{"id":20987,"date":"2025-05-23T14:24:48","date_gmt":"2025-05-23T17:24:48","guid":{"rendered":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/?p=20987"},"modified":"2025-05-23T14:24:48","modified_gmt":"2025-05-23T17:24:48","slug":"tinta-da-china-brasil-apresenta-cartas-ineditas-de-fernando-pessoa-em-nova-edicao-de-cartas-de-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/tinta-da-china-brasil-apresenta-cartas-ineditas-de-fernando-pessoa-em-nova-edicao-de-cartas-de-amor\/","title":{"rendered":"TINTA-DA-CHINA BRASIL APRESENTA CARTAS IN\u00c9DITAS DE FERNANDO PESSOA EM NOVA EDI\u00c7\u00c3O DE CARTAS DE AMOR"},"content":{"rendered":"<p>Com organiza\u00e7\u00e3o, edi\u00e7\u00e3o e apresenta\u00e7\u00e3o de Jer\u00f3nimo Pizarro, o maior especialista nos manuscritos de Fernando Pessoa, conhecemos as missivas de Pessoa para Madge Anderson<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se muitos conhecem Of\u00e9lia Queiroz, a quem foi destinada a maior parte das cartas de amor de Fernanda Pessoa, poucos sabem que no fim da vida Pessoa se apaixonou por uma inglesa loira e misteriosa, Madge Anderson, com quem tamb\u00e9m trocou missivas. Por isso, a cole\u00e7\u00e3o Pessoa na Tinta-da-China Brasil ganha um novo volume, com organiza\u00e7\u00e3o, edi\u00e7\u00e3o e apresenta\u00e7\u00e3o de Jer\u00f3nimo Pizarro, o maior especialista nos manuscritos de Fernando Pessoa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em Cartas de amor, de Fernando Pessoa, Pizzaro revisa datas, atualiza a grafia, situa as cartas na vida e obra de Fernando Pessoa e re\u00fane novas pistas e documentos, como os poemas que integraram o epistol\u00e1rio amoroso, fac-s\u00edmiles e fotos. A mais completa edi\u00e7\u00e3o das cartas de amor. A obra chega \u00e0s livrarias em formato de \u00e1lbum visual.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na publica\u00e7\u00e3o, Pessoa se envolve por vezes em intrigas e desconfian\u00e7a, d\u00e1 algumas desculpas esfarrapadas \u2014 \u201cn\u00e3o foi por culpa minha, mas do meu sono, que faltei \u00e0 combina\u00e7\u00e3o\u201d \u2014, vale-se de diminutivos e, por vezes, at\u00e9 emula uma vozinha de beb\u00ea.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A poesia vai se mostrando nas cartas, em figuras de linguagem como a met\u00e1fora e a hip\u00e9rbole, al\u00e9m de repeti\u00e7\u00f5es e de um ritmo bem trabalhado. Surgem charadas, apelidos carinhosos que Pessoa e Of\u00e9lia \u2014 sua namorada, que ele conheceu na empresa de sua fam\u00edlia, onde ela trabalhava como secret\u00e1ria \u2014, usavam um com o outro e tamb\u00e9m para partes do corpo. Of\u00e9lia \u00e9 \u201c\u00edbis\u201d, \u201cnininha\u201d, ou \u00e0s vezes uma \u201cvespa\u201d, uma \u201cv\u00edbora\u201d; seus seios s\u00e3o chamados de \u201cpombinhos\u201d, e os \u201cbeijinhos\u201d s\u00e3o \u201cjinhos\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cPessoa queria ser plural como o universo, e \u00e9 isso que hoje se verifica: a sua maior pluraliza\u00e7\u00e3o, acompanhada de uma maior universaliza\u00e7\u00e3o. Assim, esta edi\u00e7\u00e3o procura fornecer um conjunto de textos cuidadosamente estabelecidos, dedicadamente anotados, que renovem e multipliquem os estudos pessoanos, ou seja, estudos sobre Pessoa, mas tamb\u00e9m da multid\u00e3o de pessoas que os fazem\u201d, defende Pizzaro, organizador da obra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Notamos nos textos as voltas de linguagem t\u00edpicas do autor de \u201cAutopsicografia\u201d: \u201cComo n\u00e3o quero que diga que eu n\u00e3o lhe escrevi, por efetivamente n\u00e3o lhe ter escrito, estou escrevendo\u201d. Os heter\u00f4nimos tamb\u00e9m aparecem como personagens das conversas. \u201cTodas as cartas de amor s\u00e3o rid\u00edculas\u201d, sentenciou \u00c1lvaro de Campos em um de seus poemas, provavelmente depois de ter se intrometido na correspond\u00eancia entre Pessoa e Of\u00e9lia. Vemos Pessoa escrevendo para Of\u00e9lia com bom humor, mas tamb\u00e9m mostrando-se hipocondr\u00edaco, dram\u00e1tico e um tanto autocentrado, dedicado a um prop\u00f3sito maior (a escrita), subordinado \u201c\u00e0 obedi\u00eancia a Mestres que n\u00e3o permitem nem perdoam\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como Einstein e Kafka, Pessoa \u00e9 o mesmo tipo de g\u00eanio, que em algumas das cartas reunidas neste volume coloca a escrita como objetivo principal da vida e a possibilidade do casamento como um entrave.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando chegamos \u00e0s cartas de Madge Anderson \u2014 uma advogada \u2014, no fim do volume, vemos finalmente uma mulher colocando-o na linha ao cham\u00e1-lo de \u201cvelho tonto dram\u00e1tico\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 no livro h\u00e1 uma se\u00e7\u00e3o de poemas que apareceram nesse contexto de correspond\u00eancia, al\u00e9m de fac-s\u00edmiles, fotos e imagens dos objetos que foram colecionados pelos namorados, como caixas de bombons. O livro tamb\u00e9m acompanha muitas idas e vindas de comboio, pelas ruas, pra\u00e7as, pelos caf\u00e9s, largos e cais \u2014 uma geografia afetiva de um tempo e um lugar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sobre o autor<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fernando Pessoa (1888\u20131935) \u00e9 hoje o principal elo liter\u00e1rio de Portugal com o mundo. A sua obra em verso e em prosa \u00e9 a mais plural que se possa imaginar, pois tem m\u00faltiplas facetas, materializa in\u00fameros interesses e representa um aut\u00eantico patrim\u00f4nio coletivo: do autor, das diversas figuras autorais inventadas por ele e dos leitores. Algumas dessas personagens, Alberto Caeiro, Ricardo Reis e \u00c1lvaro de Campos, Pessoa denominou \u201cheter\u00f4nimos\u201d, reservando a designa\u00e7\u00e3o de \u201cort\u00f4nimo\u201d para si pr\u00f3prio. Diretor e colaborador de v\u00e1rias revistas liter\u00e1rias, autor do Livro do desassossego e, no dia a dia, \u201ccorrespondente estrangeiro em casas comerciais\u201d, Pessoa deixou uma obra universal em tr\u00eas l\u00ednguas que continua a ser editada e estudada desde que escreveu, antes de morrer, em Lisboa, \u201cI know not what to\u2011morrow will bring\u201d [N\u00e3o sei o que o amanh\u00e3 trar\u00e1].<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sobre o editor<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Professor, tradutor, cr\u00edtico e editor, Jer\u00f3nimo Pizarro \u00e9 o respons\u00e1vel pela maior parte das novas edi\u00e7\u00f5es e novas s\u00e9ries de textos de Fernando Pessoa publicadas em Portugal desde 2006. Professor da Universidade dos Andes, titular da C\u00e1tedra de Estudos Portugueses do Instituto Cam\u00f5es na Col\u00f4mbia e Pr\u00e9mio Eduardo Louren\u00e7o (2013), Pizarro voltou a abrir as arcas pessoanas e redescobriu a \u201cbiblioteca particular de Fernando Pessoa\u201d, para utilizar o t\u00edtulo de um dos livros da sua bibliografia. Foi o comiss\u00e1rio da visita de Portugal \u00e0 Feira Internacional do livro de Bogot\u00e1 (filbo) e \u00e0 Festa do Livro e da Cultura de Medell\u00edn, e coordena h\u00e1 v\u00e1rios anos a visita de escritores de l\u00edngua portuguesa \u00e0 Col\u00f4mbia. Coeditor da revista Pessoa Plural, ass\u00edduo organizador de col\u00f3quios e exposi\u00e7\u00f5es, dirige atualmente a Cole\u00e7\u00e3o Pessoa na Tinta\u2011da\u2011China.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ficha t\u00e9cnica<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>T\u00edtulo: Cartas de amor<\/p>\n<p>Autor: Fernando Pessoa<\/p>\n<p>Organiza\u00e7\u00e3o e apresenta\u00e7\u00e3o: Jer\u00f3nimo Pizarro<\/p>\n<p>Cole\u00e7\u00e3o: Fernando Pessoa<\/p>\n<p>Editora: Tinta-da-China Brasil<\/p>\n<p>P\u00e1ginas: 208 pp.<\/p>\n<p>ISBN: 978-65-84835-40-5<\/p>\n<p>Pre\u00e7o: R$74,90<\/p>\n<p>Formato: Brochura, 13 cm x 18,5 cm (bolso)<\/p>\n<p>Lan\u00e7amento: Abril de 2025<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sobre a Tinta-da-China Brasil<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 uma editora de livros independente, sediada em S\u00e3o Paulo, gerida desde 2022 pela Associa\u00e7\u00e3o Quatro Cinco Um, organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos. Sua miss\u00e3o \u00e9 a difus\u00e3o da cultura do livro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>https:\/\/www.tintadachina.com.br\/<\/p>\n<p>https:\/\/www.instagram.com\/tintadachinabrasil\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com organiza\u00e7\u00e3o, edi\u00e7\u00e3o e apresenta\u00e7\u00e3o de Jer\u00f3nimo Pizarro, o maior especialista nos manuscritos de Fernando Pessoa, conhecemos as missivas de Pessoa para Madge Anderson &nbsp; &hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":20988,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-20987","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","latest_post"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20987","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20987"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20987\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20989,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20987\/revisions\/20989"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20988"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20987"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20987"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20987"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}