{"id":26562,"date":"2025-08-04T23:48:57","date_gmt":"2025-08-05T02:48:57","guid":{"rendered":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/?p=26562"},"modified":"2025-08-05T13:31:37","modified_gmt":"2025-08-05T16:31:37","slug":"boscagli-de-julio-de-castilhos-a-rondon","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/boscagli-de-julio-de-castilhos-a-rondon\/","title":{"rendered":"BOSCAGLI, DE J\u00daLIO DE CASTILHOS A RONDON"},"content":{"rendered":"<p>O Museu de Arte do Pa\u00e7o (Pra\u00e7a Montevid\u00e9u, 10, Porto Alegre) tem o orgulho de inaugurar, no dia 6 de agosto, das 18h \u00e0s 20h, na Sala Aldo Locatelli, a exposi\u00e7\u00e3o &amp;quot; Boscagli, de J\u00falio de Castilhos a Rondon&amp;quot;, uma mostra que celebra os 150 anos da imigra\u00e7\u00e3o italiana no Rio Grande do Sul, destacando a trajet\u00f3ria de Giuseppe Boscagli, pintor e fot\u00f3grafo italiano, cuja obra e vida entrela\u00e7am-se com momentos marcantes da hist\u00f3ria brasileira. A mostra ficar\u00e1 aberta ao p\u00fablico at\u00e9 31 de outubro, oferecendo uma oportunidade \u00fanica de conhecer uma faceta pouco explorada da Hist\u00f3ria da Arte e da imigra\u00e7\u00e3o italiana no Brasil, atrav\u00e9s do olhar de um artista \u00edtalo-brasileiro que deixou um legado de grande valor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sobre o artista:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Giuseppe Boscagli nasceu em 29 de abril de 1862, na comuna de Rapolano, prov\u00edncia de<\/p>\n<p>Siena, It\u00e1lia, e faleceu no Rio de Janeiro, em 30 de maio de 1945. Em 1888, imigrou para a<\/p>\n<p>Argentina, em Buenos Aires, trabalhando em um est\u00fadio portenho, onde recebia<\/p>\n<p>encomendas da ag\u00eancia deste est\u00fadio em Porto Alegre. Os primeiros retratos que produziu<\/p>\n<p>l\u00e1, a partir de 1897, s\u00e3o entregues a seleta clientela do est\u00fadio local de Jachinto Ferrari, precedendo a notoriedade do pintor antes mesmo da transfer\u00eancia para Porto Alegre, no final<\/p>\n<p>de 1899. Ent\u00e3o, pode-se dizer que o pintor adentrou na cena cultural rio-grandense antes<\/p>\n<p>mesmo de se transferir para a nossa capital, na qual permaneceu apenas at\u00e9 1900, quando se mudou para Bento Gon\u00e7alves, onde fixou resid\u00eancia com a fam\u00edlia at\u00e9 1906, com v\u00e1rias idas e vindas a Porto Alegre. Em 1901, representou Bento Gon\u00e7alves na Exposi\u00e7\u00e3o Estadual<\/p>\n<p>com um retrato que foi premiado com men\u00e7\u00e3o honrosa. No retorno a Porto Alegre, em 1906, se associou \u00e0 vi\u00fava do fot\u00f3grafo espanhol Iglesias, o que deu origem \u00e0 \u201cPhotographia Art\u00edstica Boscagli\u201d, no n\u00famero 220 da Rua Riachuelo, local muito pr\u00f3ximo \u00e0 Pra\u00e7a da Matriz,<\/p>\n<p>regi\u00e3o nobre da cidade, est\u00fadio que manteve esse nome at\u00e9 1919. Sua versatilidade o levou<\/p>\n<p>a produzir retratos a \u00f3leo, aquarelas e crayon, participando com destaque, na cena art\u00edstica e cultural do Rio Grande do Sul. Em meados de 1908, viajou ao Rio de Janeiro, a servi\u00e7o de empresas ga\u00fachas para elabora\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum fotogr\u00e1fico: \u201cRio Grande do Sul na Exposi\u00e7\u00e3o Nacional de 1908\u201d, no bairro da Urca, em comemora\u00e7\u00e3o ao Centen\u00e1rio de Aberturas dos Portos do Brasil. Nesse mesmo ano de 1908, seu genro, o Aspirante Luiz Thomaz Reis (1878-1940), tamb\u00e9m seguiu ao Rio de Janeiro para cursar a Escola de Engenharia do Ex\u00e9rcito. E se presume que, tanto a esposa do pintor, Luiza Luraschi Boscagli (1874-1968), quanto a \u00fanica filha do casal, Herm\u00ednia Ignez Boscagli Reis (1894-1939), seguiram junto.<\/p>\n<p>Conforme fontes, estabeleceram resid\u00eancia a rua do Areial, hoje rua Moncorvo Filho, no centro do Rio, pr\u00f3ximo \u00e0 Pra\u00e7a da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No Rio de Janeiro, Capital Federal da Rep\u00fablica, naquele momento de transforma\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>urban\u00edsticas e sociais e com artistas j\u00e1 estabelecidos e atuando na cidade, do n\u00edvel de um Rodolfo Amoedo (1857-1941), Boscagli foi em busca de difundir a sua arte em centros promissores, aportando nas capitais de Vit\u00f3ria, no Esp\u00edrito Santo, e Belo Horizonte e na florescente Juiz de Fora, em Minas Gerais, cidades com representativos contingentes de<\/p>\n<p>imigrantes italianos em suas popula\u00e7\u00f5es. Artista dotado de talento incomum e com dom\u00ednio das t\u00e9cnicas de fotografia e de pintura associadas, ensinou a outros fot\u00f3grafos italianos<\/p>\n<p>locais, que, em contrapartida, lhe dispuseram novos mercados. Por consequ\u00eancia, atuou com destaque naqueles estados, entre 1910 e 1915. Hoje suas obras podem ser<\/p>\n<p>encontradas no acervo do Pal\u00e1cio Anchieta, em Vit\u00f3ria, e no Pal\u00e1cio da Liberdade, em Belo Horizonte.<\/p>\n<p>Em 1915, com a aproxima\u00e7\u00e3o ao Marechal Rondon, retratou-o em diferentes postos da<\/p>\n<p>carreira militar. E, incumbido de produzir imagens a cores da Comiss\u00e3o Rondon e dos<\/p>\n<p>diferentes povos origin\u00e1rios a partir dos negativos de vidro e dos fotogramas do cinema<\/p>\n<p>silencioso do Major Thomaz Reis, seu genro, acrescentando \u00e0s cenas um realismo<\/p>\n<p>inalcan\u00e7\u00e1vel \u00e0 incipiente tecnologia da \u00e9poca.<\/p>\n<p>Retratou aspectos da fauna, flora, povos ind\u00edgenas e costumes locais. Seu trabalho \u00e9 uma valiosa documenta\u00e7\u00e3o visual do Brasil no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, especialmente das<\/p>\n<p>comunidades ind\u00edgenas e dos pioneiros das regi\u00f5es de coloniza\u00e7\u00e3o. Nesse contexto, o pintor e fot\u00f3grafo imigrante \u2013 que frequentou a Academia de Belas Artes de Floren\u00e7a \u2013 no Brasil se redefiniu ao ide\u00e1rio almejado pelo Positivismo na representa\u00e7\u00e3o do ind\u00edgena na sociedade brasileira. A sua dedica\u00e7\u00e3o ao g\u00eanero etnogr\u00e1fico promoveu visibilidade de distintos povos<\/p>\n<p>origin\u00e1rios e a difus\u00e3o da ideia de que essas etnias tamb\u00e9m integravam o corpo da Na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Concomitante, produziu incont\u00e1veis retratos para institui\u00e7\u00f5es civis, militares e religiosas que<\/p>\n<p>homenageavam suas lideran\u00e7as, tais como, presidentes: Hermes da Fonseca (1910), Afonso<\/p>\n<p>Pena (1931) e Get\u00falio Vargas (1938); papa Le\u00e3o XIII (1910); rei Alberto I (1920);<\/p>\n<p>governadores (RS, ES e MG), J\u00falio de Castilhos (1899); cardeal Sebasti\u00e3o Leme (1930),<\/p>\n<p>ju\u00edzes (MG); generais (RS, RJ e MG), C\u00e2ndido Rondon; os tr\u00eas caudilhos rio-grandenses:<\/p>\n<p>Manoel Marques de Souza \u2013 \u201cConde de Porto Alegre\u201d, Silveira Martins (1918) e Pinheiro Machado (1915), obras in\u00e9ditas no Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>Sobre a curadoria e pesquisa:<\/p>\n<p>Sob a curadoria de Luiz Pasquali Almeida, ga\u00facho residente em Florian\u00f3polis, a exposi\u00e7\u00e3o surge ap\u00f3s anos de pesquisa aprofundada na iconografia de Boscagli, incluindo a recupera\u00e7\u00e3o de obras in\u00e9ditas e de grande valor hist\u00f3rico, muitas das quais estiveram sob a guarda da antiga Sociedade Sul Rio-Grandense, no Rio de Janeiro, e agora retornam ao<\/p>\n<p>p\u00fablico, por cust\u00f3dia do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico do Rio Grande do Sul. A pesquisa revelou a influ\u00eancia de artistas brasileiros e europeus, como Pedro Am\u00e9rico, D\u00e9cio Villares, Francesco Morini e Pompeu Massani, na forma\u00e7\u00e3o est\u00e9tica de Boscagli. Sua obra reflete uma combina\u00e7\u00e3o de realismo, emo\u00e7\u00e3o e uma exalta\u00e7\u00e3o \u00e0s lideran\u00e7as que contribu\u00edram para o desenvolvimento social e cultural do Brasil, alinhando-se \u00e0 proposta pl\u00e1stica e filos\u00f3fica do Positivismo, destacando a figura do l\u00edder e voltada \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o da sociedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Objetivo da exposi\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>Celebrando os 150 anos da imigra\u00e7\u00e3o italiana no Rio Grande do Sul, a mostra destaca o papel de imigrantes italianos na forma\u00e7\u00e3o da identidade regional e nacional atrav\u00e9s de sua mem\u00f3ria visual \u2013 retratos, paisagens, marinhas e registros etnogr\u00e1ficos produzidos por Boscagli no Brasil entre 1899 e 1945. Al\u00e9m disso, a exposi\u00e7\u00e3o agrega registros da expedi\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Roosevelt-Rondon (1913-1914), uma das mais emblem\u00e1ticas do sertanismo brasileiro, que<\/p>\n<p>colocou C\u00e2ndido Rondon e sua atividade em destaque internacional. A exposi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m dialoga com conceitos de autenticidade e singularidade na arte, trazendo \u00e0 tona a ideia de \u201cAura\u201d de Walter Benjamin, ao valorizar a originalidade e a rela\u00e7\u00e3o genu\u00edna com o passado<\/p>\n<p>das obras recuperadas.<\/p>\n<p>Destaques da mostra:<\/p>\n<p>Apresenta obras originais em \u00f3leo, cart\u00e3o e madeira, incluindo oito retratos hist\u00f3ricos de figuras p\u00fablicas como Conde de Porto Alegre, Gaspar Silveira Martins e Pinheiro Machado, bem como pinturas de paisagens, marinhas e uma obra etnogr\u00e1fica que revela a<\/p>\n<p>sensibilidade do artista na representa\u00e7\u00e3o do Brasil ind\u00edgena, al\u00e9m de documenta\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica cedida pelo Arquivo do Pal\u00e1cio Real \u2013 Bruxelas\/BE, mapas e reprodu\u00e7\u00f5es que ampliam o entendimento do legado de Boscagli na documenta\u00e7\u00e3o visual do Brasil nas cinco<\/p>\n<p>d\u00e9cadas iniciais do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>SERVI\u00c7O<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Exposi\u00e7\u00e3o: Boscagli, de J\u00falio de Castilhos a Rondon<\/p>\n<p>abertura: Dia 06 de agosto de 2025, das 18h \u00e0s 20h<\/p>\n<p>local: Museu de Arte do Pa\u00e7o, Pra\u00e7a Montevid\u00e9u, 10, Centro Hist\u00f3rico, Porto Alegre<\/p>\n<p>visita\u00e7\u00e3o: At\u00e9 31 de outubro de 2025, de segunda \u00e0 sexta, das 9h \u00e0s 17h<\/p>\n<p>ENTRADA FRANCA<\/p>\n<p>siga-nos no Instragram: Artes Visuais POA<\/p>\n<p>e-mail: mostras@portoalegre.rs.gov.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Museu de Arte do Pa\u00e7o (Pra\u00e7a Montevid\u00e9u, 10, Porto Alegre) tem o orgulho de inaugurar, no dia 6 de agosto, das 18h \u00e0s 20h, &hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":26563,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-26562","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","latest_post"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26562","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26562"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26562\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26564,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26562\/revisions\/26564"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26563"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26562"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26562"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26562"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}