo Dolores. \u201cApesar de ser essa a minha primeira exposi\u00e7\u00e3o individual, fica cada vez menos coerente dizer individual\u2019 quando tantos artistas que admiro est\u00e3o junto comigo construindo essa exposi\u00e7\u00e3o\u201d<\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria de Ciana tamb\u00e9m \u00e9 marcada pela articula\u00e7\u00e3o entre arte e maternidade. Fundadora do Movimento Arte na Maternidade, a artista desenvolve resid\u00eancias voltadas a artistas m\u00e3es na primeira inf\u00e2ncia, espa\u00e7o onde retomou o vidro como mat\u00e9ria e aprofundou a pergunta que estrutura a exposi\u00e7\u00e3o: qual \u00e9 o ponto de vista que me constitui como artista?<\/p>\n<p>Realizada por meio da Lei Municipal de Incentivo \u00e0 Cultura de Belo Horizonte (0134\/2024) e produ\u00e7\u00e3o do Grupo Dolores e Ateli\u00ea Ciana, \u201cA gente \u00e9 muita gente\u201d permanece em cartaz at\u00e9 28 de mar\u00e7o. Ap\u00f3s a temporada na Funarte, o projeto ter\u00e1 itiner\u00e2ncias no segundo semestre e lan\u00e7amento de cat\u00e1logo virtual.<\/p>\n<p>Mais do que responder \u00e0 pergunta sobre a origem dos olhos, a exposi\u00e7\u00e3o devolve outra ao p\u00fablico: de qual Brasil viemos?<\/p>\n<p>Servi\u00e7o<\/p>\n<p>O que? A gente \u00e9 muita gente \u2013 1\u00aa exposi\u00e7\u00e3o individual de Ciana Brand\u00e3o<\/p>\n<p>Onde? Funarte \u2013 Rua Janu\u00e1ria, 68 \u2013 Centro \u2013 Belo Horizonte<\/p>\n<p>Quando? 17 a 28 de mar\u00e7o de 2026<\/p>\n<p>Visita\u00e7\u00e3o: 18 a 28\/03, das 11h \u00e0s 21h<\/p>\n<p>Entrada gratuita<\/p>\n<p>Abertura: 17\/03, a partir das 19h<\/p>\n<p>Performance: 20h (com LIBRAS)<\/p>\n<p>Encerramento: 21h30<\/p>\n<p>21\/03 \u2013 19h<\/p>\n<p>Roda de conversa com Leonardo Alves e artistas convidados (com LIBRAS)<\/p>\n<p>27\/03 \u2013 19h30<\/p>\n<p>Roda de conversa com Giulia Giovani<\/p>\n<p>Tema: Restaura\u00e7\u00e3o e arte contempor\u00e2nea<\/p>\n<p>Projeto 0134\/2024 \u2013 Lei Municipal de Incentivo \u00e0 Cultura<\/p>\n<p>Produ\u00e7\u00e3o: Grupo Dolores e Ateli\u00ea Ciana<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Exposi\u00e7\u00e3o parte de uma investiga\u00e7\u00e3o sobre ancestralidade ind\u00edgena e transforma viagem, mem\u00f3ria e mist\u00e9rio em experi\u00eancia expogr\u00e1fica De onde vem seu olho puxado? 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