{"id":24680,"date":"2025-07-08T17:20:50","date_gmt":"2025-07-08T20:20:50","guid":{"rendered":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/?p=24680"},"modified":"2025-07-08T17:12:35","modified_gmt":"2025-07-08T20:12:35","slug":"saberes-do-rosario-sao-reconhecidos-como-patrimonio-cultural-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/saberes-do-rosario-sao-reconhecidos-como-patrimonio-cultural-do-brasil\/","title":{"rendered":"SABERES DO ROS\u00c1RIO S\u00c3O RECONHECIDOS COMO PATRIM\u00d4NIO CULTURAL DO BRASIL"},"content":{"rendered":"<p>Reinados, Mo\u00e7ambiques, Congos e Congadas est\u00e3o presentes em ao menos 16 estados brasileiros e ser\u00e3o atra\u00e7\u00f5es do Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Brasil acaba de dar um passo importante na valoriza\u00e7\u00e3o de sua ancestralidade afro-brasileira. No dia 17 de junho, o Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (Iphan) oficializou o registro dos Saberes do Ros\u00e1rio: Reinados, Congados e Congadas como Patrim\u00f4nio Cultural do Brasil. A decis\u00e3o reconhece oficialmente um conjunto de pr\u00e1ticas centen\u00e1rias marcadas por devo\u00e7\u00e3o, musicalidade, espiritualidade e resist\u00eancia negra, mantidas vivas por centenas de comunidades em diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Presentes em estados como Minas Gerais, Goi\u00e1s, S\u00e3o Paulo, Par\u00e1, Amazonas e Bahia, os Saberes do Ros\u00e1rio re\u00fanem express\u00f5es como os mo\u00e7ambiques, congos, marujadas, catop\u00eas, tamborzeiros, caboclinhos e reinados, com rituais que atravessaram s\u00e9culos preservando um modo de vida enraizado na f\u00e9, na oralidade e na for\u00e7a comunit\u00e1ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Saberes ancestrais na Chapada dos Veadeiros<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Anualmente, alguns dos mais importantes grupos guardi\u00f5es dos Saberes do Ros\u00e1rio se re\u00fanem na Vila de S\u00e3o Jorge (GO), durante o Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, que em 2025 ser\u00e1 realizado de 13 a 20 de setembro. A programa\u00e7\u00e3o inclui Ternos de Mo\u00e7ambique, grupos congadeiros, rodas de conversa, oficinas e cortejos que celebram a mem\u00f3ria viva dessas express\u00f5es, em di\u00e1logo com mestres e mestras da cultura popular de todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entre os grupos que integram a programa\u00e7\u00e3o est\u00e1 o Congo de Niquel\u00e2ndia (GO), que canta e dan\u00e7a pelas ruas usando vestes brancas com detalhes em vermelho, len\u00e7os e penas de ema \u2014 em refer\u00eancia aos \u00edndios Av\u00e1-Canoeiro que viviam na regi\u00e3o. Os instrumentos tocados incluem viola, ganz\u00e1, pandeiro e bumbo, que acompanham as m\u00fasicas entoadas em louvor \u00e0 Santa Efig\u00eania, considerada uma rainha e padroeira do munic\u00edpio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A tradi\u00e7\u00e3o, segundo os congadeiros, nasceu no quilombo Xamb\u00e1, formado por negros fugidos das senzalas da antiga Vila Boa, Meia Ponte e S\u00e3o F\u00e9lix, e foi registrada no s\u00e9culo XVIII pelo m\u00e9dico austr\u00edaco Johann Emanuel Pohl, que descreveu as celebra\u00e7\u00f5es como um encontro entre o catolicismo e as tradi\u00e7\u00f5es africanas, marcadas por reis, rainhas, cantos e dan\u00e7as dentro da pr\u00f3pria igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tradi\u00e7\u00e3o que ultrapassa gera\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Terno de Mo\u00e7ambique do Capit\u00e3o J\u00falio Ant\u00f4nio, cuja tradi\u00e7\u00e3o familiar se entrela\u00e7a com os saberes ancestrais agora protegidos pelo Iphan. Com sede em Perd\u00f5es, sul de Minas Gerais, o grupo remonta h\u00e1 mais de 300 anos de hist\u00f3ria, sendo mantido por gera\u00e7\u00f5es dentro da mesma fam\u00edlia, atualmente sob o comando do Capit\u00e3o J\u00falio Ant\u00f4nio Filho, representante da terceira gera\u00e7\u00e3o. Ele relata que a tradi\u00e7\u00e3o come\u00e7ou com seu av\u00f4, africano que foi escravizado no Brasil e se tornou feitor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cEle tinha a miss\u00e3o de, todas as noites, ir at\u00e9 a senzala para ver como estavam os negros antes de ir dormir. Um dia, enquanto fazia isso, ouviu um dueto. Ele dizia que era muito bonito. E o que cantavam era algo que deu origem ao nosso terno, o mesmo ritmo que a gente carrega at\u00e9 hoje\u201d, relata Capit\u00e3o J\u00falio. Esses e outros relatos est\u00e3o reunidos na Encontroteca, acervo digital que conta o hist\u00f3rico do Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o do Terno de Mo\u00e7ambique do Capit\u00e3o J\u00falio Ant\u00f4nio inclui um capit\u00e3o, dois caixeiros, tr\u00eas tocadores de patangome (instrumentos similares a ganz\u00e1s, feitos com chumbos em estrutura de metal) e sete dan\u00e7adores que utilizam gungas amarradas nos joelhos, totalizando treze participantes ativos. O capit\u00e3o comanda o cortejo com um bast\u00e3o, um len\u00e7o branco e um apito, seguindo o alferes, que carrega a bandeira de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Espa\u00e7o de reconhecimento e resist\u00eancia<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 25 anos, o Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros \u00e9 realizado para celebrar, fortalecer e dar visibilidade a esses saberes que muitas vezes seguem \u00e0 margem das pol\u00edticas culturais e do olhar da sociedade. Nesse tempo, tornou-se um espa\u00e7o onde mestres, mestras, brincantes, educadores e juventudes compartilham modos de vida e resist\u00eancia. Como afirma Juliano Basso, idealizador do Encontro, o evento \u201c\u00e9 uma encruzilhada de saberes, um ponto de escuta, um territ\u00f3rio onde o Brasil precisa se reconhecer\u201d. Desde 2001, o evento tem sido um ponto de di\u00e1logo com as pol\u00edticas p\u00fablicas de cultura e com os marcos do patrim\u00f4nio imaterial no Brasil. \u201cN\u00e3o \u00e9 museu, n\u00e3o \u00e9 exposi\u00e7\u00e3o, \u00e9 roda, \u00e9 cortejo, \u00e9 transmiss\u00e3o entre gera\u00e7\u00f5es, \u00e9 encontro\u201d, diz Juliano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos congadeiros, o Encontro re\u00fane dezenas de grupos tradicionais de diferentes regi\u00f5es e matrizes culturais, entre folias, maracatus, catiras, batuques, dan\u00e7as ind\u00edgenas, jongos e manifesta\u00e7\u00f5es quilombolas. A cada edi\u00e7\u00e3o, a Vila de S\u00e3o Jorge se transforma em um territ\u00f3rio de partilhas, cantos, cores e afetos, atraindo visitantes de v\u00e1rias partes do Brasil em busca de uma viv\u00eancia profunda com o que h\u00e1 de mais genu\u00edno na cultura popular. Em 2025, a edi\u00e7\u00e3o comemorativa de 25 anos promete ser especialmente marcante, um tempo de festa, mem\u00f3ria e renova\u00e7\u00e3o dos la\u00e7os que sustentam essa celebra\u00e7\u00e3o viva do Brasil profundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Servi\u00e7o<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>XXV Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros<\/p>\n<p>De 13 a 20 de setembro de 2025<\/p>\n<p>Vila de S\u00e3o Jorge \u2013 Alto Para\u00edso de Goi\u00e1s (GO)<\/p>\n<p>Realiza\u00e7\u00e3o: Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge e Aldeia Multi\u00e9tnica<\/p>\n<p>Site: www.encontroteca.com.br<\/p>\n<p>Instagram: @encontrodeculturastradicionais<\/p>\n<p>YouTube: youtube.com\/@EncontrodeCulturas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reinados, Mo\u00e7ambiques, Congos e Congadas est\u00e3o presentes em ao menos 16 estados brasileiros e ser\u00e3o atra\u00e7\u00f5es do Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros &hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":24681,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-24680","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","latest_post"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24680","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24680"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24680\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24682,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24680\/revisions\/24682"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/24681"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24680"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24680"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24680"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}