{"id":33867,"date":"2025-11-10T08:40:55","date_gmt":"2025-11-10T11:40:55","guid":{"rendered":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/?p=33867"},"modified":"2025-11-10T23:41:55","modified_gmt":"2025-11-11T02:41:55","slug":"a-mostra-cura-2025-deslocamentos-chega-fortalecida-e-ousa-na-realizacao-simultanea-em-duas-cidades-pelotas-e-porto-alegre-de-10-a-20-de-novembro-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/a-mostra-cura-2025-deslocamentos-chega-fortalecida-e-ousa-na-realizacao-simultanea-em-duas-cidades-pelotas-e-porto-alegre-de-10-a-20-de-novembro-2\/","title":{"rendered":"A MOSTRA CURA 2025 \u2013 DESLOCAMENTOS CHEGA FORTALECIDA E OUSA NA REALIZA\u00c7\u00c3O SIMULT\u00c2NEA EM DUAS CIDADES: PELOTAS E PORTO ALEGRE, DE 10 A 20 DE NOVEMBRO  \u00a0"},"content":{"rendered":"<p>Companhias do Brasil estar\u00e3o representadas na mostra, que prop\u00f5e um olhar aprofundado sobre a arte e contribui\u00e7\u00e3o de artistas negros para a cultura brasileira<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em mais um ano de realiza\u00e7\u00e3o, a Cura &#8211; Mostra de Artes C\u00eanicas Negras promove uma rede de encontros, articula\u00e7\u00e3o e celebra\u00e7\u00e3o das performatividades negras no sul do Brasil. Desde 2020 os curadores e equipe de produ\u00e7\u00e3o vem trabalhando de modo a tornar p\u00fablico a vasta produ\u00e7\u00e3o de artistas brasileiros e internacionais que comp\u00f5em um grande espectro das matrizes do pensamento e dos fazeres negros no campo das artes da cena. E assim, chega em sua terceira edi\u00e7\u00e3o fortalecida e maior, cumprindo sua fun\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em um pa\u00eds marcado pelas desigualdades, promovendo uma rela\u00e7\u00e3o profunda com a constru\u00e7\u00e3o, a manuten\u00e7\u00e3o e a contribui\u00e7\u00e3o de artistas negros para a cultura brasileira. A Cura ousa, e muito, ao propor um festival simult\u00e2neo em duas cidades que se encontram a uma dist\u00e2ncia de 240 quil\u00f4metros uma da outra: Porto Alegre e Pelotas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entre 10 e 20 de novembro, A Mostra Cura \u2013 Deslocamentos apresentar\u00e1 companhias e artistas de destaque no circuito de festivais, como a Cia. Heli\u00f3polis, com o espet\u00e1culo A boca que tudo come tem fome (do c\u00e1rcere \u00e0s ruas); o core\u00f3grafo M\u00e1rio Lopes com as tr\u00eas performances que integram o projeto Afrotranstopia, o espet\u00e1culo Dan\u00fabio, do Grupo Sutil Ato, do Distrito Federal, C\u00edcera, de S\u00e3o Paulo, Cord\u00e3o, de Malu Avellar, tamb\u00e9m de S\u00e3o Paulo. Do RS, destaque para a estreia do novo espet\u00e1culo da Espiralar Encruza, Molha, e importantes montagens ga\u00fachas como Kiki Ball da Cura, Vozes de Dandara, Relaxamento Afro, entre tantas outras atra\u00e7\u00f5es. A Mostra Cura &#8211; Deslocamentos \u00e9 realizada com recursos federais da Lei Aldir Blanc e conta com apoio da Casa de Cultura Mario Quintana, SESC-RS, Ieacen, Funda\u00e7\u00e3o Teatro S\u00e3o Pedro, Associa\u00e7\u00e3o dos amigos do Theatro S\u00e3o Pedro, Secult Pelotas, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, Cinemateca Paulo Amorim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como destaque da programa\u00e7\u00e3o est\u00e1 um encontro com curadores de festivais brasileiros. ABRE-ALAS: festivais em aquilombamento \u00e9 uma articula\u00e7\u00e3o entre o Festival de Dan\u00e7a Itacar\u00e9\/BA, do Dona Ruth: Festival de Teatro Negro de S\u00e3o Paulo e da Mostra CURA de Artes C\u00eanicas Negras (Porto Alegre\/ Pelotas &#8211; RS). Esse encontro, que ser\u00e1 realizado na Sala Lu\u00eds Cosme da CCMQ no dia 15, \u00e0s 15h, amplia a discuss\u00e3o das diferen\u00e7as \u00e9ticas e pol\u00edticas, vislumbrando os devires negros nas artes da cena. Articula estrat\u00e9gias conjuntas para continuidade de eventos negros produzidos no Brasil, buscando o di\u00e1logo com institui\u00e7\u00f5es nacionais que fomentam as artes. Neste primeiro ano lan\u00e7am a proposi\u00e7\u00e3o de um corredor cultural para circula\u00e7\u00e3o de artistas e obras c\u00eanicas, tendo o espet\u00e1culo Dan\u00fabio, da Cia Sutil Ato (Sobradinho-DF) como sua primeira experi\u00eancia. O encontro, que j\u00e1 foi realizado na programa\u00e7\u00e3o do Festival Dona Ruth de S\u00e3o Paulo em outubro, segue para Itacar\u00e9 (4\/11) e no dia 15 de novembro acontece em Porto Alegre, na Cura. Estar\u00e3o presentes Verusya Correia, idealizadora e diretora art\u00edstica do Festival de Dan\u00e7a Itacar\u00e9; Gabriel C\u00e2ndido, idealizador e curador do festival Dna Ruth: Festival de Teatro Negro de S\u00e3o Paulo, e Soraya Martins, artista, pesquisadora, cr\u00edtica de dan\u00e7a e curadora independente, convidada esse ano para a equipe do Dna Ruth. Al\u00e9m dos curadores, representantes da FUNARTE, Itau Cultural, Funda\u00e7\u00e3o Palmares e SESC Nacional acompanham o encontro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cEm 2020 nos debru\u00e7amos nas urg\u00eancias do per\u00edodo pand\u00eamico para promover e fortalecer as redes de cria\u00e7\u00e3o e de sobreviv\u00eancia de artistas locais em perspectiva global. Em 2024, ano de enchentes no Rio Grande do Sul, nos movemos em dire\u00e7\u00e3o ao sul do estado, na cidade de Pelotas, uma das cidades brasileiras com o maior quantitativo de pessoas negras proporcional ao n\u00famero de habitantes, estabelecendo trocas e promovendo encontros entre artistas locais, da capital e de outros estados do pa\u00eds. Em 2025, a proposta curatorial da Mostra Cura, que se volta para sua curta, por\u00e9m intensa trajet\u00f3ria, se ocupa em pensar a partir da no\u00e7\u00e3o de deslocamentos, os devires criativos negros\u201d, afirma a equipe curatorial. Para isso, a Cura promove encontros e trocas a fim de oxigenar e espalhar esse renovado ar aos quatro cantos do pa\u00eds a partir do RS, um estado conservador e de not\u00f3ria complexidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Di\u00e1spora, deslocamentos pretos nas geografias, estradas e mapas, na terra, nas matas, entre realidades. Deslocamento de linguagens, no corpo, no tempo. Gesto como deslocamento. Deslocamentos da capital para interior e do interior para a capital. Entre margem e centro, reposicionando l\u00f3gicas, desfazendo estruturas, criando e imaginando um novo territ\u00f3rio, que se faz pelos movimentos dos corpos em articula\u00e7\u00e3o\u201d, reflete a curadoria. A programa\u00e7\u00e3o da Mostra Cura 2025 \u2013 deslocamentos ter\u00e1 ainda oficinas, resid\u00eancia, encontro com curadores, aula magna, shows, festas, oferecidos de forma gratuita para a popula\u00e7\u00e3o das duas cidades. Artistas locais, nacionais e internacionais em celebra\u00e7\u00e3o nas rotas do Rio Grande do Sul. \u201cO que podem artistas negros proporem como deslocamento de linguagens consolidadas? Dan\u00e7a, teatro, performance e m\u00fasica tramados por gestos que dinamizam, e rompem limites. Queremos pensar as diferentes e plurais intelig\u00eancias negras como recriadoras de modos de estar no mundo\u201d, reafirma a curadoria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>PROGRAMA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Porto Alegre \/ Espet\u00e1culos<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>10 de novembro<\/p>\n<p>19h &#8211; C\u00edcera, no Galp\u00e3o Floresta Cultural<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>11 de novembro<\/p>\n<p>19h &#8211; Bandele \u2013 19h, no Teatro Sesc<\/p>\n<p>21h &#8211; Afrotranstopia \u2013 Movimento I, na Sala Carlos Carvalho<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>12 de novembro<\/p>\n<p>19h &#8211; Zaze Zaze \u2013 Uma festa para Vav\u00f3, no Galp\u00e3o Floresta Cultural<\/p>\n<p>21h &#8211; Afrotranstopia \u2013 Movimento II, na Sala Carlos Carvalho<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>13 de novembro<\/p>\n<p>11h &#8211; Cord\u00e3o \u2013 Travessa dos Cataventos<\/p>\n<p>14h &#8211; Afrotranstopia \u2013 Movimento III Celebration (filme), na Sala Eduardo Hirtz<\/p>\n<p>19h &#8211; Molha, na Zona Cultural<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>14 de novembro<\/p>\n<p>17h &#8211; Relaxamento Afro, na Travessa dos Cataventos<\/p>\n<p>19h &#8211; Molha, na Zona Cultural<\/p>\n<p>21h &#8211; Dan\u00fabio, no Galp\u00e3o Floresta Cultural<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>15 de novembro<\/p>\n<p>15h &#8211; ABRE-ALAS: festivais em aquilombamento &#8211; Encontro de curadores na Sala Lu\u00eds Cosme da CCMQ<\/p>\n<p>19h &#8211; Molha, na Zona Cultural<\/p>\n<p>21h &#8211; Dan\u00fabio, no Galp\u00e3o Floresta Cultural<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>16 de novembro<\/p>\n<p>19h &#8211; Molha, na Zona Cultural<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>20 de novembro<\/p>\n<p>15h \u2013 Kiki Ball da Cura: Cultura Negra Brasileira, na Sala \u00c1lvaro Moreyra<\/p>\n<p>18h \u2013 Vozes de Dandara, no Teatro Renascen\u00e7a<\/p>\n<p>20h \u2013 A boca que tudo come tem fome (do c\u00e1rcere \u00e0s ruas), no Teatro Sim\u00f5es Lopes Neto<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Oficinas Porto Alegre<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dia 10 de novembro<\/p>\n<p>Resid\u00eancia M\u00e1rio Lopes &#8211; 14h \u00e0s 18h \/ Espa\u00e7o For\u00e7a e Luz<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dia 12 de novembro<\/p>\n<p>Oficina Relaxamento Afro &#8211; 14h \u00e0s 17h &#8211; Sala S\u00e9rgio Napp 1 &#8211; 2 andar CCMQ<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dia 13 de novembro<\/p>\n<p>Oficina Relaxamento Afro &#8211; 14h \u00e0s 17h &#8211; Sala S\u00e9rgio Napp 1 &#8211; 2 andar CCMQ<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dias 17 de novembro<\/p>\n<p>Oficina Jess\u00e9 Oliveira &#8211; 10h \u00e0s 12h \u2013 CHC Santa Casa<\/p>\n<p>Oficina Ball, das 18h \u00e0s 20h &#8211; Espa\u00e7o JINKA N\u00facleo Afro<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dias 18 de novembro<\/p>\n<p>Oficina Jess\u00e9 Oliveira &#8211; 10h \u00e0s 12h \u2013 CHC Santa Casa<\/p>\n<p>Oficina Ball, das 18h \u00e0s 20h &#8211; Espa\u00e7o JINKA N\u00facleo Afro<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dia 19<\/p>\n<p>Oficina Cia Heli\u00f3polis &#8211; 9 \u00e0s 12h e das 14 \u00e0s 17h &#8211; Sala de Circo &#8211; Multipalco<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pelotas\/ Espet\u00e1culos<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>10 de novembro<\/p>\n<p>19h &#8211; Qual a diferen\u00e7a entre o Charme e o Funk, no Col\u00e9gio Pelotense<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>11 de novembro<\/p>\n<p>19h &#8211; C\u00edcera, \u00e0s 19h na sala Carmem Biasoli<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>12 de novembro<\/p>\n<p>10h &#8211; Kuumba conta Hist\u00f3rias &#8211; EMEF Jo\u00e3o da Silva Silveira<\/p>\n<p>15h &#8211; Bandelli, no Col\u00e9gio Pelotense<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>14 de novembro<\/p>\n<p>15h &#8211; Katchaku Katchaka, no C\u00e9u Artes \u2013 Dunas<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>15 de novembro<\/p>\n<p>19h &#8211; Ballroom Ndate Yalla Mbodj \u2013 19h, no Clube Cultural Fica Ah\u00ed<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>16 de novembro<\/p>\n<p>15h &#8211; Gr\u00e3o de Areia, no C\u00e9u Artes Dunas<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>17 de novembro<\/p>\n<p>19h &#8211; Afrotranstopia \u2013 Movimento I<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>18 de novembro<\/p>\n<p>14h &#8211; Afrotranstopia \u2013 Movimento III, \u00e0s 14h no Cine UFPEL<\/p>\n<p>17h &#8211; Igba Awo, no Largo do Bola<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>19 de novembro<\/p>\n<p>19h \u2013 Espet\u00e1culo a confirmar<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Oficinas Pelotas<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>12 de novembro<\/p>\n<p>Oficina Contadores de Mentira, das 9h \u00e0s 12h, na sala 61\/ bloco 3 &#8211; Centro de Artes UFPel<\/p>\n<p>Jess\u00e9 Oliveira \u2013 18h \u00e0s 22h &#8211; Clube Cultural Fica Ah\u00ed<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>13 de novembro<\/p>\n<p>Jess\u00e9 Oliveira \u2013 9h \u00e0s 12h, no Clube Cultural Fica Ah\u00ed<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>18 de novembro<\/p>\n<p>Workshop M\u00e1rio Lopes \u2013 das 9h \u00e0s 12h, no Clube Cultural Fica Ah\u00ed<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>SINOPSES<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A boca que tudo come tem fome (do c\u00e1rcere \u00e0s ruas) \u2013 Cia Heli\u00f3polis \/ SP<\/p>\n<p>Com encena\u00e7\u00e3o de Miguel Rocha e dramaturgia de Dione Carlos, o espet\u00e1culo da Cia. Heli\u00f3polis \u00e9 resultado da pesquisa do projeto Do c\u00e1rcere \u00e0s ruas: o estigma da vida depois das grades, contemplado pela 43\u00aa Edi\u00e7\u00e3o do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de S\u00e3o Paulo. A pesquisa partiu da premissa de que o encarceramento deflagra traumas, comportamentos e perspectivas que inevitavelmente estar\u00e3o presentes na retomada da vida, buscando compreender as consequ\u00eancias do aprisionamento nas tentativas de adapta\u00e7\u00e3o fora da pris\u00e3o e na reconstru\u00e7\u00e3o das vidas. Em cena, seis pessoas que passaram pelo sistema prisional brasileiro t\u00eam suas trajet\u00f3rias entrela\u00e7adas. Diante das dificuldades de reinser\u00e7\u00e3o social e reconstru\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria vida, cada uma delas, a seu modo, tenta encontrar uma sa\u00edda. As marcas do per\u00edodo atr\u00e1s das grades permanecem na mem\u00f3ria, no corpo e nos afetos. Exu, o orix\u00e1 das encruzilhadas e destrancador dos caminhos, aparece como uma presen\u00e7a provocativa ao despertar naqueles sujeitos a fome de novos come\u00e7os e a avidez por dignidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Afrotranstopia \u2013 Movimentos Coreogr\u00e1ficos \/ SP<\/p>\n<p>Obra em tr\u00eas atos complementares, que estrearam em diferentes tempos e contextos. Movimentos I, II e III derivam de uma extensa pesquisa conduzida pelo artista, core\u00f3grafo e pesquisador M\u00e1rio Lopes. A ativa\u00e7\u00e3o desta macrodramaturgia em tr\u00eas atos \u2014 dois c\u00eanicos e um audiovisual, criado e encenado durante a pandemia da COVID-19 \u2014 aborda o conceito de Afrotranstopia, desenvolvido por M\u00e1rio em sua disserta\u00e7\u00e3o de mestrado Espumas e Algoritmos Coreogr\u00e1ficos. Este conceito explora a intersec\u00e7\u00e3o entre tecnologias, exist\u00eancias e afrotranscend\u00eancias, valorizando saberes ancestrais, resist\u00eancias matriarcais, ind\u00edgenas e afro-diasp\u00f3ricas como fundamentos essenciais. \u201cComo articulador e core\u00f3grafo venho pesquisando e investigando conflitos de normas sociais e corpos estranhos. Mobilidade, encontros, cruzamentos e composi\u00e7\u00f5es, normas sociais e suas repercuss\u00f5es no corpo e no movimento. Busco constantemente reconhecer, apesar das dist\u00e2ncias e diferen\u00e7as, uma outra forma de criar, uma converg\u00eancia de ideias que ajude a deslocar minhas pr\u00f3prias a\u00e7\u00f5es\u201d afirma o criador, que estar\u00e1 na Mostra Cura em Porto Alegre e em Pelotas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Movimento I \u2013 Parado \u00e9 Suspeito &#8211; A obra coreogr\u00e1fica investiga o gesto de dar som ao corpo e corpo ao instrumento, a partir de ecos do passado que ressoam no presente. Os movimentos seguem comandos que suprimem o batimento card\u00edaco, silenciam palavras que buscam se manifestar e revelam o poder da narrativa corporal. Inspirado na frase encontrada na Academia de Pol\u00edcia Militar dos anos 1990 \u2014 Negro parado \u00e9 suspeito; negro correndo \u00e9 ladr\u00e3o \u2014, o espet\u00e1culo denuncia os alarmantes \u00edndices do exterm\u00ednio da popula\u00e7\u00e3o negra e o racismo estrutural presente nas institui\u00e7\u00f5es policiais. A pe\u00e7a evidencia como estere\u00f3tipos se perpetuam sem questionamento, sustentando a equivocada associa\u00e7\u00e3o entre pessoas negras e criminalidade. O movimento levado ao esgotamento provoca no p\u00fablico sensa\u00e7\u00f5es de ang\u00fastia, dor e perplexidade, ao assistir o corpo que resiste em saltos incessantes, reconfigurando-se diante do destino que o mira. Seja como espa\u00e7o de den\u00fancia, escuta ou cria\u00e7\u00e3o, Movimento I nos impulsiona a projetar novos caminhos de humanidade para os corpos negros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Movimento II \u2013 Kodex_Konflikt &#8211; Nesta cria\u00e7\u00e3o, o foco \u00e9 a investiga\u00e7\u00e3o do impacto no corpo em contextos desconhecidos: c\u00f3digos sociais, processos de adapta\u00e7\u00e3o f\u00edsica e momentos de confronto com a condi\u00e7\u00e3o de \u201ccorpo estrangeiro\u201d \u2014 seja pela l\u00edngua, pela cor da pele ou pelos modos de existir. Os que s\u00e3o reconhecidos como estrangeiros buscam estrat\u00e9gias de camuflagem que lhes permitam se adequar, atravessar e penetrar as normas estabelecidas. Movimento II articula dan\u00e7a e performance para revelar os conflitos e adapta\u00e7\u00f5es vividos por corpos deslocados e racializados, tensionando as fronteiras entre pertencimento, exclus\u00e3o e sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Movimento III \u2013 Celebra\u00e7\u00e3o, Espumas P\u00f3s-Tsunami (2021) Trabalho coletivo e transdisciplinar, Movimento III articula coreografia, cinema, dan\u00e7a, artes visuais, m\u00fasica, arquitetura e pensamento cr\u00edtico. Concretiza-se como longa-metragem, instala\u00e7\u00e3o imersiva e desdobramento da pesquisa em Afrotranstopia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As Vozes de Dandara, de Silvia Duarte \/ RS<\/p>\n<p>No palco est\u00e1 a reuni\u00e3o das cantoras Claudia Quadros, Guaira Soares e Preta Guedes \u2014 mulheres negras de reconhecida trajet\u00f3ria art\u00edstica no cen\u00e1rio musical ga\u00facho e porto-alegrense. Elas interpretam obras de compositoras negras e compositores de destaque no panorama musical local e nacional, acompanhadas por m\u00fasicos experientes e de s\u00f3lida carreira. O repert\u00f3rio celebra e valoriza a contribui\u00e7\u00e3o das mulheres negras na m\u00fasica, destacando a riqueza das express\u00f5es afro-brasileiras e promovendo visibilidade, representatividade e empoderamento dessas artistas no contexto cultural do Rio Grande do Sul e do Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bandele \/ RS<\/p>\n<p>O menino nascido longe de casa &#8211; bate seu tambor contando a trajet\u00f3ria de sua aldeia. Ele pede ajuda para os esp\u00edritos que moram no grande Baob\u00e1 e protegem todas as hist\u00f3rias do mundo. Inspirado nos sons, tons e imagens da M\u00e3e \u00c1frica, o espet\u00e1culo livremente adaptado da obra hom\u00f4nima da escritora ga\u00facha Eleonora Medeiros, ilustrada por Camilo Martins, re\u00fane conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias, teatro de anima\u00e7\u00e3o e teatro visual. Bandele, \u00e9 um espet\u00e1culo para ver, ouvir e sentir. Criado em 2018, Bandele, dirigido pelo ator e bonequeiro Leandro Silva, foi precursor dos estudos e tem\u00e1ticas afrobrasileiras. Pensado para ser uma celebra\u00e7\u00e3o \u00e0 vida dos corpos pretos, a pe\u00e7a resgata a import\u00e2ncia da maternidade, da juventude e do respeito aos mais velhos. De l\u00e1 para c\u00e1 foram diversas apresenta\u00e7\u00f5es, nos mais variados formatos e espa\u00e7os, com os mais diferentes p\u00fablicos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>C\u00edcera \/ SP<\/p>\n<p>A alagoana C\u00edcera traz em sua mala um punhado de farinha, quatro filhas e o sonho de uma vida melhor. Em S\u00e3o Paulo encontra dureza, concreto, fome e saudade. \u201cC\u00edcera\u201d \u00e9 a hist\u00f3ria de uma mulher, mas \u00e9 o retrato da vida de centenas de mulheres retirantes que deixam suas ra\u00edzes na busca de igualdade social. A anci\u00e3, a jovem, a desbravadora, a m\u00e3e, a trabalhadora, a que luta por seus direitos. Todas s\u00e3o C\u00edceras. Atravessada por cantos de trabalho, relatos e mem\u00f3rias a obra apresenta uma mulher nordestina em ponto de ebuli\u00e7\u00e3o, que dan\u00e7a e sa\u00fada sua caminhada. Este \u00e9 o primeiro mon\u00f3logo do grupo Contadores de Mentira em 23 anos. Em cena, a atriz Daniele Santana vive a personagem, entre relatos, can\u00e7\u00f5es e \u00e1udios de senhoras de Alagoas, que colaboram para o entrela\u00e7amento dos temas e reflex\u00f5es propostos. O grupo, da cidade de Mairipor\u00e3, em SP, atua em rede com conex\u00f5es em v\u00e1rios pa\u00edses. Desenvolve pesquisa e possui identidade na antropologia, hist\u00f3ria, pol\u00edtica e sociedade. \u00c9 um grupo militante que h\u00e1 anos descobriu que era necess\u00e1rio se organizar em coletivos, em redes, em f\u00f3runs, na luta por condi\u00e7\u00f5es de trabalho aos fazedores de cultura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cord\u00e3o, de Malu Avellar \/SP \u2013 performance de rua<\/p>\n<p>Malu Avelar elaborou a performance a partir da pesquisa sobre um recorte da produ\u00e7\u00e3o de Geraldo Filme, artista, compositor, cantor e militante negro, e da presen\u00e7a relevante dos corpos LGBTQIA+ em bairros da cidade de S\u00e3o Paulo. Geraldo Filme desafiou o tempo e as limita\u00e7\u00f5es impostas pela sociedade e foi o guardi\u00e3o que cantarolou encantamentos e den\u00fancias para que as nossas hist\u00f3rias n\u00e3o fossem apagadas, um artista cuja obra atravessou as camadas do tempo Assim Malu evoca a entidade do malandro Z\u00e9 Pelintra e como um corpo sapat\u00e3o e preto dan\u00e7a pedindo a ben\u00e7\u00e3o ao v\u00f4 Gege para dar continuidade \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o do samba. A dan\u00e7a como linguagem torna-se um rito de passagem e de sensibilidade para ativar outras escutas que permeiam o campo do conhecimento ancestral e espiritual.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Corpocidade, de Gabriel Faryas \/ RS<\/p>\n<p>O espet\u00e1culo surge de observa\u00e7\u00f5es do artista Gabriel Faryas em diferentes munic\u00edpios, suas configura\u00e7\u00f5es espaciais e de como as constantes mudan\u00e7as impactam as subjetividades dos corpos que nas cidades se movimentam. O trabalho se inspira em elementos visuais, sonoros e corporais para construir uma encena\u00e7\u00e3o sensorial que traga os vest\u00edgios dessas urbanidades para uma narrativa cotidiana e humana: a procura por um objeto perdido. Na cena, Guilherme procura em Breu um pequeno objeto que mal reparou cair dos bolsos, tamanha a correria. Ao cruzar toneladas de pedras, surgem coreografias que o lembram de onde pode ter ficado. Deseja reencontr\u00e1-lo, nem que tenha que engolir a cidade para isso. Entre sutilezas e monstruosidades, o trabalho aborda, de forma especulativa, temas relacionados aos movimentos, imagens e ru\u00eddos de uma cidade-caos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dan\u00fabio \/ DF<\/p>\n<p>Dois atores, um adulto e uma crian\u00e7a, percorrem uma jornada l\u00edrica e l\u00fadica que brinca di\u00e1logos entre uma mesma pessoa em diferentes tempos de vida. Dan\u00fabio \u00e9 o protagonista negro que busca sua pr\u00f3pria voz, hist\u00f3ria e identidade entre as muitas vozes e mem\u00f3rias que habitam seu corpo. As contradi\u00e7\u00f5es e embates entre a crian\u00e7a e o adulto, convidam o p\u00fablico a mergulhar na complexidade de sentimentos, emo\u00e7\u00f5es, cosmologias e ancestralidades que atravessam as mem\u00f3rias e subjetividades pretas. A montagem explora a ancestralidade, a mem\u00f3ria e a constru\u00e7\u00e3o de identidade negra. Com dire\u00e7\u00e3o e dramaturgia original de Jonathan Andrade, nome bastante conhecido na cena teatral do Distrito Federal, o espet\u00e1culo Dan\u00fabio promete tocar profundamente o p\u00fablico colocando em cena debates contempor\u00e2neos acerca das identidades, mem\u00f3rias e ancestralidades negras. O espet\u00e1culo teve sua estreia no final de 2024 e integrou a programa\u00e7\u00e3o da 28\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Cena Contempor\u00e2nea &#8211; Festival Internacional de Teatro de Bras\u00edlia. Este espet\u00e1culo promove o encontro de tr\u00eas festivais em aquilombamento: Mostra Cura, Dona Ruth e Itacar\u00e9.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Igba Awo \/ RS<\/p>\n<p>Performance sonora e corporal que se constr\u00f3i como ativa\u00e7\u00e3o art\u00edstica em tempo real. Protagonizada por Nina Fola e dirigida por Thiago Pirajira, a obra nasce da ancestralidade negro-africana para interrogar o presente. A obra estabelece um di\u00e1logo entre cultura de terreiro e experimenta\u00e7\u00e3o urbana, resist\u00eancia e celebra\u00e7\u00e3o, corpo e som, mem\u00f3ria e cria\u00e7\u00e3o. Ao se abrir ao p\u00fablico, afirma o processo como lugar de inven\u00e7\u00e3o e conhecimento, em que o fazer se torna tamb\u00e9m gesto de escuta e transforma\u00e7\u00e3o. O projeto foi pensado para mostrar a trajet\u00f3ria de um grupo de artistas em torno de um tema que passa pelo sentimento sobre a resist\u00eancia social e cultural negra-africana. Igba Awo exalta a import\u00e2ncia das mulheres negras, das palavras e poesias, das m\u00fasicas e sons, dos pensamentos e estrat\u00e9gias que constru\u00edram e que promovem espa\u00e7os de amplia\u00e7\u00e3o da humanidade negra frente ao mundo antinegro. No centro da cena est\u00e1 a caba\u00e7a, e a ela \u00e9 dada a import\u00e2ncia do lugar mitol\u00f3gico africano como \u201cventre do mundo&#8221;, um objeto que guarda segredos (Awo), instrumento que possibilita o acesso \u00e0 comida e \u00e0 \u00e1gua e que pode ser uma caixa amplificadora de sons.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Katchaku Katchacka: era uma vez em Odjeidje \/ RS<\/p>\n<p>O espet\u00e1culo narra a coragem e a esperteza do menino Gond\u0153ur, vivido por Loua Pacom, que aceita o desafio de enfrentar um grande monstro para defender a sua aldeia. O espet\u00e1culo \u00e9 direcionado para crian\u00e7as, jovens e adultos, com a proposta de oferecer uma abordagem da cultura africana, que tanto influencia a sociedade brasileira, de maneira l\u00fadica e original, somando-se \u00e0s diversas iniciativas no campo da educa\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais. Kachaku Katchaka estreou no Centro Cultural da UFRGS, em setembro de 2023, pelo projeto Cenas M\u00ednimas. Esteve presente no evento \u201c<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Companhias do Brasil estar\u00e3o representadas na mostra, que prop\u00f5e um olhar aprofundado sobre a arte e contribui\u00e7\u00e3o de artistas negros para a cultura brasileira &nbsp; &hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":33868,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-33867","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","latest_post"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33867","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33867"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33867\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33869,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33867\/revisions\/33869"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/33868"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33867"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33867"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33867"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}