{"id":1632,"date":"2022-11-23T20:13:27","date_gmt":"2022-11-23T23:13:27","guid":{"rendered":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/?p=1632"},"modified":"2022-11-23T20:13:27","modified_gmt":"2022-11-23T23:13:27","slug":"documentario-desvenda-o-cotidiano-dos-manguezais-da-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/documentario-desvenda-o-cotidiano-dos-manguezais-da-amazonia\/","title":{"rendered":"DOCUMENT\u00c1RIO DESVENDA O COTIDIANO DOS MANGUEZAIS DA AMAZ\u00d4NIA\u00a0 \u00a0"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao registrar a\u00e7\u00f5es socioambientais nesse ecossistema, o filme busca valorizar a rela\u00e7\u00e3o entre homem e natureza como forma de promover o uso sustent\u00e1vel dos recursos naturais<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De que forma tradi\u00e7\u00f5es culturais, pr\u00e1ticas produtivas e condi\u00e7\u00f5es sociais influenciam a conserva\u00e7\u00e3o e o uso sustent\u00e1vel dos mangues amaz\u00f4nicos? Como essas popula\u00e7\u00f5es se mobilizam para oportunidades no conv\u00edvio com a natureza? A imers\u00e3o no universo das comunidades extrativistas que obt\u00eam o sustento na pesca, captura de caranguejo-u\u00e7\u00e1 e retirada de madeira marca o document\u00e1rio \u201cManguezal: Maret\u00f3rio Feito de N\u00f3s\u201d, em fase final de produ\u00e7\u00e3o pela Marahu Filmes, de Bel\u00e9m. S\u00e3o paisagens \u00fanicas, vozes locais, hist\u00f3rias de vida e contribui\u00e7\u00f5es da ci\u00eancia que ilustram a busca por transforma\u00e7\u00f5es socioambientais no cora\u00e7\u00e3o da maior faixa desse ecossistema no planeta, na zona costeira do Par\u00e1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com dire\u00e7\u00e3o e roteiro de Felipe Cortez, o filme mergulha na experi\u00eancia do Projeto Mangues da Amaz\u00f4nia, voltado a a\u00e7\u00f5es ambientais e socioeducativas junto a comunidades de reservas extrativistas e entorno, nos munic\u00edpios paraenses de Bragan\u00e7a, Augusto Correa e Tracuateua. Realizada pelo Instituto Peabiru e Associa\u00e7\u00e3o Sarambu\u00ed, com patroc\u00ednio da Petrobras, a iniciativa re\u00fane m\u00faltiplas atividades que interagem com a realidade e os desafios dessas \u00e1reas, com produ\u00e7\u00e3o de conhecimento e impactos positivos ao longo de dois anos, registrados em cores, formas e falas pelo document\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com lan\u00e7amento previsto para 9 de dezembro no Liceu da M\u00fasica de Bragan\u00e7a, o filme apresenta em 40 minutos a hist\u00f3ria do projeto e seus resultados, com o vi\u00e9s humano, cient\u00edfico e cultural das intera\u00e7\u00f5es em campo, envolvendo moradores, pescadores, pesquisadores, professores, lideran\u00e7as locais, volunt\u00e1rios e outros personagens. A exibi\u00e7\u00e3o far\u00e1 parte de um circuito de eventos de encerramento do Mangues da Amaz\u00f4nia que inclui atra\u00e7\u00f5es de m\u00fasica, dan\u00e7a, poesia e cinema.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cA principal mensagem \u00e9 a valoriza\u00e7\u00e3o e reconhecimento do manguezal pela riqueza de conhecimento e recursos naturais e culturais\u201d, afirma Felipe Cortez. Segundo o documentarista e jornalista, para al\u00e9m da beleza est\u00e9tica desse ecossistema, o diferencial est\u00e1 em mostrar o cotidiano da vida e a rela\u00e7\u00e3o entre os personagens que fizeram o projeto acontecer, com os desafios e os legados n\u00e3o s\u00f3 ambientais, como tamb\u00e9m sociais e culturais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Do cultivo de mudas e restaura\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas de manguezais \u00e0s pesquisas para subsidiar regras de manejo do caranguejo-u\u00e7\u00e1, as atividades abrangeram mobiliza\u00e7\u00e3o para limpeza das praias e rodas de conversa sobre temas de import\u00e2ncia local, como a quest\u00e3o de g\u00eanero e a garantia de direitos. Entre as frentes de trabalho do projeto Mangues da Amaz\u00f4nia documentadas pelo filme, est\u00e3o pesquisas que servem de base \u00e0 explora\u00e7\u00e3o do potencial dessas \u00e1reas no mercado clim\u00e1tico, devido \u00e0 alta capacidade de estocar carbono, com renda para as comunidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com apoio do Laborat\u00f3rio de Ecologia de Manguezal (LAMA), da Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA), as a\u00e7\u00f5es como um todo beneficiam direta e indiretamente cerca de 6 mil pessoas na regi\u00e3o \u2013 entre as quais, comunidades tradicionais guardi\u00e3s desse ecossistema, conservado como meio de subsist\u00eancia e pr\u00e1ticas culturais. Como destaque, foram desenvolvidas a\u00e7\u00f5es educativas junto a crian\u00e7as e jovens de diferentes faixas et\u00e1rias \u2013 iniciativa de sensibiliza\u00e7\u00e3o visando o uso sustent\u00e1vel da natureza, com personagens de papel protagonista no document\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Contar essa hist\u00f3ria com uma narrativa humanizada representa um momento especial na trajet\u00f3ria profissional de Cortez, documentarista que tem no portf\u00f3lio produ\u00e7\u00f5es como \u201cSer Circular \u00e9 Tocar o Cora\u00e7\u00e3o da Cidade\u201d (2020), \u201cIracema e o Brinquedo de Voar\u201d (2021) e \u201cFlorestas Comunit\u00e1rias\u201d (2022). Desde 2015, realiza o Programa Circuito, voltado ao jornalismo cultural na Amaz\u00f4nia, na TV Cultura do Par\u00e1. \u201cEntre surpresas e aprendizados nos mangues amaz\u00f4nicos, foi muito especial mostrar a emo\u00e7\u00e3o das pessoas diante de uma rara oportunidade de educa\u00e7\u00e3o e renda\u201d, ressalta o diretor, com planos de inserir o filme no circuito de festivais internacionais de cinema.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ap\u00f3s viagens preparat\u00f3rias de pesquisas nas tr\u00eas localidades da filmagem no Par\u00e1, a produ\u00e7\u00e3o do roteiro priorizou aspectos que combinam a realidade da vida nas reservas extrativistas, as expectativas das fam\u00edlias e as atividades do Mangues da Amaz\u00f4nia, com destaque para o casamento entre o conhecimento cient\u00edfico e o tradicional das comunidades. \u201cRegistramos como foi esse processo de troca, com a descoberta de novas demandas locais abra\u00e7adas pelo projeto\u201d, revela Cortez.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nas filmagens, realizadas em setembro e outubro, a equipe conviveu com dura realidade da captura de caranguejos, como os ataques das mutucas \u2013 vorazes insetos repelidos pelos coletores com a fuma\u00e7a de cigarros ou, em alguns casos, at\u00e9 com \u00f3leo combust\u00edvel espalhado no corpo. \u201cTodo esse esfor\u00e7o precisa valorizado por quem consome caranguejo nas cidades\u201d, defende o documentarista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A dificuldade de log\u00edstica em \u00e1reas in\u00f3spitas, comum no cotidiano dos caranguejeiros, tamb\u00e9m marcou o trabalho das equipes de bi\u00f3logos e outros pesquisadores do Mangues da Amaz\u00f4nia, como retratado no filme. Segundo Cortez, \u201cse fazer projetos na Amaz\u00f4nia \u00e9 dif\u00edcil, filmar \u00e9 mais complexo ainda e exigiu criar estrat\u00e9gias de deslocamento por esses espa\u00e7os, com lama na cintura, de forma a chegar com a c\u00e2mera nos lugares mais adequados, no momento certo\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A narrativa do document\u00e1rio contribui para dar visibilidade a essas \u00e1reas, destacando o ativo dos saberes locais, para al\u00e9m do valor biol\u00f3gico e econ\u00f4mico dos recursos naturais. O trabalho fortaleceu o conceito de \u201cmaret\u00f3rio\u201d, palavra que o document\u00e1rio carrega no nome em alus\u00e3o aos territ\u00f3rios influenciados pela mar\u00e9 nas zonas costeiras. \u201cS\u00e3o espa\u00e7os de luta por direitos e identidade muito forte\u201d, observa Cortez.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o de Fernando Segtowick, \u00e0 frente da Marahu Filmes, o document\u00e1rio se integra ao desafio de \u201cmudar o estere\u00f3tipo do extrativista como coitadinho, valorizando a pot\u00eancia e sabedoria dos homens e mulheres da Amazonia\u201d. A produtora audiovisual baseada em Bel\u00e9m desenvolve projetos sobre a Amaz\u00f4nia para o mundo, como o longa-metragem documental \u201cO Reflexo do Lago\u201d, com estreia mundial no Festival de Cinema de Berlim. Em 2020, Segtowick lan\u00e7ou a s\u00e9rie \u201cSabores da Floresta\u201d sobre gastronomia amaz\u00f4nica, com o chef Thiago Castanho, exibido no Canal Futura, e atualmente produz telefilmes para os canais Arte1, TV Brasil e Travel Box Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Documentar os manguezais amaz\u00f4nicos e sua complexidade deu novas luzes \u00e0 experi\u00eancia nas tem\u00e1ticas da regi\u00e3o. \u201cDevemos olhar para esses territ\u00f3rios n\u00e3o apenas pelo aspecto dos recursos naturais, mas das pessoas que vivem l\u00e1\u201d, aponta o produtor, ao defender uma maior humaniza\u00e7\u00e3o da narrativa sobre a regi\u00e3o. Ele conclui: \u201c\u00e9 preciso fazer diferente e romper o paradigma do processo hist\u00f3rico, com hist\u00f3rias contadas pelos pr\u00f3prios amaz\u00f4nicas \u2013 n\u00e3o vindas de fora\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ficha T\u00e9cnica:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Filme: Manguezal: Maret\u00f3rio Feito de N\u00f3s\/40 min<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Produ\u00e7\u00e3o Executiva: Fernando Segtowick &amp; Thiago Pelaes<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dire\u00e7\u00e3o: Felipe Cortez<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Montagem\/Finaliza\u00e7\u00e3o: Leandro Tocantins<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dire\u00e7\u00e3o de Fotografia: Andr\u00e9 Mardock<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Som Direto \/ Drone: Paulo Castro<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Coordena\u00e7\u00e3o de Produ\u00e7\u00e3o: Tayana Amaral<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Produ\u00e7\u00e3o de Base: Renato Lima<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sobre o Projeto Mangues da Amaz\u00f4nia<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Mangues da Amaz\u00f4nia \u00e9 um projeto socioambiental com foco na recupera\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o de manguezais em Reservas Extrativistas Marinhas do estado do Par\u00e1. \u00c9 realizado pelo Instituto Peabiru e pela Associa\u00e7\u00e3o Sarambu\u00ed, em parceria com o Laborat\u00f3rio de Ecologia de Manguezal (LAMA), da Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA), e conta com patroc\u00ednio da Petrobras, atrav\u00e9s do Programa Petrobras Socioambiental. Com in\u00edcio em 2021 e dura\u00e7\u00e3o de dois anos, o projeto atua na recupera\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies-chave dos manguezais atrav\u00e9s da elabora\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias de manejo da madeira e do caranguejo-u\u00e7\u00e1 com a participa\u00e7\u00e3o das comunidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sobre a Associa\u00e7\u00e3o Sarambu\u00ed<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o Sarambu\u00ed \u00e9 uma Organiza\u00e7\u00e3o da Sociedade Civil (OSC) com sede em Bragan\u00e7a \u2013 Par\u00e1, constitu\u00edda em 2015, cuja miss\u00e3o \u00e9 promover a gera\u00e7\u00e3o de conhecimento de maneira participativa, em prol da conserva\u00e7\u00e3o e sustentabilidade dos recursos estuarino-costeiros. Nossas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o direcionadas ao ecossistema manguezal, ao longo da costa amaz\u00f4nica brasileira, em particular no litoral do Estado do Par\u00e1. \u00c9 uma das organiza\u00e7\u00f5es realizadoras do projeto Mangues da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sobre o Instituto Peabiru<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Instituto Peabiru \u00e9 uma Organiza\u00e7\u00e3o da Sociedade Civil de Interesse P\u00fablico (OSCIP) brasileira, fundada em 1998, que tem por miss\u00e3o facilitar processos de fortalecimento da organiza\u00e7\u00e3o social e da valoriza\u00e7\u00e3o da sociobiodiversidade. Com sede em Bel\u00e9m, atua nacionalmente, especialmente no bioma Amaz\u00f4nia, com \u00eanfase no Maraj\u00f3, Nordeste Paraense e na Regi\u00e3o Metropolitana de Bel\u00e9m (PA). \u00c9 uma das organiza\u00e7\u00f5es realizadoras do projeto Mangues da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Ao registrar a\u00e7\u00f5es socioambientais nesse ecossistema, o filme busca valorizar a rela\u00e7\u00e3o entre homem e natureza como forma de promover o uso sustent\u00e1vel dos &hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1633,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1632","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sobre","latest_post"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1632","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1632"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1632\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1634,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1632\/revisions\/1634"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1633"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1632"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1632"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilpimentel.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1632"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}