{"id":33004,"date":"2025-10-29T02:01:54","date_gmt":"2025-10-29T05:01:54","guid":{"rendered":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/?p=33004"},"modified":"2025-10-29T21:33:39","modified_gmt":"2025-10-30T00:33:39","slug":"desejo-negativo-exposicao-coletiva-com-curadoria-de-jota-mombaca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/desejo-negativo-exposicao-coletiva-com-curadoria-de-jota-mombaca\/","title":{"rendered":"DESEJO NEGATIVO, EXPOSI\u00c7\u00c3O COLETIVA COM CURADORIA DE JOTA MOMBA\u00c7A"},"content":{"rendered":"<p>Desejo negativo \u00e9 uma exposi\u00e7\u00e3o coletiva com abertura em outubro de 2025, na Martins&amp;Montero, que investiga a teoria queer para tra\u00e7ar uma cr\u00edtica \u00e0s l\u00f3gicas da reprodutibilidade \u2013 entendida aqui n\u00e3o apenas como processo biol\u00f3gico de repeti\u00e7\u00e3o, mas como princ\u00edpio normativo que sustenta o mundo hegem\u00f4nico, colonial, estabelecido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com curadoria da artista Jota Momba\u00e7a, a mostra prop\u00f5e um exerc\u00edcio de recusa e inven\u00e7\u00e3o que lan\u00e7a, sobre o presente, um \u201craio negativo\u201d \u2013 express\u00e3o que evoca n\u00e3o s\u00f3 o desejo pela destrui\u00e7\u00e3o do mundo tal qual o conhecemos, mas tamb\u00e9m o desejo de interromper a recorr\u00eancia das formas impostas de existir. A exposi\u00e7\u00e3o re\u00fane artistas que cultivam, em suas pr\u00e1ticas, esse gesto de desfazimento: n\u00e3o como nega\u00e7\u00e3o est\u00e9ril, mas como abertura para imaginar o que emergiria depois.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O ponto de partida \u00e9 a obra do artista Hudinilson Jr., figura incontorn\u00e1vel da arte brasileira que trabalhou com o corpo, a c\u00f3pia e o cotidiano como territ\u00f3rios de experimenta\u00e7\u00e3o. Sua rela\u00e7\u00e3o com o xerox e a xerografia forma uma po\u00e9tica da reprodu\u00e7\u00e3o desviada que distorce, desmonta, reencena a sua pr\u00f3pria imagem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A curadoria se aproximou de Hudinilson Jr. tamb\u00e9m por meio de uma visita a seu apartamento-ateli\u00ea, ainda impregnado por sua presen\u00e7a. A exposi\u00e7\u00e3o prop\u00f5e uma esp\u00e9cie de reimagina\u00e7\u00e3o sens\u00edvel desse espa\u00e7o \u00edntimo: ac\u00famulos, assimetrias, camadas de vida que se sobrep\u00f5em \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o com os limites do corpo e do espa\u00e7o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao lado de Hudinilson Jr., a exposi\u00e7\u00e3o re\u00fane duas artistas de gera\u00e7\u00f5es distintas da sua, cujos trabalhos se entrela\u00e7am na mesma inquieta\u00e7\u00e3o com o mundo e sua reprodu\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria. Bruna Kury, artista carioca, transita por colabora\u00e7\u00f5es e coletividades, como o coletivo Coiote. Sua obra tensiona os regimes de autoria e de poder, criando alian\u00e7as com corpos em dissid\u00eancia. Zines, frases contestat\u00f3rias e gestos t\u00e1ticos comp\u00f5em um repert\u00f3rio de insurg\u00eancia que faz da reprodutibilidade um campo de disputa est\u00e9tica e pol\u00edtica. Tet\u00ea, artista paraense, opera entre a poesia visual e a fotografia. Seus poemas- diagramas e publica\u00e7\u00f5es \u2013 tanto impressas quanto digitais \u2013 constroem mapas afetivos que desmontam a linearidade do sentido. Sua pesquisa atravessa a linguagem, a imagem e o desejo de reescrever o mundo desde a sua fratura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entre esses tr\u00eas artistas pulsa um movimento antissocial, no sentido mais profundo da palavra: o de recusar o pacto com uma sociedade que exclui, normatiza e corrige. H\u00e1, nas obras dos tr\u00eas artistas, o desejo de que o mundo \u201cse desfa\u00e7a\u201d \u2013 ou ao menos, que deixe de se repetir como est\u00e1. Um desejo negativo e vital: n\u00e3o pelo fim em si, mas pelo fim como abertura para outra coisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Paradoxalmente \u2013 ou justamente por isso \u2013 suas pr\u00e1ticas recorrem \u00e0 c\u00f3pia, ao digital, \u00e0 colagem, \u00e0 fotografia. A t\u00e9cnica da reprodutibilidade, neste contexto, n\u00e3o reafirma a si mesma, mas \u00e9 tomada como fissura, como espa\u00e7o de reconfigura\u00e7\u00e3o, ressignificando essa ideia que \u00e9 t\u00e3o t\u00e9cnica quanto pol\u00edtica. S\u00e3o obras n\u00e3o negam a repeti\u00e7\u00e3o, mas a sabotam por dentro, reinventando seus contornos e possibilidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A curadoria de Jota Momba\u00e7a imagina-se como um ensaio visual sobre os limites do presente e as possibilidades de sua dissolu\u00e7\u00e3o. Com uma trajet\u00f3ria que entrela\u00e7a performance, poesia e teoria cr\u00edtica, Momba\u00e7a constr\u00f3i, nesta exposi\u00e7\u00e3o, um espa\u00e7o de fric\u00e7\u00e3o entre o fim e o porvir. N\u00e3o se trata apenas de imaginar o colapso do mundo tal como ele foi estruturado, mas de convocar imagens, gestos e pr\u00e1ticas que antecipem o que pode emergir quando o mundo acabar. Nesse intervalo entre ru\u00edna e reinven\u00e7\u00e3o, Desejo negativo especula que o mundo pode n\u00e3o continuar do mesmo jeito \u2014 e que isso seja uma boa chance.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>DESEJO NEGATIVO<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Hudinilson Jr., Bruna Kury, Tet\u00ea<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>CURADORIA<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Jota Momba\u00e7a<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>ABERTURA 30.10.2025<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>S\u00c3O PAULO<\/p>\n<p>Martins&amp;Montero Rua Jamaica 50<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desejo negativo \u00e9 uma exposi\u00e7\u00e3o coletiva com abertura em outubro de 2025, na Martins&amp;Montero, que investiga a teoria queer para tra\u00e7ar uma cr\u00edtica \u00e0s l\u00f3gicas &hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":33005,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-33004","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","latest_post"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33004","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33004"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33004\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33006,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33004\/revisions\/33006"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/33005"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33004"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33004"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33004"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}