{"id":3828,"date":"2023-08-10T22:26:06","date_gmt":"2023-08-11T01:26:06","guid":{"rendered":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/?p=3828"},"modified":"2023-09-08T18:05:12","modified_gmt":"2023-09-08T21:05:12","slug":"exposicao-inedita-arte-dos-mestresreune-20-artistas-da-arte-popular-brasileira-em-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/exposicao-inedita-arte-dos-mestresreune-20-artistas-da-arte-popular-brasileira-em-sao-paulo\/","title":{"rendered":"EXPOSI\u00c7\u00c3O IN\u00c9DITA &#8220;ARTE DOS MESTRES&#8221;,RE\u00daNE 20 ARTISTAS DA ARTE POPULAR BRASILEIRA EM S\u00c3O PAULO\u00a0 \u00a0"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Organizada pela ONG Artesol que h\u00e1 25 anos trabalha pela valoriza\u00e7\u00e3o de artes\u00e3os brasileiros, e sob a curadoria de Josiane Masson e Marco Aur\u00e9lio Pulcherio, a mostra gratuita trar\u00e1 mais de 200 obras e document\u00e1rios exclusivos sobre os artistas<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mais de 200 obras da arte popular brasileira, criadas por 20 mestres artes\u00e3os, grupos e fam\u00edlias de v\u00e1rios estados brasileiros, como Alagoas, Cear\u00e1, Mato Grosso, Pernambuco e Par\u00e1, ocupar\u00e3o o Espa\u00e7o State, na Vila Leopoldina em S\u00e3o Paulo, a partir do dia 30 de agosto. Produzidas especialmente para a mostra in\u00e9dita \u201cArte dos Mestres\u201d, as pe\u00e7as estar\u00e3o em exibi\u00e7\u00e3o gratuita ao p\u00fablico, que tamb\u00e9m poder\u00e1 conferir document\u00e1rios exclusivos que contextualizam o aspecto social, cultural e criativo em torno desses artistas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Iniciativa da Artesol, ONG dedicada \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o do artesanato brasileiro, o projeto conta com o patroc\u00ednio do Instituto Cultural Vale e une for\u00e7as com a SP-Arte Rotas Brasileiras para realizar a exposi\u00e7\u00e3o at\u00e9 3 de setembro. Mais do que destacar as cria\u00e7\u00f5es, \u201cArte dos Mestres\u201d busca fomentar a troca genu\u00edna de experi\u00eancias entre os visitantes e os artistas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cTeremos a chance de fruir de uma arte afetiva, plural, pulsante, e cheia de personalidade, por meio das formas, cores e tem\u00e1ticas de obras que reverenciam paisagens naturais, arquitet\u00f4nicas e humanas do nosso pa\u00eds, com hist\u00f3rias contadas pelas m\u00e3os que repetem e reinventam t\u00e9cnicas e narrativas aprendidas com m\u00e3es, av\u00f3s e antepassados\u201d, afirma Josiane Masson, diretora da Artesol e curadora da exposi\u00e7\u00e3o ao lado de Marco Aur\u00e9lio Pulch\u00e9rio. Segundo ele \u201co trabalho dessas pessoas mant\u00e9m viva a tradi\u00e7\u00e3o dos fazeres artesanais, perpetua e transmite saberes por meio de um of\u00edcio, e promove a inclus\u00e3o socioprodutiva, o empreendedorismo baseado no com\u00e9rcio justo, e, sobretudo, o protagonismo desses artistas, muitos dos quais vem de comunidades quilombolas, ind\u00edgenas e ribeirinhas\u201d. O evento funcionar\u00e1 tamb\u00e9m como uma feira para a comercializa\u00e7\u00e3o das obras, com os interessados comprando diretamente dos artistas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dividida em tr\u00eas ambientes, al\u00e9m dos document\u00e1rios, a programa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m contempla rodas de conversa abertas ao p\u00fablico, com participa\u00e7\u00e3o dos artistas e media\u00e7\u00e3o do antrop\u00f3logo Ricardo Lima. No dia 3 de setembro haver\u00e1 uma roda de conversa com especialistas da \u00e1rea \u2013 entre eles, a pesquisadora Ad\u00e9lia Borges e a diretora do Museu do Pontal, \u00c2ngela Mascelani.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cNossa miss\u00e3o \u00e9 funcionar como um catalizador para toda a pot\u00eancia que os saberes e fazeres presente nessa produ\u00e7\u00e3o autoral j\u00e1 possui, mas que no Brasil ainda n\u00e3o recebe toda a aten\u00e7\u00e3o devida. Essa exposi\u00e7\u00e3o, que tamb\u00e9m funciona como uma feira, busca destacar os processos artesanais na feitura das obras e a valoriza\u00e7\u00e3o da nossa cultura popular transmitida atrav\u00e9s de gera\u00e7\u00f5es\u201d, completa a presidente da Artesol S\u00f4nia Quintella.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sobre os artistas:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sil da Capela (1979)<\/p>\n<p>Uma das principais expoentes da arte figurativa em cer\u00e2mica do pa\u00eds, Maria Luciene da Silva Siqueira, mais conhecida como Sil da Capela, nasceu em Cajueiro no estado de Alagoas, e trabalhou desde os oito anos de idade com o corte de cana-de-a\u00e7\u00facar para engenhos da regi\u00e3o e, por isso, n\u00e3o pode frequentar a escola. Mudou-se para a cidade de Capela e, em 2001, come\u00e7ou a frequentar a oficina do mestre ceramista Jo\u00e3o das Alagoas em um projeto profissionalizante para m\u00e3es de crian\u00e7as com defici\u00eancia. Hoje, seus trabalhos s\u00e3o exibidos em livros de arte e exposi\u00e7\u00f5es nacionais e internacionais, representando e reinventando suas mem\u00f3rias de inf\u00e2ncia e o cotidiano de Capela: crian\u00e7as brincando, mulheres rendando, rodas de violeiros, casais namorando, entre tantas outras cenas que acontecem \u00e0 sombra de uma jaqueira, \u00e1rvore que se tornou marca registrada do trabalho da artes\u00e3.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Rosalvo Santana (1964)<\/p>\n<p>Rosalvo Maltez Santana trabalha e vive em Maragogipinho, distrito do munic\u00edpio de Aratu\u00edpe (BA). Filho do oleiro Amiordes Santana, o Mestre Roxinho, \u00e9 um dos poucos santeiros da regi\u00e3o e se destaca por ter desenvolvido de forma autodidata suas t\u00e9cnicas de modelagem e de queima. Em seu trabalho, combina a suntuosidade do barroco e o exagero das formas do rococ\u00f3 para adornar os mantos e vestes com fin\u00edssimas dobras, redobras e pregueados. Participou de exposi\u00e7\u00f5es como a IV Bienal do Rec\u00f4ncavo (1998) e do 13\u00ba Sal\u00e3o do Artesanato Ra\u00edzes Brasileiras (2019), e foi vencedor do primeiro lugar no Concurso de Pres\u00e9pio (IPAC &#8211; 1998).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Jasson (1954)<\/p>\n<p>Entalhador habilidoso, Jasson Gon\u00e7alves da Silva vive no povoado de Monte Santo, Belo Monte (AL), onde busca inspira\u00e7\u00e3o na caatinga para produzir suas pe\u00e7as, arquitetadas sem nenhum esbo\u00e7o, e criadas a partir de galhos e madeiras ca\u00eddos. Observador atento, diz que a madeira \u00e9 viva, ela mesma explica como quer se transformar. Ao contr\u00e1rio de v\u00e1rios artes\u00e3os, Jasson come\u00e7ou sua produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica apenas aos 60 anos, estimulado pelos galeristas Maria Am\u00e9lia Vieira e Dalton Costa a produzir esculturas em madeira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mestre Cunha (1951)<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Francisco da Cunha nasceu em um engenho em Ipojuca, Pernambuco e j\u00e1 na inf\u00e2ncia fazia seus pr\u00f3prios brinquedos, utilizando miolo de bananeira e madeira. Utilizando madeira e outros materiais reaproveitados, ele cria esculturas que possuem caracter\u00edsticas fant\u00e1sticas, er\u00f3ticas e bem-humoradas, misturando formas humanas, animais e de m\u00e1quinas em obras batizadas com neologismos curiosos inventados por ele, como camelauro, teupai e parampalho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Borges (1970)<\/p>\n<p>Nascido em Teresina (PI), Jo\u00e3o de Oliveira Borges Leal, vive no munic\u00edpio vizinho, Timon (MA), localizado na outra margem do rio Parna\u00edba que faz a divisa entre os dois estados. Suas esculturas feitas em cer\u00e2mica retratam cenas cotidianas com impressionante realismo e n\u00e3o recebem pintura para, justamente, evidenciar a cor e a textura do barro. Retrata momentos ef\u00eameros e singelos, tendo como principal inspira\u00e7\u00e3o cenas regionalistas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mestre Aberaldo (1960)<\/p>\n<p>Aberaldo Sandes Costa Lima cresceu no povoado Ilha do Ferro, localizado \u00e0s margens do rio S\u00e3o Francisco, em Alagoas, sendo considerado um dos precursores do entalhe na regi\u00e3o, hoje vista como polo de arte popular. Em sua produ\u00e7\u00e3o, iniciada em meados dos anos 1980, utiliza galhos e troncos ca\u00eddos de umburana e mulungu para criar barquinhos e cabe\u00e7as com corcundas inspiradas em Frei Dami\u00e3o, um frade italiano radicado no Brasil que fazia prega\u00e7\u00f5es pelo Nordeste. Essas esculturas s\u00e3o raras, pois encontrar os troncos adequados para produzi-las \u00e9 quest\u00e3o de sorte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mestre Luiz Ant\u00f4nio (1935)<\/p>\n<p>\u00danico aprendiz ainda vivo de Mestre Vitalino, que o convidou a expor suas pe\u00e7as ao lado de sua banca na Feira de Caruaru, Luiz Ant\u00f4nio da Silva recebeu, por voto popular, o I Registro de Patrim\u00f4nio Vivo do estado de Pernambuco, um importante reconhecimento pela relev\u00e2ncia de seu legado art\u00edstico e cultural. Uma das principais caracter\u00edsticas de seu trabalho \u00e9 a representa\u00e7\u00e3o de cenas e objetos relacionados \u00e0 tecnologia e atividades profissionais, o que o levou a desenvolver uma t\u00e9cnica bastante sofisticada de modelagem e de queima para conseguir representar com detalhes os mecanismos das m\u00e1quinas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mestre Corn\u00e9lio (1956)<\/p>\n<p>Aos 15 anos, o mestre artes\u00e3o do Piau\u00ed foi convidado por um padre italiano para entalhar a imagem de Cristo para a capela do bairro, sob a orienta\u00e7\u00e3o do artista Carlos B. A partir desse momento, passou a entalhar por encomenda e a expor suas pe\u00e7as em eventos e feiras. Atualmente trabalha em parceria com seu filho, Leonardo Leal de Abreu, que tamb\u00e9m \u00e9 entalhador. Com o falecimento dos mestres, tamb\u00e9m entalhadores, Dezinho e Expedito, Jos\u00e9 Corn\u00e9lio de Abreu \u00e9 o mais antigo artes\u00e3o vivo da tradi\u00e7\u00e3o de santeiros do Piau\u00ed, considerado patrim\u00f4nio imaterial do Estado pelo IPHAN em seu Invent\u00e1rio Nacional de Refer\u00eancias Culturais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Francisco Graciano (1965)<\/p>\n<p>Filho de Manuel Graciano, reconhecido artista da arte figurativa do Cariri, Francisco Graciano \u00e9 entalhador que j\u00e1 teve passagem pelo Centro de Cultura Popular Mestre Noza, Juazeiro do Norte (CE). Suas obras nascem da observa\u00e7\u00e3o atenta e da riqueza do imagin\u00e1rio popular da regi\u00e3o. N\u00e3o faz esbo\u00e7os e n\u00e3o desenha na madeira antes de come\u00e7ar o trabalho. Em seu processo criativo, a pe\u00e7a n\u00e3o nasce pronta, ela se transforma ao longo de sua produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Everaldo Ferreira (1987)<\/p>\n<p>Nascido em Terra Nova, Pernambuco, Jos\u00e9 Everaldo Ferreira da Silva aprendeu a entalhar no Centro de Cultura Popular Mestre Noza, no Cear\u00e1, ainda crian\u00e7a, e hoje \u00e9 um dos maiores escultores e refer\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o de imagens de Padre C\u00edcero, grande s\u00edmbolo da f\u00e9 cat\u00f3lica no Sert\u00e3o Nordestino.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Din Alves (1985)<\/p>\n<p>Aparecido Gonzaga Alves, mais conhecido como Din Alves, vem de uma reconhecida linhagem de artistas &#8211; seu av\u00f4 Pedro Luiz Gonzaga era xil\u00f3grafo, assim como seu primo Jos\u00e9 Louren\u00e7o. Morava no bairro Boca das Cobras, considerado um celeiro de artes\u00e3os e come\u00e7ou a trabalhar com a madeira na adolesc\u00eancia como ajudante, lixando pe\u00e7as. Logo desenvolveu um estilo pr\u00f3prio para representar personagens da cultura popular: atarracados e gordinhos, atraem muitos admiradores e colecionadores. Entrou muito jovem para o Centro Cultural Mestre Noza, onde ficou por 18 anos e atuou em cargos de gest\u00e3o, compartilhando seus conhecimentos com as novas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tiago Amorim (1943)<\/p>\n<p>Multiartista, Tiago Amorim trabalha com pintura em tela, gravura, entalhe em madeira, desenho e escreve poesias. Na cer\u00e2mica, t\u00e9cnica que o projetou no circuito da arte, suas obras t\u00eam como tem\u00e1tica o corpo feminino e a natureza &#8211; peixes, aves, cavalos e cajus. Aprendeu a modelar a argila com grandes mestres do of\u00edcio de Caruaru e Tracunha\u00e9m e possui amplo conhecimento t\u00e9cnico sobre a cer\u00e2mica, argila, porcelanas, faian\u00e7as (cer\u00e2mica branca ou marfim) e outros materiais. Suas pe\u00e7as se destacam pela eleg\u00e2ncia dos tra\u00e7os e pela sofistica\u00e7\u00e3o do acabamento esmaltado. Em seu processo criativo, Tiago prop\u00f5e uma reinterpreta\u00e7\u00e3o est\u00e9tica original das formas da cer\u00e2mica tradicional utilit\u00e1ria: uma jarra partida ao meio torna-se dois peixes e duas gotas unidas d\u00e3o vida ao atob\u00e1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Willi de Carvalho (1966)<\/p>\n<p>Autodidata, o mineiro Welivander C\u00e9sar de Carvalho \u00e9 reconhecido como um dos maiores miniaturistas do Brasil, respons\u00e1vel por retratar cenas e personagens populares, como festejos, manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, personalidades da cultura brasileira e favelas, tudo em minuciosa e pequena escala. Especialmente para \u201cArte dos Mestres\u201d, ele trar\u00e1 sua s\u00e9rie \u201cPretas do Willie\u201d, homenageando nomes como Carolina Maria de Jesus, Maria Elisa Alves dos Reis (primeira palha\u00e7a negra do Brasil), Chica da Silva, Elza Soares, entre outras personalidades negras brasileiras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cl\u00e9lia Lemos (1953)<\/p>\n<p>A mineira Maria Cl\u00e9lia Lemos (1953) come\u00e7ou a trabalhar com costura com a m\u00e3e, fazendo sapatilhas de tecido para vender, mas logo passou a criar e estandartes h\u00e1 20 anos. O primeiro foi criado para ocupar uma parede vazia em uma exposi\u00e7\u00e3o de Willi Carvalho, seu companheiro na \u00e9poca. A obra foi muito elogiada e, Cl\u00e9lia, que n\u00e3o se considerava artista, descobriu sua voca\u00e7\u00e3o. Sua produ\u00e7\u00e3o apresenta o simbolismo religioso do catolicismo mineiro, permeado pela forte devo\u00e7\u00e3o e manifesta\u00e7\u00f5es populares. Devido \u00e0 riqueza das cores e texturas combinadas com harmonia e beleza, suas pe\u00e7as causam um grande impacto visual e t\u00eam chamado cada vez mais a aten\u00e7\u00e3o de colecionadores e galeristas Brasil afora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Marivaldo Costa (1971)<\/p>\n<p>Parte da terceira gera\u00e7\u00e3o de uma fam\u00edlia de ceramistas do Marivaldo Sena da Costa j\u00e1 dominava todas as etapas da produ\u00e7\u00e3o da cer\u00e2mica aos 15 anos de idade e, por isso, foi considerado mestre ceramista muito jovem. Suas obras seguem o estilo Icoaraci ou Paracuri, que reinterpretam os grafismos das cer\u00e2micas arqueol\u00f3gicas marajoaras encontradas na regi\u00e3o do Par\u00e1. Nos anos 1990, come\u00e7ou a se dedicar de forma mais profunda ao estudo da cer\u00e2mica arqueol\u00f3gica, a partir da observa\u00e7\u00e3o de fotografias e das pe\u00e7as de Mestre Raimundo Cardoso, pioneiro na produ\u00e7\u00e3o de r\u00e9plicas fi\u00e9is desses artefatos. Devido \u00e0 sua maestria na t\u00e9cnica, em 2016 Marivaldo foi convidado a fazer parte do projeto Replicando o Passado, realizado pelo Museu Paraense Em\u00edlio Goeldi com o objetivo de replicar as pe\u00e7as mais representativas de seu acervo. Atualmente, junto a outros quatro ceramistas, Marivaldo Costa \u00e9 uma das maiores refer\u00eancias na produ\u00e7\u00e3o de r\u00e9plicas de cer\u00e2micas arqueol\u00f3gicas deixadas por diferentes povos que habitaram a Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fam\u00edlia C\u00e2ndido (Cear\u00e1)<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o cer\u00e2mica da fam\u00edlia cearense come\u00e7a na d\u00e9cada de 1960, quando Maria de Lurdes C\u00e2ndido Monteiro decide modelar brinquedos de barro, ao lado das filhas Maria Candido e Maria do Socorro. Anos depois, as tr\u00eas ficaram conhecidas como as \u201ctr\u00eas Marias de Juazeiro\u201d. Maria de Lurdes C\u00e2ndido foi reconhecida como Mestra da Cultura pelo estado do Cear\u00e1 em 2004. Faleceu em 2021, deixando seu conhecimento como um legado para a fam\u00edlia. Atualmente, cinco filhos, uma nora e uma neta seguem na produ\u00e7\u00e3o. Assinam as obras com as iniciais dos nomes, formando um c\u00f3digo de identifica\u00e7\u00e3o das artistas. Assim como outros artes\u00e3os e n\u00facleos produtivos de Juazeiro do Norte, a fam\u00edlia C\u00e2ndido tamb\u00e9m integra o Centro Cultural Mestre Noza, onde exp\u00f5e e comercializa suas pe\u00e7as. Seus temas s\u00e3o a manifesta\u00e7\u00e3o figurativa em cer\u00e2mica mais expressiva da regi\u00e3o, que possui forte tradi\u00e7\u00e3o no entalhe em madeira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fam\u00edlia Santos (Bahia)<\/p>\n<p>A tradi\u00e7\u00e3o figurativa da fam\u00edlia baiana teve in\u00edcio na d\u00e9cada de 1960, quando Armando Santos aprendeu a produzir pequenas figuras de pres\u00e9pio para vender \u00e0 popula\u00e7\u00e3o local de Cachoeira (BA) e turistas. Repassou os conhecimentos para os irm\u00e3os Cec\u00edlio Santos e C\u00e2ndido Santos Xavier, mais conhecido como Tamba, criador das imagens que consagraram o trabalho da fam\u00edlia como express\u00f5es da arte afro-brasileira: o Exu sentado com uma boca enorme e vermelha, a Barca de Exus, o Falso padre e a Falsa freira. Atualmente, a nora de Armando, Alet\u00edcia Bertosa Ribeiro, e seu neto Florisvaldo Ribeiro dos Santos s\u00e3o os \u00fanicos artistas que continuam a tradi\u00e7\u00e3o iniciada pelos irm\u00e3os. Apesar da exibi\u00e7\u00e3o das obras da fam\u00edlia durante a emblem\u00e1tica exposi\u00e7\u00e3o Bahia no Ibirapuera (1959), sob a curadoria de Lina Bo Bardi, e de outras importantes exposi\u00e7\u00f5es curadas por Emanuel Ara\u00fajo nos anos 2000, a presen\u00e7a delas nessa mostra tem o objetivo de reativar seu legado e divulg\u00e1-lo para um p\u00fablico mais amplo, reiterando o prest\u00edgio e a relev\u00e2ncia que devem ter enquanto obras de arte genuinamente brasileiras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fam\u00edlia Ant\u00f4nio de Ded\u00e9 (Alagoas)<\/p>\n<p>Ant\u00f4nio Alves dos Santos (1953), conhecido como Mestre Ant\u00f4nio de Ded\u00e9, deixava as esculturas de madeira que criava cuidadosamente expostas em casa para serem vistas por clientes enquanto trabalhava na lavoura. Foi descoberto por uma galerista de arte popular, que divulgou seu trabalho e o estimulou a explorar ainda mais a sua criatividade. O mestre repassou seus conhecimentos para os noves filhos, que continuam o trabalho do pai e o transmitem para novas gera\u00e7\u00f5es, mantendo vivas suas principais caracter\u00edsticas: a expressividade dram\u00e1tica dos personagens e a composi\u00e7\u00e3o colunar, sem deixar de imprimir em cada nova cria\u00e7\u00e3o sua pr\u00f3pria individualidade art\u00edstica. Alguns passaram a criar pe\u00e7as encaix\u00e1veis, que extrapolam a forma original. J\u00e1 as filhas criam principalmente totens com entalhe econ\u00f4mico, mas graficamente ricos devido \u00e0 pintura colorida e detalhada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fam\u00edlia Teles (Minas Gerais)<\/p>\n<p>Geraldo Teles de Oliveira (1913 \u2013 1990), mais conhecido como GTO, foi um famoso escultor mineiro, cujas obras de grandes dimens\u00f5es criadas com a ajuda do filho M\u00e1rio Teles, foram apresentadas em exposi\u00e7\u00f5es, museus e bienais nacionais e internacionais em diversas institui\u00e7\u00f5es renomadas. Alex Teles, filho de M\u00e1rio, tamb\u00e9m seguiu os passos do av\u00f4 e do pai, e continua a entalhar na madeira imagens que contam hist\u00f3rias da mitologia e cultura popular brasileira e da rela\u00e7\u00e3o art\u00edstica existente entre GTO, M\u00e1rio e Alex, que formam uma trindade art\u00edstica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Wauja (Parque Ind\u00edgena do Xingu \u2013 Mato Grosso)<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m descritos como Waur\u00e1, os povos origin\u00e1rios brasileiros falantes de uma l\u00edngua arawak, compartilham semelhan\u00e7as culturais e lingu\u00edsticas com os Mehinako e habitam a regi\u00e3o do Alto Xingu. As pe\u00e7as dessa exposi\u00e7\u00e3o foram produzidas por artistas da maior das 6 aldeias que formam essa comunidade, a Piyulaga. Os Wauja s\u00e3o bastante conhecidos por sua produ\u00e7\u00e3o cer\u00e2mica, pois s\u00e3o os \u00fanicos povos do Xingu a produzi-la. Sua est\u00e9tica \u00e9 inconfund\u00edvel e \u00fanica no mundo. Atualmente atendem especialmente o mercado de lojas de arte e artesanato, mas tamb\u00e9m s\u00e3o procurados por outros povos do complexo xinguano, que trocam diferentes tipos de artefatos por panelas de diversos tamanhos. S\u00e3o, assim, os grandes fornecedores de artefatos cer\u00e2micos para todo o Xingu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mehinaku (Parque Ind\u00edgena do Xingu \u2013 Mato Grosso)<\/p>\n<p>Os Mehinaku possuem uma popula\u00e7\u00e3o aproximada entre 300 e 400 indiv\u00edduos, divididos em 5 aldeias situadas nas margens dos rios Kurisevo e Kuluene, na regi\u00e3o do Alto Xingu. S\u00e3o falantes de uma l\u00edngua da fam\u00edlia Arawak e guardam muitas semelhan\u00e7as lingu\u00edsticas e culturais com os Wauja. No campo das artes e da produ\u00e7\u00e3o artesanal, os Mehinaku. Entre os destaques na produ\u00e7\u00e3o artesanal desta popula\u00e7\u00e3o, est\u00e3o as m\u00e1scaras e canoas. J\u00e1 as mulheres se dedicam a um sofisticado tran\u00e7ado em fibra de buriti e linha de algod\u00e3o, com bel\u00edssimos grafismos e desenhos. Com o tran\u00e7ado, confeccionam principalmente cestos e esteiras que ganham novos desenhos e formas para al\u00e9m do uso cotidiano, tornando-os objetos de desejo gra\u00e7as ao seu design original. As obras apresentadas nesta exposi\u00e7\u00e3o foram confeccionadas por artistas da aldeia Kaup\u00fcna, criada em 2014.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Servi\u00e7o:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Feira-Exposi\u00e7\u00e3o Arte dos Mestres<\/p>\n<p>Curadoria: Josiane Masson e Marco Aur\u00e9lio Pulch\u00e9rio<\/p>\n<p>Realiza\u00e7\u00e3o: Artesol | Patroc\u00ednio: Instituto Cultural Vale<\/p>\n<p>Local: Espa\u00e7o State &#8211; Avenida Manuel Bandeira, 360 &#8211; Vila Leopoldina, S\u00e3o Paulo\/SP<\/p>\n<p>Per\u00edodo: 30 de agosto a 3 de setembro de 2023<\/p>\n<p>Hor\u00e1rios: quarta-feira, das 12h \u00e0s 19h; quinta a domingo, das 11h \u00e0s 19h.<\/p>\n<p>Entrada gratuita. Mais informa\u00e7\u00f5es em www.artesol.org.br<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sobre a Artesol<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Artesol \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos fundada pela antrop\u00f3loga Ruth Cardoso em 1998 para atuar na valoriza\u00e7\u00e3o do artesanato brasileiro junto a grupos tradicionais em centenas de n\u00facleos produtivos de todo o pa\u00eds. O foco dos projetos da institui\u00e7\u00e3o \u00e9 apoiar a salvaguarda do artesanato de tradi\u00e7\u00e3o cultural do pa\u00eds e gerar oportunidades de trabalho e renda para comunidades artes\u00e3s atrav\u00e9s do est\u00edmulo ao com\u00e9rcio justo, como forma de criar um futuro mais pr\u00f3spero para os artes\u00e3os brasileiros. As iniciativas englobam atua\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da qualifica\u00e7\u00e3o profissional, pesquisa e produ\u00e7\u00e3o de conhecimento sobre o setor, laborat\u00f3rio de inova\u00e7\u00e3o artesanal e mentorias em neg\u00f3cios, estimulando o empreendedorismo e a autonomia na comercializa\u00e7\u00e3o com o uso de ferramentas digitais, al\u00e9m da realiza\u00e7\u00e3o de eventos culturais de abrang\u00eancia nacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pauta: Suporte Comunica\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>#exposicao #arte #sp #redeartesol<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Organizada pela ONG Artesol que h\u00e1 25 anos trabalha pela valoriza\u00e7\u00e3o de artes\u00e3os brasileiros, e sob a curadoria de Josiane Masson e Marco Aur\u00e9lio &hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4140,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-3828","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sobre","latest_post"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3828","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3828"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3828\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3829,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3828\/revisions\/3829"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4140"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3828"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3828"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3828"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}